Juan Soto vai receber, em média, US$ 51 milhões por ano até 2039 — e nem precisa fazer nada de extraordinário para isso. Basta continuar sendo o mesmo jogador de beisebol que já era antes de assinar. Foram US$ 765 milhões distribuídos ao longo de 15 temporadas com o New York Mets, um contrato tão grande que o próprio jornal americano que revelou o acordo precisou confirmar duas vezes se os números estavam corretos antes de publicar a notícia, em dezembro de 2024.
O que impressiona nesse tipo de contrato não é só o valor total, mas a duração. Soto vai jogar pelos Mets até os 41 anos de idade, uma aposta de longuíssimo prazo que só faz sentido dentro da lógica específica do beisebol americano, esporte historicamente conhecido por assinar os vínculos mais longos e mais caros de todo o esporte mundial.
O curioso é que essa comparação de “maior contrato” muda completamente dependendo do critério usado. Olhando para o valor total assinado, Soto lidera com folga. Mas olhando para o valor pago por ano de contrato, quem dispara na frente é Kylian Mbappé, que recebeu do PSG uma média de € 210 milhões anuais entre 2022 e 2025 — quase quatro vezes mais por temporada do que o próprio Soto ganha com os Mets.
Neste texto você vai encontrar os maiores contratos da história do esporte, entender como esse sistema de valores estratosféricos se desenvolveu ao longo das décadas, e descobrir curiosidades sobre os bastidores dessas negociações bilionárias.
Ranking dos Maiores Contratos da História do Esporte
Esta lista considera o valor total garantido em cada contrato, incluindo bônus de assinatura, mas sem contar patrocínios pessoais ou cláusulas de rescisão não confirmadas:
- Juan Soto (Beisebol, New York Mets) – US$ 765 milhões, por 15 anos, assinado em 2024
- Shohei Ohtani (Beisebol, Los Angeles Dodgers) – US$ 700 milhões, por 10 anos, assinado em 2023
- Kylian Mbappé (Futebol, PSG) – € 630 milhões (cerca de US$ 679 milhões), por 3 anos, assinado em 2022
- Lionel Messi (Futebol, Barcelona) – € 555 milhões (cerca de US$ 674 milhões), por 4 anos, assinado em 2017
- Vladimir Guerrero Jr. (Beisebol, Toronto Blue Jays) – US$ 500 milhões, por 14 anos, assinado em 2025
- Cristiano Ronaldo (Futebol, Al-Nassr) – US$ 500 milhões, por 2 anos e meio, assinado em 2023
- Patrick Mahomes (Futebol Americano, Kansas City Chiefs) – US$ 450 milhões, por 10 anos, assinado em 2020
- Karim Benzema (Futebol, Al-Ittihad) – US$ 430 milhões, por 2 anos, assinado em 2023
- Mike Trout (Beisebol, Los Angeles Angels) – US$ 426,5 milhões, por 12 anos, assinado em 2019
- Mookie Betts (Beisebol, Los Angeles Dodgers) – US$ 365 milhões, por 12 anos, assinado em 2021
Um detalhe importante sobre essa lista: ela reúne apenas atletas de esportes coletivos, contratados diretamente por uma equipe ou franquia. Nomes de esportes individuais, como tênis, golfe, boxe e MMA, não entram nesse tipo de comparação, já que esses atletas não têm vínculo empregatício com nenhum clube e ganham dinheiro principalmente através de premiação em eventos e patrocínios pessoais, um modelo financeiro completamente diferente.
Repare também que sete das dez posições dessa lista pertencem ao beisebol americano, a MLB. Isso não é coincidência: os esportes das ligas profissionais dos Estados Unidos costumam assinar contratos bem mais longos do que o futebol europeu, o que naturalmente empurra o valor total desses acordos para números maiores, mesmo quando o salário anual não é necessariamente o mais alto do esporte mundial.
