Carlos Alcaraz faturou mais dinheiro em patrocínios do que em premiação de torneios no último ano — e a diferença nem foi pequena. Dos US$ 62,9 milhões que o espanhol acumulou em 2026, cerca de US$ 44 milhões vieram de contratos com marcas como Nike e Ant International, enquanto o valor conquistado dentro de quadra ficou bem atrás disso. É um sinal claro de como os maiores salários do tênis hoje dependem muito mais da imagem construída fora das quadras do que dos troféus levantados dentro delas.
O curioso é que essa lógica nem sempre existiu no esporte. Até 1968, o tênis profissional simplesmente não pagava prêmio nenhum aos melhores torneios do mundo, já que apenas amadores podiam disputar competições como Wimbledon e Roland Garros. Foi só com a chegada da chamada Era Aberta que o dinheiro começou a circular de verdade — e, décadas depois, transformou o esporte numa das modalidades individuais mais lucrativas do planeta.
Hoje, mesmo com Jannik Sinner dominando boa parte dos títulos de Grand Slam da temporada, é Alcaraz quem segue na liderança do ranking financeiro, puxado justamente pelo poder de atração comercial que construiu fora das quadras, mesmo em temporadas marcadas por lesões e ausências em torneios importantes.
Neste texto você vai encontrar o ranking completo de quem ganha mais no tênis mundial em 2026, entender como o sistema de premiação do esporte se transformou desde a criação da Era Aberta e descobrir curiosidades sobre os bastidores financeiros que movimentam o circuito profissional.
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Os Maiores Salários do Tênis em 2026
Esta é a lista atualizada dos tenistas mais bem pagos do mundo, somando premiação em quadra e receitas de patrocínio, segundo levantamento da Sportico:
- Carlos Alcaraz (Espanha) – US$ 62,9 milhões
- Jannik Sinner (Itália) – US$ 59 milhões
- Coco Gauff (Estados Unidos) – US$ 40,3 milhões
- Serena Williams (Estados Unidos) – US$ 40 milhões
- Aryna Sabalenka (Bielorrússia) – US$ 35,9 milhões
- Novak Djokovic (Sérvia) – US$ 25,6 milhões
- Zheng Qinwen (China) – US$ 24,6 milhões
- Iga Swiatek (Polônia) – US$ 22,8 milhões
- Alexander Zverev (Alemanha) – US$ 16,7 milhões
- Elena Rybakina (Cazaquistão) – US$ 16,3 milhões
Repare num detalhe curioso nessa lista: Serena Williams aparece na quarta posição mesmo aposentada das quadras desde 2022. Isso mostra o quanto o valor de marca construído ao longo de uma carreira vitoriosa continua rendendo dinheiro muito depois do último jogo oficial disputado, através de patrocínios de longo prazo, participações em negócios e presença constante em campanhas publicitárias globais.
Outro ponto que chama atenção: das dez posições da lista, quatro pertencem a mulheres, uma proporção rara comparada a outros esportes individuais de alto rendimento. O tênis segue sendo a única modalidade esportiva de elite onde homens e mulheres conseguem rendimentos relativamente próximos no topo do ranking, mesmo com diferenças ainda relevantes de premiação em torneios fora dos quatro Grand Slams.
Por que Alcaraz ganha mais que Sinner mesmo perdendo torneios importantes
Esse detalhe merece atenção especial porque explica bem a lógica comercial do esporte atual. Em 2026, Alcaraz precisou abrir mão de Roland Garros e Wimbledon por uma lesão no punho direito, dois torneios nos quais já havia sido campeão em edições anteriores. Ainda assim, seu valor de mercado praticamente não foi afetado, sustentado por parcerias consolidadas com marcas como Nike, Rolex, BMW, Louis Vuitton, Babolat e Calvin Klein.
Sinner, apesar de ter dominado boa parte do circuito na temporada, com seis Masters 1000 seguidos e o título do Australian Open, ainda está construindo seu portfólio comercial, com contratos relevantes junto a Nike, Gucci e Lavazza, mas ainda distante do nível de exposição publicitária que Alcaraz já alcançou. É um retrato claro de como, no tênis moderno, carisma e imagem pública pesam quase tanto quanto o resultado esportivo na hora de calcular o quanto um jogador realmente fatura.
Como Surgiu o Sistema de Premiação do Tênis
A história começa em 1968, com a criação da chamada Era Aberta. Até aquele momento, o tênis vivia dividido entre jogadores amadores, que disputavam os grandes torneios sem receber nenhum tipo de remuneração oficial, e jogadores profissionais, impedidos de participar das competições mais tradicionais do calendário, como Wimbledon, Roland Garros, o Australian Open e o US Open.
A primeira competição da nova era aconteceu em abril de 1968, na cidade britânica de Bournemouth, com o australiano Ken Rosewall faturando £ 1.000 pelo título conquistado. Meses depois, Wimbledon se tornou o primeiro Grand Slam a distribuir premiação oficial, com Rod Laver embolsando £ 2.000 pelo título masculino e Billie Jean King recebendo £ 750 pelo título feminino — uma diferença enorme entre os prêmios, que refletia a desigualdade salarial da época entre homens e mulheres no esporte.
Foi justamente essa disparidade que motivou uma das maiores batalhas históricas do tênis mundial. Billie Jean King liderou a pressão por igualdade de premiação, chegando a ameaçar boicotar torneios que não equiparassem os valores pagos a homens e mulheres. A pressão funcionou: em 1973, o US Open se tornou o primeiro Grand Slam da história a pagar exatamente o mesmo valor para os campeões de ambos os naipes, com John Newcombe e Margaret Court recebendo US$ 25 mil cada um pelo título daquele ano.
