A Copa do Mundo de 2026 é a maior da história. Pela primeira vez, 48 seleções participam do torneio — disputado entre Estados Unidos, Canadá e México —, o que ampliou o interesse global e, junto com ele, os investimentos das federações em seus comandantes técnicos.

Não é segredo que treinar uma seleção nacional carrega um peso diferente de qualquer outro trabalho no futebol. São milhões de torcedores acompanhando cada decisão, cada escalação, cada resultado. Para atrair nomes de peso e mantê-los motivados sob tamanha pressão, as federações abrem o cofre.

O presente ranking foi elaborado com base nos dados divulgados pelo jornal esportivo italiano La Gazzetta dello Sport, uma das publicações esportivas mais respeitadas do mundo. Os valores foram complementados com informações do site especializado Salary Leaks e do portal Finance Football, que realizam levantamentos detalhados sobre remuneração no futebol profissional.

Metodologia: Os salários listados são valores anuais brutos, expressos em euros. As conversões para reais foram feitas com base na cotação vigente em junho de 2026 (aproximadamente R$ 5,87 por euro). É importante destacar que parte dos contratos inclui cláusulas de bônus por desempenho — como classificação para fase eliminatória ou conquista do título — que não estão computadas nos valores base apresentados aqui.

O ranking reúne os dez técnicos de seleções que disputam o Mundial com os maiores salários fixos anuais. Sem mais delongas, confira quem são eles.

image 6

O Ranking: Os 10 Técnicos Mais Bem Pagos da Copa do Mundo 2026

1º Lugar — Carlo Ancelotti (Brasil): 9,5 milhões de euros (R$ 55,8 milhões)

Se havia alguma dúvida sobre quem ocuparia o topo desta lista, Carlo Ancelotti a dissipou desde o momento em que assinou com a CBF. O italiano de 66 anos chegou à Seleção Brasileira em maio de 2025, após encerrar um ciclo de conquistas no Real Madrid, onde venceu o Mundial de Clubes da FIFA de 2024.

O acordo inicial já era o maior da história para um técnico de seleção brasileira. Mas o capítulo mais revelador veio com a renovação: antes mesmo da Copa começar, a CBF estendeu o vínculo de Ancelotti até 2030 — ou seja, até o fim do próximo ciclo mundialista. O novo contrato manteve o salário base em 9,5 milhões de euros anuais.

Para ter dimensão do que isso representa: Ancelotti ganha 61% a mais do que o segundo colocado desta lista. Em reais, são aproximadamente R$ 55,8 milhões por ano — ou cerca de R$ 4,65 milhões por mês.

Curiosidade: Caso Ancelotti leve o Brasil ao título inédito do hexacampeonato, ele receberá uma bonificação de 5 milhões de euros, o equivalente a R$ 29 milhões a mais. Seria o maior bônus individual já pago pela CBF.

Ancelotti chega à Copa sem nunca ter disputado um Mundial à frente de uma seleção nacional. Toda a sua trajetória como treinador foi construída em clubes — Juventus, AC Milan, Chelsea, Paris Saint-Germain, Real Madrid, entre outros — onde conquistou 14 títulos de ligas nacionais diferentes e quatro troféus da Liga dos Campeões. A Copa de 2026 é o grande projeto inédito de sua carreira.

2º Lugar — Thomas Tuchel (Inglaterra): 5,9 milhões de euros (R$ 34,6 milhões)

O alemão Thomas Tuchel assumiu o comando da seleção inglesa em 2024 e já chega ao Mundial como um dos favoritos do continente europeu. Com salário de 5,9 milhões de euros anuais, ele ocupa a segunda posição do ranking com uma diferença considerável em relação ao terceiro colocado.

Tuchel é um técnico reconhecido internacionalmente pelo trabalho em clubes de elite. Venceu a Liga dos Campeões pelo Chelsea em 2021 e passou ainda por Paris Saint-Germain e Bayern de Munique antes de aceitar o desafio com os ingleses — tido como “o segundo cargo mais importante do futebol mundial”, segundo a imprensa britânica.

Curiosidade: Tuchel é o primeiro alemão a comandar a seleção da Inglaterra em uma Copa do Mundo. A ironia não passou despercebida: a Alemanha e a Inglaterra têm um dos maiores clássicos do futebol europeu.

Comparação: Ele ganha 3,6 milhões de euros a mais por ano do que Julian Nagelsmann, que comanda exatamente a seleção do seu país de origem.

