A história de que Neymar foi palmeirense na infância não nasceu apenas de uma fotografia antiga que circula há anos nas redes sociais. O próprio jogador já confirmou publicamente que torcia pelo Palmeiras quando era criança — e há até uma entrevista gravada quando ele tinha 12 anos na qual responde diretamente qual era seu clube.

A relação voltou ao centro das atenções justamente nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, aniversário de 112 anos do Palmeiras. Neymar está relacionado pelo Santos para enfrentar o Verdão às 21h30, no Nubank Parque, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa do Brasil. A partida também deve marcar sua primeira atuação no gramado sintético do estádio palmeirense desde o retorno ao futebol brasileiro.

É um reencontro carregado de uma curiosidade que acompanha a carreira do camisa 10 há mais de uma década: afinal, Neymar é palmeirense?

A resposta mais precisa exige separar o time de infância da identificação construída posteriormente como jogador profissional.

Neymar já disse que era palmeirense quando criança. Também declarou, anos depois, que passou a se considerar santista por causa da ligação criada com o Santos, clube onde se formou, virou profissional e se tornou um dos maiores jogadores de sua geração.

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A foto de Neymar com a camisa do Palmeiras não é a única evidência

A imagem mais conhecida mostra Neymar ainda criança usando uma camisa do Palmeiras.

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O registro ganhou força na internet quando o atacante começou a se transformar em estrela do Santos e da Seleção Brasileira. A fotografia criou uma situação curiosa: o maior jogador revelado pelo Peixe em décadas aparecia vestindo justamente o uniforme de um dos grandes rivais paulistas.

Mas reduzir toda a história àquela foto seria um erro.

Em 2004, aos 12 anos, Neymar participou de uma entrevista destinada a um documentário. Questionado sobre o clube para o qual torcia, respondeu: “Palmeiras”. Perguntado se sempre havia sido palmeirense, respondeu novamente de forma afirmativa e relacionou a preferência à geração vencedora do clube, citando Evair e Rivaldo. A gravação só ganhou grande repercussão anos depois, quando foi exibida pelo Fantástico em 2013.

O detalhe é especialmente relevante porque a entrevista aconteceu quando Neymar ainda era criança e muito antes de a discussão sobre seu “time do coração” virar assunto recorrente na mídia.

Ou seja: a fotografia não criou a história de que Neymar era palmeirense. Há uma declaração do próprio jogador feita ainda na infância que confirma essa ligação.

Neymar depois admitiu publicamente: “Eu era palmeirense”

Já consagrado mundialmente, Neymar voltou ao assunto em 2017.

Durante participação no programa Lady Night, apresentado por Tatá Werneck, ele explicou que havia torcido pelo Palmeiras quando criança, mas que sua relação com o Santos mudou essa identificação.

Segundo Neymar, quando uma criança escolhe um clube existe uma relação de torcida; ao se tornar jogador profissional, porém, passa a criar vínculos com as equipes pelas quais trabalha. No caso dele, a ligação com o Santos foi especialmente profunda.

A explicação resolve uma aparente contradição que acompanhou o jogador durante anos.

Em 2010, por exemplo, Neymar havia afirmado no programa Altas Horas que era santista desde pequeno e minimizou a fotografia com a camisa palmeirense. Três anos depois, veio a público a gravação de 2004 na qual o próprio Neymar criança dizia que sempre havia sido palmeirense.

Em 2017, ele apresentou uma versão mais detalhada: Palmeiras na infância, Santos depois da formação da carreira profissional.

Evair, Marcos, Rivaldo e Alex: os ídolos palmeirenses citados por Neymar

A ligação não se limitava ao uniforme.

Em entrevista à TV Palmeiras em outubro de 2017, Neymar falou diretamente sobre a infância alviverde e explicou que seus ídolos ajudaram na escolha.

Ele citou Evair, Marcos, Rivaldo e Alex como jogadores nos quais se espelhava e relacionou esses nomes ao fato de ter se tornado palmeirense quando pequeno.

Os nomes ajudam a localizar a infância futebolística de Neymar.

Nascido em 5 de fevereiro de 1992, ele cresceu justamente durante um período em que o Palmeiras voltou a acumular grandes conquistas após um longo jejum.

Evair e Rivaldo foram protagonistas da década de 1990. Marcos se transformaria no goleiro mais identificado com o clube nas décadas seguintes. Alex, por sua vez, brilhou com a camisa alviverde no fim dos anos 1990 e início dos anos 2000.

Era exatamente o período em que Neymar começava a acompanhar futebol.

Edmundo revelou outro detalhe: Neymar dizia jogar com a camisa 7

Há ainda outro personagem nessa história: Edmundo.

O ex-atacante contou publicamente que encontrou Neymar em um camarote durante o Carnaval do Rio de Janeiro, quando o jovem astro ainda defendia o Santos.

Segundo o relato de Edmundo, Neymar pediu que ele não espalhasse a informação e revelou ser palmeirense. Acrescentou um detalhe: costumava jogar com a camisa 7, número eternizado pelo “Animal” em suas passagens pelo Palmeiras.

O episódio é um relato de Edmundo, e não um registro independente da conversa. Ainda assim, encaixa-se nas declarações públicas que Neymar daria posteriormente sobre sua identificação infantil com o clube.

Há outra história semelhante envolvendo um atacante daquela geração.

Paulo Nunes contou que, quando jogava pelo Palmeiras, Neymar Pai pediu uma camisa para o filho, então ainda criança e torcedor do clube.

Somados, os episódios ajudam a mostrar que a ligação alviverde não se resume a uma foto isolada.

Neymar chegou a vestir novamente uma camisa do Palmeiras já como astro

A história ganhou um capítulo particularmente curioso em 2017.

Durante período com a Seleção Brasileira em São Paulo, Neymar apareceu em fotografias usando uma camisa do Palmeiras por baixo do uniforme da Seleção.

A situação ficou ainda mais inusitada porque uma das imagens foi registrada durante atividades no centro de treinamento do São Paulo, outro rival alviverde. A gola verde e parte do patrocínio da camisa permitiram identificar o uniforme palmeirense.

Na mesma passagem, Neymar visitou a Academia de Futebol do Palmeiras.

Foi então questionado pela TV do clube sobre a possibilidade de um dia vestir profissionalmente a camisa alviverde.

Sua resposta não fechou a porta: disse que ninguém sabia o futuro e que seria “um grande prazer” jogar pelo Palmeiras.

Quase nove anos depois daquela declaração, isso nunca aconteceu.

Então Neymar é palmeirense ou santista?

A formulação mais fiel às próprias declarações de Neymar é: ele foi torcedor do Palmeiras na infância e posteriormente passou a se identificar como santista.

Não é necessário escolher uma das versões e considerar a outra falsa.

Neymar entrou nas categorias de base do Santos ainda muito jovem. No clube, construiu praticamente toda sua formação, estreou profissionalmente em 2009 e virou protagonista de uma geração campeã da Libertadores de 2011.

Quando explicou a mudança de torcida em 2017, o próprio atacante relacionou o processo à carreira: disse que teve um carinho muito grande pelo Santos e que, por isso, acabou virando santista.

É diferente, portanto, afirmar que Neymar “é palmeirense” atualmente e dizer que Neymar “era palmeirense na infância”.

A segunda afirmação é sustentada por declarações públicas do próprio jogador.

Contra o Palmeiras, a torcida de infância nunca significou facilidade em campo

Se existia identificação fora das quatro linhas, dentro delas Neymar tratou o Palmeiras como adversário.

Em levantamento publicado pela CNN Brasil antes de um clássico em 2025, o atacante acumulava 12 partidas, sete gols e quatro assistências contra o Verdão entre 2009 e 2013.

Foram 11 participações diretas em gols nesses 12 confrontos.

O desempenho coletivo, porém, era menos favorável: quatro vitórias, três empates e cinco derrotas naquele recorte.

Entre os jogos mais marcantes está o espetacular Santos 3 x 4 Palmeiras pelo Campeonato Paulista de 2010, quando Neymar marcou, mas viu o time alviverde vencer uma partida de sete gols.

Em agosto de 2012, fez os dois gols da vitória santista por 2 a 1 pelo Brasileiro. Meses depois, voltou a marcar duas vezes no 3 a 1 do Santos.

A infância palmeirense, portanto, produziu uma ironia estatística: Neymar acabou se tornando também um adversário perigoso do clube para o qual torcia quando menino.

Agora Neymar reencontra o Palmeiras justamente nos 112 anos do clube

O próximo capítulo ocorre em uma data difícil de ignorar.

Nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, o Palmeiras completa 112 anos. E o adversário da noite é justamente o Santos de Neymar.

O camisa 10 foi relacionado para a partida das quartas de final da Copa do Brasil e deve encarar pela primeira vez o piso sintético do atual Nubank Parque, apesar das críticas públicas que tem feito a esse tipo de gramado desde seu retorno ao Brasil.

Mais de duas décadas separam aquele menino que respondeu “Palmeiras” ao ser questionado sobre seu time e o Neymar que agora volta ao estádio alviverde como principal estrela do rival.

A foto antiga explica parte da história. As próprias palavras do jogador explicam melhor.

Neymar torceu pelo Palmeiras, acompanhou uma geração vencedora, admirou alguns de seus maiores ídolos e chegou a dizer que teria prazer em jogar pelo clube. Mas foi no Santos que transformou uma relação profissional iniciada ainda menino em identificação afetiva.

Nesta quarta, passado e presente voltam a se encontrar — só que, mais uma vez, Neymar estará do outro lado.

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