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Por que Mbappé tem o maior salário anual, mesmo sem liderar a lista total
Esse detalhe merece atenção especial porque explica bem a diferença entre “maior contrato” e “maior salário”. O acordo de Mbappé com o PSG, assinado em 2022, somava € 72 milhões de salário fixo por temporada, mais um bônus de renovação de € 180 milhões pago em parcelas, além de bônus de fidelidade que podiam chegar a € 90 milhões adicionais, dependendo de quanto tempo o jogador permanecesse no clube.
Fazendo a conta simples, isso dava uma média de € 210 milhões por ano de contrato, um valor muito superior à média anual de qualquer outro nome dessa lista, incluindo Soto e Ohtani. A diferença está na duração: contratos mais curtos, como o de Mbappé, de apenas três anos, precisam concentrar valores altos num período menor para se tornarem atrativos o suficiente e reter o jogador, enquanto contratos de 10, 12 ou 15 anos, comuns no beisebol, diluem o valor total ao longo de muito mais temporadas.
Como Surgiu o Sistema de Contratos Milionários no Esporte
Até meados dos anos 70, o cenário financeiro do esporte profissional era bem diferente do atual. No beisebol americano, por exemplo, existia uma regra conhecida como “cláusula de reserva”, que praticamente prendia um jogador ao mesmo clube por toda a carreira, mesmo depois do fim do contrato original, impedindo qualquer tipo de negociação livre no mercado.
Essa regra só foi derrubada em 1975, depois de uma decisão de arbitragem envolvendo os jogadores Andy Messersmith e Dave McNally, que abriu caminho para o que ficou conhecido como “free agency”, o direito de um atleta negociar livremente com qualquer equipe depois de cumprir determinado tempo de contrato. Foi essa mudança estrutural que deu início à escalada de valores que, décadas depois, resultaria em contratos como os de Soto e Ohtani.
No futebol europeu, uma transformação parecida aconteceu duas décadas depois, com a chamada Lei Bosman, decisão da Justiça Europeia de 1995 que permitiu a jogadores com contrato vencido transferirem-se livremente entre clubes de países da União Europeia, sem necessidade de pagamento de indenização ao clube de origem. Essa mudança também impulsionou o poder de negociação salarial dos jogadores, abrindo caminho para contratos cada vez mais robustos nas décadas seguintes.
Por que o beisebol domina o ranking de maiores contratos
Vale entender esse detalhe, porque explica boa parte da composição atual da lista. A MLB não trabalha com teto salarial rígido como a NFL ou a NBA, o que permite que franquias com mais poder financeiro, como o New York Mets e o Los Angeles Dodgers, ofereçam contratos praticamente sem limite de valor para reter os astros mais valiosos da liga. Some isso à tradição do esporte de assinar vínculos extremamente longos, muitas vezes de dez anos ou mais, e fica fácil entender por que o beisebol domina tantas posições dessa lista, mesmo sendo um esporte com audiência global menor do que o futebol.
O Que Pouca Gente Sabe sobre os Maiores Contratos do Esporte
Um detalhe que costuma escapar até de fãs mais atentos: o contrato de Shohei Ohtani com os Dodgers, apesar de somar US$ 700 milhões no total, inclui uma estrutura de pagamento bem incomum. Cerca de US$ 680 milhões desse valor foram diferidos, ou seja, programados para serem pagos só entre 2034 e 2043, muito depois do fim do vínculo do jogador com o clube. Essa estratégia reduz drasticamente o impacto do contrato no teto salarial anual da MLB, permitindo aos Dodgers montar um elenco ainda mais forte ao redor de Ohtani durante os anos em que ele efetivamente joga pelo time.
Outro dado curioso: antes de Mbappé assinar seu contrato recorde, o boxeador Floyd Mayweather já detinha um acordo parecido em duração reduzida, fechando em 2013 um vínculo de apenas 30 meses e seis lutas com a rede de TV Showtime, um dos contratos mais curtos e mais valiosos, proporcionalmente, da história do esporte até aquele momento.
