Ayrton Senna continua sendo, em 2026, o maior vencedor da história do GP de Mônaco de Fórmula 1.
O brasileiro conquistou seis vitórias nas ruas de Monte Carlo, uma a mais que Graham Hill e Michael Schumacher, ambos com cinco. Alain Prost aparece em seguida, com quatro.
A marca de Senna permanece intocada mais de três décadas depois de sua última vitória no Principado, em 1993. E há um detalhe que torna o recorde ainda mais impressionante: ele disputou apenas dez GPs de Mônaco e venceu seis deles.
O ranking não mudou após a edição de 2026. Kimi Antonelli venceu pela primeira vez em Mônaco, com a Mercedes, e portanto ainda está distante dos pilotos que dominaram o circuito em diferentes eras.
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Os maiores vencedores do GP de Mônaco
Considerando apenas as provas válidas pelo Mundial de Fórmula 1, o topo histórico é este:
| Piloto | Vitórias em Mônaco |
|---|---|
| Ayrton Senna | 6 |
| Graham Hill | 5 |
| Michael Schumacher | 5 |
| Alain Prost | 4 |
| Stirling Moss | 3 |
| Jackie Stewart | 3 |
| Nico Rosberg | 3 |
| Lewis Hamilton | 3 |
A Fórmula 1 ainda registra um grupo de bicampeões de Mônaco que inclui Juan Manuel Fangio, Maurice Trintignant, Niki Lauda, Jody Scheckter, David Coulthard, Fernando Alonso e Mark Webber.
O interessante é que o líder não construiu a vantagem acumulando vitórias espaçadas por uma carreira longa.
Senna praticamente transformou uma década de Mônaco em território próprio.
Senna venceu cinco GPs de Mônaco seguidos
As seis vitórias de Ayrton Senna aconteceram em:
1987, 1989, 1990, 1991, 1992 e 1993.
A sequência final é extraordinária: cinco vitórias consecutivas, de 1989 a 1993.
Nenhum outro piloto conseguiu algo semelhante em Mônaco.
A primeira veio em 1987, ainda pela Lotus. As cinco seguintes foram conquistadas pela McLaren.
E poderia ter sido ainda mais.
Em 1988, Senna fez uma das classificações mais famosas da história da Fórmula 1. Ele colocou a McLaren na pole com uma vantagem de cerca de 1,2 segundo sobre Alain Prost, seu companheiro de equipe.
Durante a corrida, também abriu enorme distância.
Mas bateu sozinho na região de Portier enquanto liderava com quase um minuto de vantagem. Prost venceu. Se Senna tivesse completado aquela prova, teria a possibilidade de construir sete vitórias consecutivas entre 1987 e 1993.
É uma das ironias mais famosas de seu domínio no circuito: a corrida em que talvez tenha sido mais rápido foi justamente uma das que não venceu.
A história de Senna com Mônaco começou antes da primeira vitória
A relação do brasileiro com o circuito ganhou dimensão já em 1984, em sua temporada de estreia na Fórmula 1.
Senna conduzia a modesta Toleman sob chuva intensa e avançou sobre os líderes.
Partindo do 13º lugar, chegou à segunda posição e se aproximava rapidamente de Alain Prost quando a direção de prova interrompeu a corrida após 31 voltas devido às condições climáticas.
Prost ficou com a vitória; Senna terminou em segundo, a apenas 7,446 segundos no resultado oficial. Como a prova não atingiu a distância necessária, foram distribuídos apenas metade dos pontos.
Aquela apresentação ajudou a transformar Senna de jovem promissor em um nome observado por toda a Fórmula 1.
Três anos depois, ele finalmente venceu no Principado.
A vitória de 1992 talvez tenha sido a mais improvável
Senna não precisava ser o piloto mais rápido para vencer Mônaco.
A edição de 1992 talvez seja a melhor demonstração disso.
Nigel Mansell dominava aquela temporada com a Williams FW14B e havia vencido as cinco primeiras corridas do campeonato. Em Mônaco, liderou durante 71 voltas.
Então precisou parar nos boxes após um problema em um pneu.
Senna assumiu a primeira posição.
Mansell voltou à pista com um carro muito mais rápido e pneus novos. Nas voltas finais, chegou à traseira da McLaren, mas ultrapassar em Mônaco era outra história.
Senna utilizou cada centímetro disponível do estreito circuito e resistiu até a bandeirada.
Com aquela vitória, igualou as cinco conquistas de Graham Hill. No ano seguinte, venceu novamente e passou a liderar sozinho o ranking.
O recorde nasceu em 23 de maio de 1993.
Senna ganhou de Damon Hill por mais de 52 segundos e conquistou sua sexta e última vitória no Principado.
Graham Hill era “Mr. Monaco” antes de Senna
Décadas antes de Senna receber o apelido de “Rei de Mônaco”, Graham Hill era tão associado ao circuito que ficou conhecido como “Mr. Monaco”.
O britânico venceu cinco vezes:
1963, 1964, 1965, 1968 e 1969.
Foram cinco vitórias em sete edições.
Seu domínio foi particularmente forte entre 1963 e 1965, quando conquistou três GPs consecutivos.
