Uma rivalidade do UFC pode nascer de uma disputa por cinturão, de uma provocação em entrevista ou de anos competindo pelo mesmo espaço. Em alguns casos, termina quando a luta acaba.
Conor McGregor x Khabib Nurmagomedov não terminou.
Em 6 de outubro de 2018, Khabib finalizou McGregor no quarto round do UFC 229, levantou-se e, segundos depois, saltou a grade do octógono em direção à equipe do irlandês. Integrantes dos dois lados se envolveram em uma confusão dentro e fora da área de luta.
O episódio foi o desfecho caótico da rivalidade comercialmente mais gigantesca que a organização já havia produzido.
O UFC 229 registrou 20.034 espectadores e US$ 17,19 milhões em bilheteria, recordes da organização em Las Vegas naquele momento. O evento também é amplamente creditado com aproximadamente 2,4 milhões de vendas de pay-per-view, maior número da história do UFC no modelo tradicional.
Mas tamanho comercial não é o único critério.
Jon Jones e Daniel Cormier protagonizaram uma rivalidade tão pessoal que o próprio UFC já a descreveu como possivelmente a mais acirrada de sua história. Chuck Liddell e Tito Ortiz ajudaram a construir o negócio quando MMA ainda lutava por espaço no mercado americano. Anderson Silva e Chael Sonnen produziram uma das maiores reviravoltas dentro do octógono.
E Deiveson Figueiredo e Brandon Moreno fizeram algo que nenhuma dupla havia feito antes no UFC: disputaram quatro lutas entre si, todas valendo cinturão.
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Quais foram as maiores rivalidades da história do UFC?
Não existe ranking oficial definitivo. “Maior” pode significar audiência, qualidade das lutas, importância histórica, equilíbrio esportivo ou simplesmente nível de animosidade.
Considerando esses fatores em conjunto, um grupo se destaca:
| Rivalidade | Lutas no UFC* | Placar | O que a tornou histórica |
|---|---|---|---|
| Khabib x McGregor | 1 | Khabib 1–0 | Maior PPV da era tradicional |
| Jon Jones x Daniel Cormier | 2 | Jones 1–0, 1 NC | Ódio pessoal e cinturão |
| McGregor x Nate Diaz | 2 | 1–1 | Duas superlutas e revanche ainda aberta |
| Anderson Silva x Chael Sonnen | 2 | Anderson 2–0 | Virada histórica e enorme provocação |
| Chuck Liddell x Tito Ortiz | 2 | Liddell 2–0 | Fundamental para a ascensão do UFC |
| Tito Ortiz x Ken Shamrock | 3 | Ortiz 3–0 | Uma das primeiras grandes rivalidades comerciais |
| Ronda Rousey x Miesha Tate | 1 | Rousey 1–0 | Rivalidade central na expansão do MMA feminino |
| Figueiredo x Brandon Moreno | 4 | Moreno 2–1–1 | Primeira série de quatro lutas do UFC |
| Frankie Edgar x Gray Maynard | 3 | Edgar 1–1–1 | Duas batalhas memoráveis pelo cinturão |
| Cain Velasquez x Junior Cigano | 3 | Velasquez 2–1 | Trilogia pelo peso-pesado |
*Algumas rivalidades também tiveram confrontos fora do UFC. Rousey x Tate começou no Strikeforce, por exemplo; Liddell e Ortiz ainda fizeram uma terceira luta posteriormente fora da organização.
O ponto mais interessante é que uma rivalidade não precisa ser equilibrada no placar para entrar para a história.
Khabib e McGregor lutaram apenas uma vez.
Ainda assim, poucos confrontos tiveram impacto semelhante.
Khabib x McGregor virou a maior luta comercial da história do UFC
A origem do confronto ultrapassou a provocação esportiva.
A tensão entre os grupos de Khabib e McGregor aumentou durante 2018. Antes do UFC 223, McGregor e integrantes de sua equipe atacaram um ônibus que transportava lutadores do evento, incluindo Nurmagomedov.
Meses depois, o UFC transformou o conflito na luta principal do UFC 229.
Khabib era o campeão dos leves.
McGregor retornava ao MMA depois de quase dois anos sem lutar no octógono e de sua milionária luta de boxe contra Floyd Mayweather.
O resultado comercial foi gigantesco.
O Guinness registra aproximadamente 2,4 milhões de compras de pay-per-view para o UFC 229. O recorde anterior era de cerca de 1,65 milhão, justamente no UFC 202, cuja atração principal havia sido McGregor x Nate Diaz 2.