Tem também uma curiosidade sobre a negociação de Juan Soto: antes de fechar com os Mets, ele recusou uma proposta de 16 anos e US$ 760 milhões do próprio New York Yankees, time pelo qual havia acabado de disputar a temporada. A diferença entre as duas propostas era pequena em valor total, mas Soto preferiu o acordo dos Mets, que incluía cláusula de não-troca completa e possibilidade de rescisão antecipada depois de cinco temporadas, condições consideradas mais vantajosas pelo estafe do jogador.
E, fechando com um dado que reforça o crescimento acelerado desses valores: comparando o contrato de Alex Rodriguez com o Texas Rangers, em 2000, então recorde histórico do esporte avaliado em US$ 252 milhões por dez anos, com o acordo de Juan Soto, fechado 24 anos depois, o crescimento passa de 200%, mostrando como a inflação salarial do esporte profissional segue um ritmo bem mais acelerado do que a maioria dos outros setores da economia global.
Perguntas Frequentes sobre os Maiores Contratos da História do Esporte
Qual é o maior contrato da história do esporte?
O maior contrato pertence a Juan Soto, jogador de beisebol que assinou com o New York Mets em dezembro de 2024, por US$ 765 milhões ao longo de 15 temporadas. O valor pode chegar a US$ 805 milhões, dependendo de uma cláusula de rescisão prevista no acordo.
Qual é o maior contrato do futebol?
O maior contrato do futebol pertence a Kylian Mbappé, que renovou com o Paris Saint-Germain em 2022 por € 630 milhões, cerca de US$ 679 milhões, ao longo de três temporadas. O acordo supera o contrato assinado por Lionel Messi com o Barcelona, em 2017, avaliado em € 555 milhões.
Por que os contratos do beisebol são maiores que os do futebol?
A MLB não trabalha com teto salarial rígido, o que permite às franquias oferecerem contratos praticamente sem limite de valor. Some isso à tradição do beisebol de assinar vínculos extremamente longos, muitas vezes de dez a quinze anos, e fica fácil entender por que o esporte concentra boa parte dos maiores contratos totais da história esportiva mundial.
Quem tem o maior salário anual do esporte mundial?
Kylian Mbappé teve o maior salário anual entre os grandes contratos recentes, recebendo uma média de € 210 milhões por temporada durante seu vínculo com o PSG, entre 2022 e 2025. Esse valor supera a média anual de contratos maiores em valor total, como os de Juan Soto e Shohei Ohtani, justamente por ter duração bem mais curta.
Por que o contrato de Ohtani tem pagamentos diferidos para depois de 2034?
Essa estrutura foi criada para reduzir o impacto do contrato no teto salarial anual da MLB, já que apenas o valor não diferido conta oficialmente para esse cálculo durante os anos em que o jogador está ativo. Isso permitiu ao Los Angeles Dodgers montar um elenco mais forte ao redor de Ohtani sem comprometer todo o espaço salarial disponível da equipe.
Atletas de esportes individuais, como tênis e golfe, aparecem nesse ranking?
Não. A comparação de maiores contratos considera apenas atletas de esportes coletivos, empregados diretamente por uma equipe ou franquia. Jogadores de tênis, golfe, boxe e MMA não têm vínculo empregatício com clubes e ganham dinheiro principalmente através de premiação em eventos e patrocínios pessoais, um modelo financeiro diferente do usado nessa comparação.
Quando surgiu o sistema de contratos milionários no esporte?
O sistema começou a se desenvolver a partir de 1975, quando uma decisão de arbitragem derrubou a cláusula de reserva do beisebol americano, permitindo a negociação livre de jogadores pela primeira vez. No futebol europeu, uma mudança parecida aconteceu em 1995, com a Lei Bosman, abrindo caminho para o crescimento acelerado dos salários nas décadas seguintes.
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