3º Lugar — Julian Nagelsmann (Alemanha): 4,9 milhões de euros (R$ 28,8 milhões)

Aos 38 anos, Julian Nagelsmann é o técnico mais jovem entre os dez melhores pagos desta Copa. O alemão assumiu a Nationalmannschaft em 2023, após o fracasso do grupo na Copa de 2022, e é visto como o representante de uma nova geração de treinadores europeus — analítico, intenso e tecnologicamente atualizado.

Com 4,9 milhões de euros anuais, ele garante o terceiro lugar do ranking e comanda uma das seleções consideradas favoritas ao título.

Curiosidade: Nagelsmann foi o técnico mais jovem a comandar um time na Liga dos Campeões da Europa, tendo assumido o Hoffenheim com apenas 28 anos. Sua escalada foi meteórica: RB Leipzig, Bayern de Munique e, agora, a seleção alemã.

A Alemanha chegou ao torneio com um grupo faminto por reabilitação. O país foi eliminado na fase de grupos em 2018 e 2022 — algo impensável para uma nação com quatro títulos mundiais. Nagelsmann carrega a missão de devolver os alemães à elite.

4º Lugar — Fabio Cannavaro (Uzbequistão): 4 milhões de euros (R$ 23,5 milhões)

Esta é, sem dúvida, a entrada mais surpreendente do ranking. Fabio Cannavaro, 52 anos, um dos maiores zagueiros da história do futebol, comanda o Uzbequistão — seleção que nunca antes havia disputado uma Copa do Mundo — e figura entre os técnicos mais bem pagos do torneio.

A federação uzbeque investiu 4 milhões de euros anuais para contratar o ex-capitão da Itália, e o investimento reflete o tamanho histórico do momento: a estreia do país em um Mundial.

Curiosidade: Cannavaro foi o último zagueiro a vencer a Bola de Ouro da France Football, em 2006 — exatamente o ano em que conduziu a Itália ao título da Copa do Mundo. Como treinador, seu histórico é mais discreto, com passagens por clubes da China, pelo Benevento, Udinese e Dínamo Zagreb.

Comparação: Cannavaro ganha mais do que Didier Deschamps, campeão mundial em 2018 pela França, e mais do que o próprio Lionel Scaloni, campeão em 2022 pela Argentina. Um paradoxo fascinante do mercado.

image 6

5º Lugar — Roberto Martínez (Portugal): 4 milhões de euros (R$ 23,5 milhões)

Empatado com Cannavaro, o espanhol Roberto Martínez ocupa a quinta posição. Ele assumiu Portugal em 2022, após a saída de Fernando Santos, e desde então tem construído uma seleção sólida com Cristiano Ronaldo ainda como referência ofensiva.

Martínez passou pela seleção da Bélgica durante anos, onde conviveu com a chamada “geração dourada” — um grupo de talentos que nunca se converteu em título. Com Portugal, ele tenta escrever um capítulo diferente.

Curiosidade: Portugal chegou à Copa de 2026 classificado entre os favoritos do grupo europeu. Martínez tem a vantagem de trabalhar com um elenco tecnicamente superior à maioria dos adversários, mas carrega a pressão de nunca ter conquistado um título de seleção.

Comparação: Seu salário equivale ao de Cannavaro, mas o histórico como técnico de seleção é consideravelmente maior — Martínez acumula quase uma década comandando equipes nacionais.

6º Lugar — Didier Deschamps (França): 3,8 milhões de euros (R$ 22,3 milhões)

Didier Deschamps é o mais experiente desta lista. Assume a seleção francesa desde julho de 2012 — um dos trabalhos mais longevos no futebol mundial — e tem no currículo o título da Copa de 2018 na Rússia e a vice-campeonato de 2022 no Catar.

Com 3,8 milhões de euros anuais, ele aparece na sexta colocação, abaixo de Cannavaro e Martínez, o que pode parecer uma injustiça considerando seus resultados.

Curiosidade: Deschamps já foi campeão mundial como jogador (1998) e como técnico (2018) pela França, algo conquistado por muito poucos nomes na história do futebol. Se a seleção francesa vencer em 2026, ele entrará definitivamente para o seleto grupo dos maiores da história do esporte.

A França chega ao torneio de 2026 com um elenco repleto de qualidade, mas com a memória ainda vívida da final perdida para a Argentina nos pênaltis em 2022 — um resultado doloroso que aumenta a sede por redenção.

