A primeira final da Libertadores aconteceu em 1960 e colocou frente a frente Peñarol, do Uruguai, e Olimpia, do Paraguai. Foram dois jogos: um em Montevidéu, outro em Assunção. O Peñarol venceu o primeiro por 1 a 0, empatou o segundo em 1 a 1 e, com esse resultado, se tornou o primeiro campeão da competição que hoje é o torneio de clubes mais cobiçado da América do Sul.

Parece simples contado assim, em uma frase. Mas por trás desse resultado existe uma história cheia de detalhes que a maioria dos torcedores nunca ouviu contar. Naquela época o torneio nem se chamava Libertadores — o nome era Copa de Campeões da América, e a ideia de reunir os melhores times do continente ainda engatinhava. Só sete equipes toparam disputar. Times gigantes como Brasil e Argentina mandaram seus representantes meio sem acreditar que aquilo fosse dar em algo grande.

Deu. E muito. O torneio que nasceu quase escondido, sem cobertura de imprensa relevante fora do Uruguai, se transformou na Libertadores que enche estádios e para o continente inteiro todos os anos. Entender como foi aquela primeira decisão é entender a raiz de tudo isso. E o mais curioso é que o próprio jogo de ida, disputado num sábado de junho de 1960, quase passou batido — só 45 mil pessoas foram ao Centenário assistir a algo que, décadas depois, viraria patrimônio histórico do futebol sul-americano.

Como surgiu a primeira final da Libertadores

A ideia de um torneio continental de clubes não nasceu do nada. Ela veio de um presidente da confederação sul-americana, José Ramos de Freitas, que em 1958 decidiu bancar uma competição aberta aos campeões nacionais de cada país. O modelo já existia informalmente, inspirado num campeonato sul-americano de clubes campeões que rolava de forma mais amadora. Mas dessa vez seria oficial, com taça e tudo.

Sete clubes toparam entrar: Peñarol (Uruguai), San Lorenzo (Argentina), Bahia (Brasil), Jorge Wilstermann (Bolívia), Universidad de Chile (Chile), Millonarios (Colômbia) e Olimpia (Paraguai). Peru e Venezuela ficaram de fora porque suas federações simplesmente não se interessaram — coisa que hoje soa quase impensável. O Equador nem tinha um campeão nacional definido naquele momento, então também não mandou ninguém.

O formato era mata-mata direto, com ida e volta, e um terceiro jogo de desempate quando necessário. Como o número de equipes ficou ímpar depois que o Universitario do Peru desistiu antes do sorteio, o Olimpia ganhou de presente uma folga e entrou direto nas semifinais, sem precisar jogar as quartas.

O caminho do Peñarol até a decisão

O Peñarol começou nas quartas de final contra o Jorge Wilstermann, da Bolívia, e não fez cerimônia: 7 a 1 no jogo de ida, disputado em 19 de abril de 1960 no Estádio Centenário, em Montevidéu. Essa partida, aliás, tem um lugar especial na história porque foi o primeiro jogo oficial da competição, com Carlos Borges marcando o gol inaugural da Libertadores. No jogo de volta, na Bolívia, ficou no 1 a 1, resultado suficiente para classificar os uruguaios com folga.

Na semifinal veio um osso mais duro: San Lorenzo, da Argentina. Os dois primeiros jogos terminaram empatados, o que obrigou a um terceiro confronto, decidido no Centenário com vitória do Peñarol por 2 a 1. Foi esse resultado que garantiu a vaga na primeira final da história da Libertadores.

Do outro lado, o Olimpia enfrentou o Millonarios direto na semifinal, já que tinha entrado com a folga das quartas. Empatou sem gols na ida e goleou por 5 a 1 na volta, jogada em Assunção, o que carimbou a classificação paraguaia para a decisão.

Chegou então o dia 12 de junho de 1960. O primeiro jogo da final foi no Estádio Centenário, com 45 mil pessoas nas arquibancadas — um público expressivo para os padrões da época, mesmo sem toda a repercussão midiática que um evento desse porte teria hoje. A partida foi truncada, de poucas chances claras, até que aos 79 minutos o equatoriano Alberto Spencer, que terminaria a competição como artilheiro com sete gols, apareceu para decidir. Peñarol venceu por 1 a 0.

Uma semana depois, em 19 de junho, foi a vez de Assunção receber o jogo de volta, no Estádio de Puerto Sajonia. O Olimpia entrou em campo precisando reverter o placar e conseguiu abrir o placar logo aos 28 minutos, com um gol de Recalde. Por um bom tempo pareceu que o título ficaria mesmo no Paraguai, ou que pelo menos haveria um terceiro jogo para decidir tudo.

O técnico do Peñarol, Roberto Scarone, resolveu mudar a estratégia no intervalo. Tirou justamente o artilheiro Alberto Spencer e colocou Eduardo Hohberg, um atacante argentino naturalizado uruguaio, apostando em mais pressão sobre a defesa paraguaia. A aposta funcionou: aos 38 minutos do segundo tempo, Luis Cubilla empatou o jogo em 1 a 1. Esse resultado, somado à vitória da ida, foi suficiente para coroar o Peñarol como o primeiro campeão da história da Libertadores, ainda batizada de Copa de Campeões da América naquele momento.