A corrida de 1965 virou uma das mais celebradas de sua carreira.
Hill liderava, mas errou ao tentar ultrapassar um retardatário e entrou por uma área de escape. Precisou sair do carro e empurrá-lo para recolocá-lo em posição.
Perdeu várias colocações.
Depois iniciou uma recuperação e terminou vencedor.
A quinta vitória, em 1969, aconteceu quando Hill já tinha 40 anos. Ela também seria a última vitória de sua carreira na Fórmula 1.
Seu recorde de cinco triunfos permaneceu sozinho até Senna igualá-lo em 1992.
Michael Schumacher chegou a cinco, mas nunca alcançou Senna
Michael Schumacher é o outro piloto com cinco vitórias em Mônaco.
O alemão venceu em:
1994, 1995, 1997, 1999 e 2001.
A primeira delas aconteceu em circunstâncias históricas.
O GP de Mônaco de 1994 foi a primeira corrida da Fórmula 1 após as mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger em Ímola.
Schumacher, então na Benetton, venceu a prova.
Depois acrescentou outras quatro vitórias e chegou à mesma marca de Graham Hill.
Mas nunca alcançou as seis de Senna, apesar de permanecer na Fórmula 1 até 2012.
Isso ajuda a dimensionar o recorde brasileiro: Schumacher terminou sua carreira com 91 vitórias na F1, mais do que o dobro das 41 de Senna, mas ganhou uma vez menos em Mônaco.
Alain Prost tem quatro — e uma delas veio justamente no erro de Senna
Alain Prost ocupa sozinho a posição seguinte, com quatro vitórias.
O francês ganhou em:
1984, 1985, 1986 e 1988.
Três das quatro vieram consecutivamente.
A de 1984 é uma das provas mais controversas da história do circuito por causa da interrupção sob chuva enquanto Senna se aproximava rapidamente.
A de 1988 também ficou diretamente ligada ao brasileiro: Prost herdou a liderança após a batida de Senna em Portier.
Assim, duas das quatro vitórias de Prost fazem parte diretamente da própria construção da lenda de Senna em Monte Carlo.
Lewis Hamilton e Nico Rosberg chegaram a três vitórias
Entre pilotos mais recentes, dois campeões chegaram a três triunfos.
Nico Rosberg venceu em 2013, 2014 e 2015, três vezes consecutivas.
Lewis Hamilton ganhou em 2008, 2016 e 2019.
Hamilton tem mais de 100 vitórias na Fórmula 1, recorde absoluto da categoria, mas mesmo ele não passou da metade das seis conquistadas por Senna em Mônaco.
Esse contraste é um dos motivos pelos quais o recorde brasileiro resiste.
Não basta ter um carro dominante ou uma longa carreira. Mônaco exige uma combinação incomum de classificação, precisão, estratégia e ausência de erros.
Por que vencer em Mônaco é tão diferente
O Circuito de Mônaco tem apenas 3,337 km e é disputado em ruas estreitas de Monte Carlo.
Há barreiras muito próximas, mudanças de elevação, curvas lentas e pouco espaço para corrigir um erro. A própria Fórmula 1 descreve o traçado como excepcionalmente estreito, com os pilotos passando a centímetros das proteções.
Ultrapassar também é particularmente difícil.
Por isso, a classificação costuma ter peso enorme. Uma volta perfeita no sábado pode valer quase tanto quanto ritmo de corrida no domingo.
Senna também lidera outra estatística histórica de Mônaco: cinco poles, segundo os dados oficiais da Fórmula 1.
Não é coincidência.
Sua capacidade de encontrar tempo entre os muros era justamente uma de suas características mais reconhecidas.
O GP de Mônaco é mais antigo que a própria Fórmula 1
Outro detalhe ajuda a explicar o prestígio da corrida.
O primeiro GP de Mônaco aconteceu em 1929, organizado a partir do Automobile Club de Monaco.
Quando o Campeonato Mundial de Fórmula 1 foi criado, em 1950, Mônaco já estava no calendário inaugural. Desde 1955, tornou-se presença praticamente permanente da categoria.
A prova passou por diferentes gerações de carros, motores e regras sem abandonar as ruas que formaram sua identidade.
Isso torna possível colocar lado a lado nomes como Fangio, Graham Hill, Senna, Schumacher e Hamilton.
Pouquíssimos circuitos oferecem uma linha histórica semelhante.
Antonelli venceu em 2026, mas o recorde de Senna segue distante
O vencedor mais recente acrescentado à lista foi Kimi Antonelli.
Em 7 de junho de 2026, o italiano largou da pole e venceu as 78 voltas pela Mercedes, à frente de Lewis Hamilton. Foi seu primeiro triunfo em Mônaco.
Portanto, após a edição de 2026, o topo continua exatamente onde estava:
Senna, 6.
Graham Hill e Schumacher, 5.
Prost, 4.
E é a distância no tempo que torna a marca ainda mais significativa.
Senna não vence em Mônaco desde 1993. Mais de três décadas e várias gerações de campeões passaram pela Fórmula 1 desde então.
Nenhuma conseguiu igualá-lo.
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