7º Lugar — Marcelo Bielsa (Uruguai): 3,5 milhões de euros (R$ 20,5 milhões)

“El Loco” Bielsa, 70 anos, é um fenômeno à parte no futebol mundial. Seu estilo de jogo intenso, sua filosofia obcecada por análise e sua figura quase mítica fazem dele um dos treinadores mais respeitados do planeta — mesmo sem títulos expressivos na carreira.

Assumiu o Uruguai em maio de 2023 e, com 3,5 milhões de euros anuais, garante a sétima posição.

Curiosidade: Bielsa é famoso por sua imensa capacidade de análise. Conta a lenda que ele já passou noites assistindo a todos os jogos da carreira de um único jogador para decidir se convocá-lo ou não. Seu apelido, “El Loco”, mistura admiração e respeito.

Comparação: Bielsa ganha mais do que Ronald Koeman, técnico da Holanda, e mais do que os dois campeões mundiais que aparecem abaixo dele — Scaloni e, comparativamente, um dos técnicos do top 10 com menor retorno em títulos.

8º Lugar — Ronald Koeman (Holanda): 3 milhões de euros (R$ 17,6 milhões)

O holandês Ronald Koeman voltou ao comando da seleção dos Países Baixos em 2023, após uma primeira passagem entre 2018 e 2020. Com 3 milhões de euros anuais, ele comanda uma das seleções mais respeitadas da Europa.

Koeman tem longa história com a Oranje: foi peça fundamental da seleção holandesa nos anos 1980 e 1990 como jogador, incluindo o título da Eurocopa de 1988.

Curiosidade: Koeman marcou um dos gols mais famosos da história das competições europeias ao converter uma falta decisiva na final da Copa dos Campeões de 1992 pelo Barcelona, contra a Sampdoria.

Contexto: A Holanda chega ao Mundial de 2026 sem um título desde a conquista da Eurocopa de 1988. Para os torcedores holandeses, encerrar esse jejum equivale a um projeto geracional.

9º Lugar — Gustavo Alfaro (Paraguai): 2,5 milhões de euros (R$ 14,7 milhões)

O argentino Gustavo Alfaro é a segunda entrada mais surpreendente do ranking. Apostando na juventude e na intensidade, ele assumiu o Paraguai em janeiro de 2024 e conseguiu classificar a seleção para a Copa do Mundo — feito que não deve ser subestimado em um contexto sul-americano altamente competitivo.

Com 2,5 milhões de euros anuais, Alfaro aparece na nona posição — acima de Lionel Scaloni, campeão do mundo.

Curiosidade: Alfaro passou por clubes como Boca Juniors, Ecuador e Costa Rica antes de aceitar o desafio paraguaio. Seu trabalho é reconhecido pela capacidade de potencializar equipes com recursos limitados.

Comparação: O Paraguai é uma seleção de menor expressão histórica se comparada à Argentina ou à França, mas paga mais ao seu técnico do que a AFA paga ao campeão mundial Scaloni. O mercado nem sempre segue a lógica.

10º Lugar — Lionel Scaloni (Argentina): 2,3 milhões de euros (R$ 13,5 milhões)

O campeão do mundo. O técnico que devolveu a Argentina ao topo do futebol após 36 anos de jejum. E o menos remunerado do ranking.

Lionel Scaloni, 46 anos, comanda a seleção argentina desde 2018 e conduziu o país ao título da Copa América de 2021, à Finalíssima de 2022 e ao título da Copa do Mundo de 2022 no Catar. Com 2,3 milhões de euros anuais, ele ocupa a décima colocação.

Curiosidade: Scaloni ganha quatro vezes menos do que Ancelotti. A desproporção é notável: o técnico mais bem-sucedido da lista, em termos de resultados recentes, é também o que menos recebe entre os dez.

A AFA é conhecida por ter uma política salarial mais conservadora para seus técnicos, mesmo quando os resultados justificariam uma revisão dos valores. Scaloni, por sua vez, parece não se importar — sua relação com o grupo é construída sobre vínculos afetivos e identidade coletiva, não sobre cifras.

image 6

Como o Ranking Foi Elaborado

O levantamento que originou este ranking foi publicado inicialmente pelo jornal La Gazzetta dello Sport, tradicional veículo esportivo italiano fundado em 1896 e um dos mais respeitados do mundo. Os dados foram complementados com informações do Salary Leaks, plataforma especializada em transparência salarial no futebol, e do Finance Football, que realiza análises econômicas do esporte.