Isso representa um salto de aproximadamente 45% sobre a antiga marca.
Khabib dominou a luta — e depois saltou a grade
Dentro do octógono, Nurmagomedov controlou boa parte do combate.
Quando conseguiu a finalização aos 3min03s do quarto round, liderava por 29 a 27 nos cartões dos três juízes.
Então veio a cena que transformou o evento.
Khabib discutiu com a equipe adversária e saltou sobre a grade em direção a Dillon Danis, integrante do corner de McGregor. Simultaneamente, outros envolvidos entraram no octógono e houve agressões.
O cinturão nem sequer foi colocado em Khabib dentro da arena.
O resultado esportivo havia sido claro.
A rivalidade, não.
O UFC posteriormente afirmou que o evento produziu US$ 86,4 milhões de impacto econômico para a região metropolitana de Las Vegas, o maior impacto que a organização havia medido para um único evento até então.
Uma única luta transformou hostilidade pessoal em recordes comerciais.
Jones x Cormier começou com antipatia e virou briga em evento promocional
Se Khabib x McGregor foi a maior comercialmente, Jon Jones x Daniel Cormier possui um argumento forte para ser a mais pessoal.
O próprio UFC descreveu o confronto como uma das rivalidades mais acirradas da organização e, em outra publicação, como possivelmente a mais intensa de sua história.
A relação começou mal antes mesmo de eles lutarem.
Cormier dizia ter sido desrespeitado por Jones em um encontro anterior.
Quando passaram a disputar o mesmo espaço entre os meio-pesados, a tensão explodiu.
Em 2014, durante um evento promocional em Las Vegas, os dois se envolveram em uma confusão física durante o encaramento.
E nem era a luta.
Jones venceu Cormier, perdeu o cinturão fora do octógono e o rival virou campeão
O primeiro combate aconteceu no UFC 182, em janeiro de 2015.
Jones venceu por decisão unânime após cinco rounds. Foi também o primeiro lutador de MMA a derrubar Cormier, ex-wrestler olímpico, segundo o UFC.
A história deveria seguir com uma revanche.
Mas a carreira de Jones entrou em turbulência fora do octógono. Ele perdeu o cinturão, e Cormier posteriormente derrotou Anthony Johnson para conquistar o título vago.
Isso criou uma situação perfeita para a rivalidade:
Cormier era campeão, mas ainda havia perdido para Jones.
A revanche foi marcada para o UFC 200 e cancelada depois de um problema de Jones com exame antidoping.
Finalmente aconteceu no UFC 214, em 2017.
Jones venceu por nocaute no terceiro round.
Mas o resultado seria posteriormente transformado em no contest após seu teste antidoping positivo.
Por isso, o registro oficial da série dentro do UFC ficou peculiar: uma vitória oficial de Jones e um combate sem resultado.
A rivalidade nunca recebeu uma terceira luta.
Anderson Silva x Sonnen quase produziu uma das maiores zebras da história
Chael Sonnen descobriu uma maneira diferente de transformar uma disputa por cinturão em fenômeno.
Falou.
Muito.
Provocou Anderson Silva, sua equipe e o Brasil durante a promoção dos confrontos.
Mas a rivalidade não teria se tornado histórica se Sonnen não tivesse sustentado parte das provocações dentro do octógono.
No UFC 117, em agosto de 2010, aconteceu o impensável.
Sonnen derrubou Anderson e controlou grande parte do campeão durante quase cinco rounds.
Dados divulgados pelo UFC antes da revanche mostravam 320 golpes conectados por Sonnen, 252 a mais que Anderson, além de aproximadamente 20 minutos de controle com o brasileiro de costas no chão.
Faltavam menos de dois minutos.
Sonnen estava próximo de acabar com uma das maiores sequências de domínio da história do UFC.
Então Anderson encaixou um triângulo.
Finalização.
Anderson ganhou de novo, mas a revanche virou um evento muito maior
O primeiro combate resolveu o resultado.
Não resolveu a história.
Sonnen passou quase dois anos alimentando a revanche.
Quando eles voltaram a se enfrentar no UFC 148, em julho de 2012, a atmosfera era completamente diferente.
Desta vez, Sonnen venceu o primeiro round, mas cometeu um erro no segundo. Anderson aproveitou e venceu por nocaute técnico aos 1min55s da parcial.