Naquele mesmo ano de 1973, Billie Jean King também protagonizou o histórico duelo apelidado de “Guerra dos Sexos”, enfrentando o ex-tenista Bobby Riggs, declaradamente machista, numa partida assistida por cerca de 90 milhões de pessoas ao redor do mundo. A vitória de King reforçou ainda mais o movimento por igualdade salarial que ela já vinha liderando dentro do circuito profissional.
A evolução dos salários até a era dos patrocínios milionários
Depois da criação da Era Aberta, o crescimento financeiro do tênis foi constante, mas ainda modesto perto dos padrões atuais. Foi só a partir dos anos 80 e 90, com o crescimento da cobertura de TV e o surgimento de astros globais como John McEnroe, Steffi Graf e depois Roger Federer, que o esporte começou a atrair contratos de patrocínio realmente robustos, capazes de multiplicar a renda dos maiores nomes do circuito muito além do valor pago em premiações de torneio.
Roger Federer se tornou um símbolo dessa transformação. Ele foi apenas o sétimo atleta da história, em qualquer esporte, a se tornar bilionário, um marco alcançado majoritariamente através de contratos publicitários de longo prazo, e não pelos prêmios conquistados dentro de quadra. Esse modelo de carreira, sustentado por imagem pública e parcerias comerciais duradouras, virou referência direta para a geração atual de Alcaraz, Sinner e companhia.
O Que Pouca Gente Sabe sobre os Salários do Tênis
Um detalhe que costuma escapar até de fãs mais atentos do esporte: nos primeiros anos da Era Aberta, o prêmio em dinheiro total distribuído no US Open somava apenas US$ 100 mil, dividido entre 96 homens e 63 mulheres inscritos naquela edição de 1968. Comparando com o prêmio atual do torneio, que já ultrapassou os US$ 57 milhões em edições recentes, o crescimento fica ainda mais evidente.
Outro dado pouco comentado: apesar da igualdade de premiação já ser regra nos quatro Grand Slams desde 2007, quando Wimbledon foi o último a aderir à prática, a disparidade ainda existe fora dessas quatro competições principais. Torneios de categorias intermediárias, como os eventos de nível 500 e 1000 do circuito, ainda pagam valores diferentes entre homens e mulheres em boa parte dos casos, o que fez a WTA anunciar um plano para equiparar essas premiações até o fim da próxima década.
Tem também uma curiosidade interessante sobre o Charleston Open, torneio disputado nos Estados Unidos: a organização se comprometeu a oferecer premiação idêntica entre homens e mulheres a partir de 2026, um movimento que reforça a pressão crescente dentro do circuito por igualdade financeira plena em todos os níveis da competição, não apenas nos torneios de maior visibilidade.
E, fechando com um dado que reforça o poder comercial dos tenistas atuais: somando apenas os dez nomes mais bem pagos do circuito em 2025, o valor total ultrapassou US$ 285 milhões em receitas acumuladas num único ano, um volume de dinheiro que coloca o tênis entre os esportes individuais mais lucrativos do mundo, atrás apenas de modalidades como golfe e boxe em determinados recortes específicos de faturamento.
Perguntas Frequentes sobre os Maiores Salários do Tênis
Quem é o tenista mais bem pago do mundo em 2026?
Carlos Alcaraz lidera o ranking, com US$ 62,9 milhões acumulados entre premiação de torneios e contratos de patrocínio. É o terceiro ano consecutivo em que o espanhol assume essa posição, mesmo tendo perdido Roland Garros e Wimbledon por uma lesão no punho durante a temporada.
Quanto Jannik Sinner ganha por ano?
Jannik Sinner acumula US$ 59 milhões em receitas anuais, ocupando a segunda posição do ranking de tenistas mais bem pagos. A maior parte desse valor vem de patrocínios com marcas como Nike, Gucci e Lavazza, além da premiação conquistada nos títulos do circuito.
Por que Serena Williams ainda aparece entre os tenistas mais bem pagos, mesmo aposentada?
Serena Williams mantém contratos de patrocínio de longo prazo firmados ao longo de sua carreira, que continuam gerando receita mesmo depois da aposentadoria das quadras, em 2022. Esse tipo de acordo comercial de longa duração é comum entre astros consolidados do esporte, garantindo renda contínua mesmo sem disputar torneios.
Quando o tênis começou a pagar premiação em dinheiro?
O tênis profissional começou a distribuir premiação oficial em 1968, com a criação da Era Aberta, que permitiu a jogadores profissionais disputarem os grandes torneios do calendário. Antes disso, competições como Wimbledon e Roland Garros eram restritas a jogadores amadores, sem remuneração oficial.
Qual foi o primeiro Grand Slam a pagar o mesmo prêmio para homens e mulheres?
O US Open foi o primeiro Grand Slam a igualar a premiação entre os naipes, em 1973, depois de forte pressão liderada pela tenista Billie Jean King. Os campeões daquele ano, John Newcombe e Margaret Court, receberam exatamente US$ 25 mil cada um pelo título conquistado.
Existe diferença salarial entre homens e mulheres no tênis atual?
Nos quatro Grand Slams, não existe mais diferença desde 2007, quando Wimbledon foi o último torneio principal a igualar a premiação. Fora dessas quatro competições, porém, ainda existem disparidades em torneios de categorias intermediárias, algo que a WTA pretende corrigir completamente até o fim da próxima década.
Quanto os dez tenistas mais bem pagos do mundo faturam juntos por ano?
Somando premiação e patrocínio, os dez nomes mais bem pagos do circuito acumularam mais de US$ 285 milhões em receitas no último levantamento anual completo, reforçando o tênis como um dos esportes individuais mais lucrativos do mundo atualmente.
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