Vale contar que, na época, a contagem era feita por pontos, e não simplesmente por gols somados — o Peñarol fechou a série com 3 pontos contra 1 do Olimpia, um detalhe que hoje soa distante da forma como enxergamos as finais continentais.

O que pouca gente sabe sobre a primeira final da Libertadores

Boa parte da história dessa decisão ficou esquecida com o passar das décadas, ofuscada pelo tamanho que a Libertadores ganhou depois. Alguns detalhes, no entanto, merecem ser resgatados porque explicam bastante sobre como o torneio nasceu.

O torneio quase não teve cobertura de imprensa. Fora do Uruguai, a primeira edição praticamente não gerou repercussão. Jornais do Brasil e da Argentina deram pouquíssimo espaço ao torneio, e a sensação geral era de que aquilo ainda não tinha peso suficiente para virar manchete. Só em Montevidéu a competição recebeu cobertura consistente, especialmente por causa da expectativa em torno do jogo de estreia contra o Jorge Wilstermann.

A recepção ao time boliviano foi surpreendentemente grandiosa. O presidente da Federação Boliviana de Futebol chegou a Montevidéu nove dias antes do primeiro jogo só para organizar os detalhes da estadia da delegação. O próprio Jorge Wilstermann desembarcou quatro dias antes da partida, um cuidado enorme para um torneio que muita gente via com desconfiança.

Curiosidades sobre os números da decisão

O título rendeu ao Peñarol a vaga na Copa Intercontinental de 1960, torneio que colocava frente a frente o campeão sul-americano e o campeão europeu — no caso, o Real Madrid, que vivia um dos times mais lendários da história do futebol europeu naquela época. Não é qualquer clube que estreia numa competição continental já garantindo lugar num confronto desse calibre logo de cara.

Outro dado interessante: somando as 13 partidas disputadas em toda a edição de 1960, o público total passou de 392 mil pessoas, uma média de 30 mil espectadores por jogo. Para um torneio que muitos duvidavam que vingaria, o número mostra que a ideia já despertava curiosidade real nas arquibancadas, mesmo sem grande alarde na imprensa.

E tem um detalhe que costuma escapar até de torcedores mais antenados: o Bahia, único representante brasileiro naquela primeira edição, chegou ao torneio como campeão da Taça Brasil de 1959, competição em que havia vencido o Santos de Pelé na decisão, disputada no Maracanã. Ou seja, o clube baiano entrou na primeira Libertadores como campeão nacional legítimo, batendo de frente com um time que tinha o maior craque do mundo em campo poucos meses antes.

Por fim, um ponto que gera confusão até hoje: o nome “Copa Libertadores” só passou a valer a partir de 1966. Até 1965, a competição era chamada oficialmente de Copa de Campeões da América. Isso significa que, tecnicamente, aquele Peñarol campeão de 1960 não ergueu uma taça chamada “Libertadores” — mas o título é reconhecido pela CONMEBOL como a primeira conquista da história do que hoje conhecemos por esse nome.

Perguntas frequentes sobre a primeira final da Libertadores

Quem disputou a primeira final da Libertadores?
Peñarol, do Uruguai, e Olimpia, do Paraguai, se enfrentaram na decisão de 1960. Foi um confronto em dois jogos, um em cada país, valendo o título da primeira edição da competição, na época chamada de Copa de Campeões da América.

Qual foi o placar da primeira final da Libertadores?
O Peñarol venceu o primeiro jogo por 1 a 0, em Montevidéu, com gol de Alberto Spencer. No segundo jogo, em Assunção, o Olimpia chegou a vencer parcialmente, mas o resultado final ficou em 1 a 1, com gol de Luis Cubilla, o suficiente para o Peñarol ser campeão.

Em que ano foi a primeira final da Libertadores?
Aconteceu em 1960. O jogo de ida foi disputado em 12 de junho, no Estádio Centenário, em Montevidéu, e o jogo de volta ocorreu em 19 de junho, no Estádio de Puerto Sajonia, em Assunção.

Qual foi o primeiro campeão da Libertadores?
O Peñarol, do Uruguai, foi o primeiro campeão da história da competição, ao derrotar o Olimpia na decisão de 1960. Foi também o primeiro representante sul-americano a disputar a Copa Intercontinental daquele mesmo ano, contra o Real Madrid.

Quantos times disputaram a primeira edição da Libertadores?
Sete clubes participaram: Peñarol, San Lorenzo, Bahia, Jorge Wilstermann, Universidad de Chile, Millonarios e Olimpia. Peru e Venezuela não enviaram representantes por falta de interesse das federações, e o Equador não tinha campeão nacional definido naquele ano.

Por que a Libertadores não se chamava assim em 1960?
Porque o nome oficial da época era Copa de Campeões da América. A denominação “Copa Libertadores de América” só passou a ser usada a partir de 1966, seis anos depois daquela primeira decisão entre Peñarol e Olimpia.

Quem foi o artilheiro da primeira Libertadores?
O equatoriano Alberto Spencer, do Peñarol, terminou como artilheiro daquela edição, com sete gols, incluindo o gol decisivo no primeiro jogo da final contra o Olimpia.

Qual foi o primeiro jogo da história da Libertadores?
Foi Peñarol 7 a 1 Jorge Wilstermann, disputado em 19 de abril de 1960 no Estádio Centenário, em Montevidéu, pelas quartas de final. Carlos Borges marcou o primeiro gol oficial da competição nessa partida.

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