Placar final:
Anderson Silva 2 x 0 Chael Sonnen.
Parece unilateral.
Não foi.
Durante quase cinco rounds do primeiro confronto, Sonnen mostrou uma vulnerabilidade de Anderson que ninguém havia conseguido explorar daquela maneira.
A combinação entre isso e suas provocações transformou a revanche em uma das lutas mais aguardadas da era de ouro do brasileiro.
McGregor x Nate Diaz nasceu porque outro adversário se machucou
Uma das maiores rivalidades do UFC quase não existiu.
McGregor deveria enfrentar Rafael dos Anjos pelo cinturão dos leves no UFC 196, em março de 2016.
Dos Anjos se lesionou.
Nate Diaz aceitou entrar como substituto com pouco tempo de preparação.
A luta foi realizada no meio-médio, muito acima da categoria em que McGregor havia acabado de conquistar o cinturão.
O resultado virou uma das grandes surpresas da década.
Diaz resistiu aos ataques iniciais, machucou McGregor e o finalizou com um mata-leão no segundo round.
Era a primeira derrota do irlandês no UFC.
E imediatamente nasceu a revanche.
A segunda luta virou o antigo recorde de PPV do UFC
Cinco meses depois, McGregor e Diaz se enfrentaram novamente no UFC 202.
Desta vez foram cinco rounds.
McGregor venceu por decisão majoritária.
O placar da rivalidade ficou 1 a 1.
Mas o número que colocou o confronto definitivamente na história veio fora do octógono.
O UFC 202 vendeu aproximadamente 1,65 milhão de pay-per-views, segundo o registro do Guinness. Naquele momento, foi uma das maiores marcas já alcançadas pela organização.
Dois anos depois, o próprio McGregor quebraria esse recorde contra Khabib.
O UFC voltou a tratar McGregor x Diaz como uma de suas rivalidades icônicas em 2025, observando que os dois combates nasceram de uma combinação improvável de provocação pública e substituição de última hora.
O detalhe que mantém a história aberta é simples:
eles nunca fizeram a terceira luta.
McGregor x Aldo durou 13 segundos, mas a rivalidade levou quase um ano
José Aldo e Conor McGregor demonstram que duração da luta e tamanho da rivalidade podem ter pouquíssima relação.
A promoção do confronto atravessou países.
O UFC organizou uma turnê mundial com os dois, e McGregor passou meses provocando o brasileiro.
A primeira data, no UFC 189, caiu após uma lesão de Aldo.
A luta finalmente aconteceu no UFC 194, em dezembro de 2015.
Aldo não perdia uma luta profissional havia quase uma década.
Tinha realizado seis defesas do cinturão do UFC depois de chegar à organização como campeão do WEC.
Então o relógio começou.
Treze segundos depois, acabou.
McGregor acertou um contra-ataque de esquerda e nocauteou Aldo, estabelecendo o nocaute mais rápido de uma disputa de cinturão da história do UFC, marca que permanece como referência da organização.
A revanche nunca aconteceu.
Isso tornou a rivalidade ainda mais peculiar: uma das construções promocionais mais longas da história terminou em uma das lutas mais curtas.
Liddell x Ortiz ajudou o UFC antes de McGregor existir
Para entender a importância de Chuck Liddell x Tito Ortiz, é preciso esquecer por um momento o UFC bilionário e global.
No começo dos anos 2000, a organização ainda lutava para consolidar seu espaço no mercado americano.
Ortiz era campeão dos meio-pesados e uma das maiores estrelas.
Liddell era seu antigo parceiro de treinos e crescia como desafiante.
Ortiz dizia que não queria enfrentá-lo por causa da relação entre eles.
Liddell entendia de outra forma e acusava o campeão de evitá-lo.
A tensão se arrastou até o UFC 47, em abril de 2004.
Liddell venceu por nocaute técnico no segundo round. O próprio UFC posteriormente descreveu aquela luta como um dos confrontos mais aguardados de sua época e um importante sucesso de pay-per-view.
A revanche aconteceu no UFC 66, em 2006.
Liddell venceu novamente.
A terceira luta aconteceu 12 anos depois — mas não no UFC
A rivalidade foi tão duradoura que os dois voltaram a se enfrentar em 2018.
Só que a luta não fazia parte do UFC.
Ortiz finalmente venceu Liddell, por nocaute.
Por isso, existem dois placares possíveis:
No UFC: Liddell 2 x 0 Ortiz.
No MMA profissional: Liddell 2 x 1 Ortiz.
Essa distinção é necessária em uma lista sobre rivalidades do UFC.
A organização chegou a colocar novamente os dois como treinadores de uma temporada do The Ultimate Fighter em 2010 e promovia o reencontro como continuação de uma das maiores disputas de sua história.
Poucas rivalidades atravessaram tantas fases diferentes do MMA.
Tito Ortiz x Ken Shamrock mostrou que rivalidade vendia antes da explosão do UFC
Tito protagonizou outra disputa ainda mais importante comercialmente nos primeiros anos.
Tudo começou antes de Ortiz enfrentar Ken Shamrock.
Depois de derrotar integrantes da equipe Lion’s Den, liderada por Shamrock, Tito provocava adversários e o próprio grupo.
Quando finalmente se enfrentaram no UFC 40, em 2002, a rivalidade já estava pronta.
O evento estabeleceu novos patamares de pay-per-view e bilheteria para a organização naquele momento, segundo retrospectiva oficial do UFC.
Ortiz venceu.
Depois venceu novamente no UFC 61.
E outra vez no evento chamado The Final Chapter.
Placar:
Tito Ortiz 3 x 0 Ken Shamrock.
Novamente, competitividade não explica a importância.
Shamrock nunca derrotou Ortiz.
Mas a rivalidade ajudou a demonstrar algo que seria fundamental para o modelo comercial do UFC:
o público não comprava apenas uma luta. Comprava uma história.
Ronda Rousey x Miesha Tate começou antes de existir divisão feminina no UFC
Quando Ronda Rousey e Miesha Tate se enfrentaram pela primeira vez, o UFC ainda não tinha categorias femininas.
Era 2012.
Tate era campeã peso-galo do Strikeforce.
Rousey tomou seu cinturão com uma chave de braço no primeiro round. O próprio UFC posteriormente descreveu aquela luta como o maior confronto que o MMA feminino poderia produzir naquele momento.
Depois, as duas chegaram ao UFC.
Foram treinadoras rivais no The Ultimate Fighter 18.
A animosidade aumentou.
E se reencontraram no UFC 168, em dezembro de 2013.
Tate tornou-se a primeira adversária a levar Rousey além do primeiro round, mas acabou finalizada novamente com uma chave de braço no terceiro.
O placar total ficou:
Rousey 2 x 0 Tate, considerando Strikeforce e UFC.
Mais importante que isso foi o momento.
A rivalidade ajudou a sustentar a atenção sobre o peso-galo feminino justamente durante os primeiros anos das mulheres dentro do UFC.
Figueiredo x Moreno fez quatro lutas — e todas valeram cinturão
Deiveson Figueiredo e Brandon Moreno representam um tipo completamente diferente de rivalidade.
Menos baseada em ódio.
Mais baseada em uma incapacidade esportiva de separar os dois.
A primeira luta, no UFC 256 em 2020, terminou empatada por decisão majoritária.
Na segunda, Moreno finalizou Figueiredo e tomou o cinturão.
Na terceira, o brasileiro venceu por decisão unânime e recuperou o título.
Resultado depois de três confrontos:
1 vitória para cada lado e 1 empate.
Era praticamente impossível encerrar a história ali.
Eles fizeram uma quarta luta no UFC 283, no Rio de Janeiro, em janeiro de 2023.
Moreno venceu após interrupção médica e fechou a série em 2 a 1, com um empate.
Foi a primeira vez que dois atletas se enfrentaram quatro vezes dentro do UFC.
E há algo ainda mais extraordinário:
os quatro confrontos valeram um cinturão dos moscas.
Frankie Edgar x Gray Maynard teve um empate depois de uma surra no primeiro round
Outra rivalidade é lembrada principalmente pela qualidade das lutas.
Frankie Edgar e Gray Maynard se enfrentaram três vezes.
Maynard ganhou o primeiro combate, em 2008, por decisão.
Quando voltaram a lutar no UFC 125, em 2011, Edgar já era campeão dos leves.
Maynard quase terminou a luta no primeiro round.
Edgar sobreviveu.
Depois de cinco rounds, os juízes decretaram empate dividido.
Placar da série: Maynard 1–0–1.
A terceira luta aconteceu no UFC 136.
Novamente Maynard começou melhor e machucou Edgar.
Novamente o campeão resistiu.
Desta vez, porém, Edgar conseguiu o nocaute no quarto round.
A trilogia terminou em 1–1–1, um dos raros placares perfeitamente equilibrados de uma grande rivalidade do UFC.
Cigano x Velasquez decidiu quem mandava nos pesos-pesados
O Brasil aparece em outra trilogia histórica.
Junior “Cigano” dos Santos enfrentou Cain Velasquez pela primeira vez em novembro de 2011.
A luta tinha enorme exposição: foi o primeiro evento do UFC transmitido pela Fox nos Estados Unidos.
Cigano precisou de pouco mais de um minuto para nocautear Velasquez e conquistar o cinturão dos pesados.
A revanche aconteceu no UFC 155.
Foi completamente diferente.
Velasquez dominou durante cinco rounds e recuperou o título.
A terceira luta, no UFC 166, serviria para desempatar.
Cain venceu novamente, desta vez por nocaute técnico no quinto round.
Placar:
Velasquez 2 x 1 Cigano.
Não teve o ódio de Jones x Cormier ou Khabib x McGregor.
Mas teve algo que muitas rivalidades não possuem: três confrontos entre dois atletas que estavam efetivamente disputando quem era o melhor peso-pesado do mundo.
Adesanya x Poatan começou em outro esporte e atravessou até o UFC
Poucas rivalidades modernas possuem uma origem tão incomum quanto Israel Adesanya x Alex Pereira.
Antes de entrarem juntos no UFC, os dois já haviam se enfrentado duas vezes no kickboxing.
Pereira venceu ambas.
Na segunda, nocauteou Adesanya.
Anos depois, Adesanya tornou-se campeão dominante dos médios no UFC.
Pereira migrou para o MMA e começou uma ascensão extremamente rápida.
O destino parecia escrito.
No UFC 281, em novembro de 2022, Adesanya vencia por 39 a 37 nos cartões dos três juízes quando entrou no quinto round.
Pereira reagiu e conseguiu o nocaute técnico.
Tomou o cinturão.
Na revanche imediata, no UFC 287, Adesanya finalmente conseguiu derrotá-lo, nocauteando o brasileiro no segundo round.
Se forem contados todos os esportes:
Pereira 3 x 1 Adesanya.
Se forem consideradas apenas as lutas de MMA:
1 x 1.
É uma rivalidade que literalmente atravessou modalidades.
Algumas das maiores rivalidades tiveram placares completamente desequilibrados
Esse talvez seja o dado mais curioso.
Tito Ortiz venceu Ken Shamrock três vezes.
Ronda Rousey venceu Miesha Tate duas.
Anderson Silva venceu Sonnen duas.
Liddell derrotou Ortiz nas duas lutas realizadas no UFC.
Khabib enfrentou McGregor apenas uma vez.
Portanto, equilíbrio não é requisito para uma grande rivalidade.
O que transforma dois lutadores em rivais históricos é uma combinação muito mais ampla: o que estava em jogo, a expectativa criada, o contraste de personalidades, a importância esportiva, a qualidade das lutas e o que aquela disputa representou para o UFC em determinado momento.
Qual foi a maior rivalidade da história do UFC?
Se o critério for impacto comercial, Khabib x McGregor possui o argumento mais forte.
O UFC 229 continua associado ao recorde de aproximadamente 2,4 milhões de compras de PPV e produziu quase US$ 17,2 milhões de bilheteria em Las Vegas.
Se o critério for ódio pessoal, Jones x Cormier é um candidato ainda mais forte. A rivalidade teve briga em evento promocional, provocações constantes, cinturões, luta cancelada, antidoping e um segundo resultado posteriormente anulado.
Se for importância para o crescimento inicial da organização, Liddell x Ortiz e Ortiz x Shamrock precisam entrar na discussão. O próprio UFC aponta o UFC 40, com Ortiz x Shamrock, como um evento que estabeleceu novos patamares comerciais para a empresa.
Se for qualidade e equilíbrio esportivo, Figueiredo x Moreno e Edgar x Maynard oferecem argumentos diferentes.
E se for a rivalidade capaz de combinar provocação com uma luta quase inacreditável, Anderson Silva x Sonnen permanece difícil de superar.
Sonnen passou aproximadamente 20 minutos controlando um campeão que parecia imbatível.
Anderson precisou de quase 23 minutos para encontrar a resposta.
Uma finalização mudou o resultado da luta — e criou a necessidade de uma revanche que transformaria os dois em rivais para sempre.
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