É importante destacar que contratos de técnicos de seleções não são, em sua maioria, documentos públicos. As federações raramente divulgam valores oficiais. Por isso, parte dos números apresentados é resultado de vazamentos, estimativas baseadas em fontes próximas às federações e informações confirmadas indiretamente por dirigentes em entrevistas.

Os valores apresentados são salários fixos anuais e não incluem bônus por desempenho, premiações por classificação ou conquista de títulos. No caso de Ancelotti, por exemplo, existe uma cláusula de 5 milhões de euros adicionais caso o Brasil seja campeão — o que não está computado nos 9,5 milhões do ranking.

A conversão para reais foi feita com base na cotação de junho de 2026, com o euro sendo negociado próximo a R$ 5,87. Cotações variam, portanto os valores em reais são aproximações.

O Que os Números Mostram

O ranking revela muito mais do que simples salários. Ele expõe as prioridades, contradições e a lógica — ou a falta dela — do mercado de técnicos de seleções.

Ancelotti e o investimento estratégico do Brasil. A CBF nunca pagou tanto a um técnico na história. O salário de Ancelotti supera o de qualquer outro técnico de seleção no mundo com uma margem expressiva. O recado é claro: a federação brasileira entende que, para voltar ao topo depois de 24 anos sem um título mundial, era necessário investir em nome, experiência e reputação internacional.

O paradoxo Scaloni. O campeão do mundo recebe menos do que todos os outros nove técnicos do ranking. O caso de Scaloni demonstra que salário e resultado são grandezas independentes no futebol de seleções. A AFA encontrou em Scaloni um profissional que construiu sua autoridade pelo que faz em campo, não pelo que cobra fora dele.

A surpresa Cannavaro. Ver o técnico do Uzbequistão entre os mais bem pagos do mundo choca à primeira vista. Mas faz sentido quando se entende o contexto: é a estreia histórica do país em uma Copa do Mundo, e a federação uzbeque investiu pesado para garantir um nome reconhecido globalmente — alguém capaz de inspirar respeito desde o momento da apresentação.

O mercado europeu dita o ritmo. Sete dos dez técnicos do ranking comandam seleções europeias ou trabalham com federações de países com forte poder econômico. O futebol de seleções, cada vez mais, replica a lógica financeira dos grandes clubes.

Salários crescentes. Para se ter uma referência histórica, o maior salário pago a um técnico de seleção na Copa de 2018 era inferior a 5 milhões de euros. Em 2026, o topo da lista já ultrapassou os 9,5 milhões. Em menos de uma década, o teto dobrou.

Perguntas Frequentes

Qual é o técnico mais bem pago da Copa do Mundo 2026? Carlo Ancelotti, técnico da Seleção Brasileira, com salário de 9,5 milhões de euros anuais (cerca de R$ 55,8 milhões).

Quanto Ancelotti ganha por mês? Dividindo o valor anual, Ancelotti recebe aproximadamente 791 mil euros por mês — o equivalente a cerca de R$ 4,6 milhões mensais.

O campeão mundial Scaloni é bem pago? Relativamente, não. Lionel Scaloni, atual campeão do mundo com a Argentina em 2022, ocupa o décimo lugar do ranking com salário de 2,3 milhões de euros anuais — quatro vezes menos do que Ancelotti.

Por que Cannavaro está entre os mais bem pagos se comanda o Uzbequistão? Porque a federação uzbeque investiu 4 milhões de euros anuais para contratar um nome de prestígio internacional para a estreia histórica do país em uma Copa do Mundo. Trata-se de um investimento de imagem e de experiência.

O salário de Ancelotti inclui bônus? Não neste ranking. Os 9,5 milhões de euros são o salário base fixo. Há ainda uma bonificação contratual de 5 milhões de euros caso o Brasil seja campeão do mundo.

Como foram obtidos esses dados? O levantamento foi publicado pelo jornal La Gazzetta dello Sport e complementado por dados do Salary Leaks e Finance Football. Os valores são estimativas baseadas em fontes próximas às federações, já que a maioria dos contratos não é pública.

Todos os técnicos da Copa estão neste ranking? Não. O ranking lista apenas os dez técnicos com maiores salários fixos entre as 48 seleções participantes. A maioria dos treinadores do torneio recebe valores muito abaixo dos apresentados aqui.

Fontes: La Gazzetta dello Sport, Salary Leaks, Finance Football. Valores convertidos para reais com base na cotação de junho de 2026 (€1 ≈ R$ 5,87). Os salários correspondem a valores fixos anuais e não incluem bônus por desempenho.

image 6

Leia Mais: