O Flamengo fechou 2025 movimentando mais de dois bilhões de reais em receita própria, um número que nenhum outro clube brasileiro jamais tinha alcançado antes. Para efeito de comparação, esse valor é maior do que o orçamento anual de vários times da elite europeia que disputam competições internacionais todos os anos. E o mais curioso é que essa não é nem a única forma de medir quem são os clubes mais ricos do Brasil.

Existem, na prática, dois rankings diferentes rodando ao mesmo tempo. Um mede quanto dinheiro entra no caixa do clube durante o ano — a chamada receita. O outro calcula quanto o clube “vale” hoje, somando patrimônio, marca, elenco e premiações garantidas — o chamado valuation, ou avaliação de mercado. E aqui já vai um detalhe que confunde muita gente: o time mais rico em receita não é sempre o time mais valioso no papel, e isso muda a leitura de quase tudo que se fala sobre dinheiro no futebol brasileiro.

Neste texto você vai encontrar o ranking atualizado com os números mais recentes disponíveis até junho de 2026, entender de onde vêm esses dados, por que Flamengo e Palmeiras dominam as duas listas e o que explica a ascensão de clubes como Botafogo, Bahia e Cruzeiro nos últimos dois anos. No fim, também respondo as perguntas que mais aparecem no Google sobre o assunto.

O Ranking dos Clubes Mais Ricos do Brasil em Receita (2025/2026)

O levantamento mais recente e mais citado no mercado é o da Sports Value, consultoria que analisa balanços contábeis publicados pelos próprios clubes desde 2003. A empresa cruzou mais de 50 demonstrações financeiras dos times com maior faturamento do país e chegou a um retrato bem claro de quem manda no bolso do futebol brasileiro.

PosiçãoClubeReceita em 2025
FlamengoR$ 2,089 bilhões
PalmeirasR$ 1,696 bilhão
BotafogoR$ 1,388 bilhão
São PauloR$ 1,085 bilhão
FluminenseR$ 1,02 bilhão

Esses cinco nomes formam o chamado “clube do bilhão”, grupo restrito de times que ultrapassaram a marca de um bilhão de reais em receita anual. Até pouco tempo atrás, só Flamengo e Palmeiras conseguiam esse feito. Hoje já são cinco, e a lista tende a crescer nos próximos balanços.

Juntos, os vinte clubes com maior faturamento do país somaram R$ 15 bilhões em 2025, um salto de 36% em relação aos R$ 11 bilhões movimentados em 2024. Parte desse crescimento veio de um fator específico: as receitas com transferências de jogadores, que passaram da marca de R$ 4 bilhões pela primeira vez na história do futebol nacional. O mercado de venda de atletas brasileiros para clubes europeus e do Oriente Médio nunca esteve tão aquecido, e isso aparece direto no caixa dos times.

Vale reforçar que crescer em receita não significa necessariamente lucrar. Os mesmos vinte clubes fecharam 2025 com déficit conjunto de R$ 1,1 bilhão, mesmo com os superávits generosos de Flamengo e Palmeiras ajudando a segurar a conta geral. As despesas com futebol saltaram de R$ 8,9 bilhões para R$ 11,6 bilhões em um único ano, crescimento de 30%. Na prática, os clubes estão faturando mais, mas também gastando muito mais rápido do que arrecadam.

Quem Mais Cresceu em Porcentagem

Nem só de gigante tradicional vive esse ranking. Alguns clubes menores tiveram saltos percentuais impressionantes de um ano para o outro:

  • Mirassol: crescimento de 203% na receita, puxado pela boa campanha no Brasileirão e pela estreia na Libertadores.
  • Ceará: alta de 143%, reflexo direto da valorização comercial e de patrocínio do clube.
  • Fortaleza: avanço de 135%, resultado de premiações em competições continentais.

Esses números mostram algo interessante: clubes de médio porte que investem em gestão profissional e conseguem classificação em torneios internacionais conseguem, em pouco tempo, encurtar a distância financeira para os gigantes tradicionais.

O Ranking de Valor de Mercado (Valuation)

Enquanto a receita mostra o que entrou no caixa em um ano específico, o valuation tenta responder outra pergunta: quanto vale o clube inteiro, hoje, se fosse “vendido” — considerando caixa, estádio, centro de treinamento, marca, elenco e receitas garantidas de competições.

A Sports Value também publica esse estudo, na sexta edição do levantamento “Valuation TOP 30 clubes do Brasil”. Veja o topo da lista:

PosiçãoClubeValor de mercado
FlamengoR$ 5,096 bilhões
PalmeirasR$ 4,395 bilhões
CorinthiansR$ 3,971 bilhões
Atlético-MGR$ 3,373 bilhões
São PauloR$ 3,244 bilhões
BotafogoR$ 3,047 bilhões
CruzeiroR$ 2,831 bilhões
InternacionalR$ 2,59 bilhões
Athletico-PRR$ 2,1 bilhões
10ºFluminenseR$ 2,085 bilhões

Repare que Corinthians e Atlético-MG aparecem bem posicionados aqui, mesmo sem figurar entre os líderes de receita anual. Isso acontece porque o valuation pesa muito o tamanho da torcida, a força da marca e o valor comercial acumulado ao longo de décadas, e não só o dinheiro que circulou nos últimos doze meses.

O Flamengo foi o primeiro clube brasileiro da história a ultrapassar a marca de cinco bilhões de reais em valor de mercado. Em 2024, a diferença para o Palmeiras era de R$ 923 milhões; em 2025, essa vantagem caiu para R$ 701 milhões, sinal de que o Verdão está fechando a conta rapidamente.

Outro salto que chama atenção é o do Botafogo, que passou de R$ 1,875 bilhão para R$ 3,047 bilhões em apenas um ano, turbinado pelos investimentos da gestão John Textor e pelas conquistas recentes do clube em campo. O Bahia, controlado pelo Grupo City, também deu um salto expressivo, saindo de R$ 875 milhões para R$ 1,783 bilhão no mesmo período.

Como Ficou o Valor Médio dos Clubes da Série A

O estudo aponta que o valor médio dos vinte times da primeira divisão em 2026 ficou em R$ 551,72 milhões, uma leve queda frente aos R$ 558,58 milhões da temporada anterior. Somando as vinte equipes, o Brasileirão soma cerca de R$ 11 bilhões em valor de mercado, o que segue fazendo da competição a liga mais valiosa da América do Sul — e uma das poucas do continente americano a ultrapassar a marca de um bilhão de euros, atrás apenas da MLS entre todas as ligas das Américas.

Onde o Brasil Está no Ranking Mundial

Um dado que costuma surpreender quem só acompanha o futebol nacional: apenas um clube brasileiro aparece entre os clubes mais ricos do planeta, segundo o relatório anual da consultoria Deloitte, publicado desde 1997 e considerado a referência global no assunto.

O Flamengo aparece na 29ª posição do ranking global, com receita estimada em 202,7 milhões de euros — cerca de R$ 1,26 bilhão na cotação usada pelo estudo. É a segunda vez seguida que o clube carioca entra nessa lista, algo inédito para o futebol brasileiro. Na ponta do levantamento está o Real Madrid, com receita de 1,1 bilhão de euros (algo perto de R$ 7,23 bilhões), líder pelo terceiro ano consecutivo.

Essa comparação ajuda a entender a real distância entre o topo do futebol brasileiro e o topo do futebol mundial. O Flamengo, disparado o clube mais rico do país, ainda fatura menos de um terço do que o Real Madrid movimenta sozinho. A metodologia da Deloitte considera apenas bilheteria, receita comercial e direitos de transmissão, sem contar venda de jogadores, o que torna a comparação bem mais justa entre os países.

Como Surgiu Esse Tipo de Ranking

Medir a saúde financeira dos clubes de futebol não é uma prática nova, mas ganhou força no Brasil só depois que o país passou a exigir mais transparência contábil das entidades esportivas. A Sports Value, principal referência nacional hoje, começou a publicar seus estudos em 2003, em um período em que a maioria dos clubes ainda tratava as próprias finanças como assunto reservado, quase um segredo de bastidor.

A virada veio com a lei que tornou obrigatória a publicação de balanços por parte dos clubes que recebem recursos públicos ou disputam competições organizadas pela CBF. A partir daí, consultorias especializadas passaram a cruzar esses dados oficiais e construir rankings anuais, algo parecido com o que já acontecia havia décadas na Europa através de relatórios como o da Deloitte, referência desde 1997.

No Brasil, o salto de qualidade nesses estudos aconteceu junto com a chegada das SAFs — as Sociedades Anônimas do Futebol, modelo que permite transformar um clube em empresa, com sócios investidores e gestão profissionalizada. Botafogo, Cruzeiro, Atlético-MG, Bahia e outros nomes que hoje aparecem no topo dos rankings de valor de mercado só chegaram lá depois de migrar para esse formato, atraindo capital que simplesmente não existia quando o clube era administrado como associação sem fins lucrativos.

Vale lembrar que existe uma diferença importante entre “clube rico” e “clube endividado”. Muitos times aparecem bem posicionados em receita ou em valor de mercado e, ao mesmo tempo, carregam dívidas bilionárias. O Corinthians, por exemplo, lidera hoje o ranking de débitos entre os grandes clubes brasileiros, com passivo estimado em US$ 445 milhões, seguido de perto pelo Atlético-MG, com US$ 416 milhões. Ou seja: estar entre os mais valiosos não significa necessariamente estar com as contas em dia.

O Que Pouca Gente Sabe Sobre os Clubes Mais Ricos do Brasil

Alguns detalhes desse universo financeiro passam batido até para quem acompanha futebol de perto.

O ranking muda de posição dependendo da metodologia usada. Um clube pode aparecer em terceiro lugar em receita e em sexto lugar em valor de mercado, porque os dois estudos consideram critérios diferentes. Quem só olha uma lista corre o risco de achar que existe um único “mais rico do Brasil”, quando na verdade existem várias respostas corretas, dependendo do que está sendo medido.

Times de menor torcida podem faturar mais em um único ano do que gigantes tradicionais. Isso acontece quando o clube tem uma campanha excepcional em competições continentais. O Mirassol é o melhor exemplo recente: saiu de uma receita de R$ 60 milhões na Série B, em 2024, para números que se aproximam dos R$ 100 milhões só em premiações no ano seguinte, depois da classificação à Libertadores.

As premiações de Mundial de Clubes mudaram completamente a disputa financeira em 2025. Fluminense, que historicamente não aparece entre os líderes de faturamento, arrecadou R$ 401,1 milhões só com premiações naquele ano, sendo mais de 80% desse valor vindo da campanha até a semifinal do torneio da Fifa. Foi um dos maiores saltos pontuais já registrados no futebol brasileiro.

O endividamento dos clubes brasileiros bateu recorde histórico junto com a receita. As dívidas somadas dos vinte principais clubes chegaram a R$ 16 bilhões em 2025, alta de 16% sobre o ano anterior. Crescer em faturamento, no caso do futebol brasileiro, quase sempre veio acompanhado de crescer em dívida também.

A distância entre o primeiro e o segundo colocado nos dois rankings está diminuindo. Tanto em receita quanto em valor de mercado, Palmeiras vem reduzindo a vantagem que o Flamengo abriu nos últimos anos. Isso mostra que a liderança rubro-negra, mesmo confortável hoje, não é garantida para sempre.

Por Que Esses Números Mudam Tanto de Um Ano Para Outro

Um erro comum é achar que esses rankings são fixos, quase como uma tabela histórica. Na prática, eles são recalculados todo ano — em alguns casos, até com atualizações parciais ao longo da própria temporada — porque dependem diretamente de fatores que variam constantemente: resultado esportivo, classificação para competições continentais, venda de jogadores, renovação de patrocínios e valorização (ou desvalorização) do elenco.

Um título de Libertadores, por exemplo, pode injetar centenas de milhões de reais só em premiação, além de valorizar a marca do clube perante patrocinadores. Foi exatamente o que aconteceu com o Flamengo em 2025: a conquista da taça elevou o total recebido em premiações para R$ 418,7 milhões, com R$ 177,2 milhões vindos só da Libertadores e R$ 147,7 milhões do Mundial de Clubes.

Por isso, acompanhar esse tipo de ranking funciona quase como acompanhar uma tabela de campeonato: a posição de hoje reflete o desempenho recente, e não necessariamente o tamanho histórico do clube. Corinthians e São Paulo, por exemplo, têm torcidas entre as maiores do país, mas hoje aparecem atrás de clubes com gestão mais recente e resultados esportivos mais consistentes nos últimos balanços.

Perguntas Frequentes

Qual é o clube mais rico do Brasil em 2026?

Depende do critério. Em receita anual, o Flamengo lidera com folga, tendo faturado R$ 2,089 bilhões em 2025. Em valor de mercado, o clube carioca também aparece em primeiro, avaliado em R$ 5,096 bilhões pelo estudo da Sports Value, o maior valuation já registrado por um clube brasileiro.

Qual a diferença entre receita e valor de mercado de um clube?

Receita é o dinheiro que entrou no caixa do clube durante um ano, somando bilheteria, patrocínio, transmissão, premiações e venda de jogadores. Valor de mercado é uma estimativa de quanto o clube “vale” como um todo, somando patrimônio físico, marca, elenco e receitas futuras garantidas.

Quais clubes brasileiros faturam mais de um bilhão de reais por ano?

Em 2025, cinco clubes ultrapassaram essa marca: Flamengo, Palmeiras, Botafogo, São Paulo e Fluminense. Até pouco tempo atrás, apenas Flamengo e Palmeiras conseguiam alcançar esse patamar de faturamento.

Por que o Corinthians aparece bem no valuation mas não lidera a receita?

O valuation considera fatores que vão além do dinheiro arrecadado em um único ano, como o valor histórico da marca, o tamanho da torcida e o patrimônio acumulado. O Corinthians tem uma das marcas mais fortes do país, o que sustenta sua posição no ranking de valor de mercado mesmo sem estar entre os líderes de faturamento anual.

O Brasil tem algum clube entre os mais ricos do mundo?

Sim, mas só um. O Flamengo aparece na 29ª posição do ranking global publicado pela Deloitte, com receita estimada em 202,7 milhões de euros. É o único representante brasileiro nessa lista, que é liderada pelo Real Madrid.

Ser um clube rico significa ter as finanças saudáveis?

Não necessariamente. Vários clubes bem posicionados nesses rankings também carregam dívidas bilionárias. O Corinthians, por exemplo, lidera o ranking de débitos entre os grandes clubes, com passivo de US$ 445 milhões, mesmo aparecendo entre os cinco mais valiosos do país.

Quais clubes mais cresceram financeiramente nos últimos dois anos?

Botafogo e Bahia tiveram os saltos mais expressivos em valor de mercado, impulsionados por investimentos externos — John Textor no caso do Botafogo e o Grupo City no caso do Bahia. Em crescimento percentual de receita, Mirassol, Ceará e Fortaleza lideraram o movimento, todos puxados por boas campanhas em competições nacionais e continentais.

Leia Mais: