O homem que compôs o hino do Santos nunca chegou a ouvir a torcida cantando sua música como hino oficial do clube. Ele morreu em 1983, e a canção só recebeu esse status treze anos depois, em 1996. É um detalhe que costuma surpreender até torcedor que canta a música há décadas sem saber direito de onde ela veio.
O nome por trás de “Sou Alvinegro da Vila Belmiro” é Carlos Henrique Paganetto Roma, que escreveu a canção em julho de 1957 como uma espécie de homenagem pessoal ao clube que fazia parte da própria família dele. Não foi encomenda de diretoria, não nasceu de concurso puiblicitário nem de decisão oficial de estatuto. Nasceu de afeto, quase como um gesto particular que acabou virando patrimônio coletivo de milhões de santistas.
Essa distância entre o momento em que a música foi composta e o momento em que ela virou hino oficial ajuda a explicar por que muita gente confunde a origem da canção, ou mistura essa história com outros cânticos populares do Santos, como a famosa “Santos, Santos, Gol”, que também embala as arquibancadas mas nunca teve status oficial. Neste texto você entende quem compôs o hino do Santos, como essa história se desenrolou ao longo de quase quatro décadas e descobre curiosidades pouco conhecidas sobre essa canção que carrega tanto peso emocional para a torcida alvinegra.
Como Surgiu o Hino do Santos
Para entender quem compôs o hino do Santos, é preciso voltar a julho de 1957. O autor da música, Carlos Henrique Paganetto Roma, não era um compositor profissional contratado pelo clube nem um músico de carreira reconhecida no mercado fonográfico. Ele era irmão de Modesto Roma, que havia presidido o Santos Futebol Clube, o que ajuda a explicar a proximidade e o carinho pessoal que motivou a composição.
Roma escreveu “Sou Alvinegro da Vila Belmiro” num momento de identificação genuína com o clube, e a letra reflete exatamente isso: fala de nascer, viver e morrer santista como um privilégio, descreve o orgulho de vestir a camisa alvinegra e menciona valores como disciplina, fé e dignidade dentro e fora das quatro linhas. É uma letra pessoal, quase confessional, bem diferente de hinos que costumam soar mais formais ou distantes.
O detalhe curioso é que, apesar de composta em 1957, a música não se tornou hino oficial imediatamente. Ela circulou por décadas como uma canção querida pela torcida, cantada em jogos e eventos, mas sem qualquer menção formal no estatuto do clube. Foi preciso esperar quase quarenta anos para que essa lacuna fosse resolvida.
Por Que o Hino Só Foi Oficializado em 1996
Segundo o historiador Gabriel Pierin, ligado ao Centro de Memória do Santos, a demora em oficializar “Sou Alvinegro da Vila Belmiro” como hino não tinha relação com qualidade ou popularidade da música, que já era amplamente reconhecida pela torcida muito antes da homologação. O processo de reconhecimento formal simplesmente não havia acontecido dentro da estrutura administrativa do clube, uma situação comum em times tradicionais brasileiros, onde tradições populares muitas vezes precedem qualquer registro oficial em estatuto.
A homologação só veio em 1996, treze anos depois da morte de Carlos Henrique Paganetto Roma. Ele nunca viu, oficialmente, aquilo que havia composto décadas antes receber o carimbo de hino do clube que amava. A canção seguiu carregando essa história até se firmar de vez como parte do patrimônio simbólico do Santos, tocada em estádios, transmissões e eventos comemorativos do clube até hoje.
O Que Pouca Gente Sabe Sobre o Hino do Santos
Existem detalhes dessa história que raramente aparecem quando o assunto rende conversa entre torcedores, e que ajudam a separar fato de confusão popular.
O hino oficial não é a canção mais famosa cantada pela torcida. Muita gente associa o Santos à música “Santos! Santos! Gol!”, que abre com a frase “Agora quem dá bola é o Santos” e segue com versos como “Glorioso alvinegro praiano”. Essa canção, também chamada popularmente de “Leão do Mar”, celebra a conquista do Campeonato Paulista de 1955 e é cantada com muito mais frequência nas arquibancadas do que o hino oficial. Apesar da popularidade, ela nunca recebeu status oficial dentro do estatuto do clube, permanecendo como uma marchinha de torcida, não como hino.
A letra do hino oficial fala de fé e disciplina, não só de vitórias. Diferente da canção “Santos! Santos! Gol!”, que celebra diretamente uma conquista específica, “Sou Alvinegro da Vila Belmiro” tem um tom mais reflexivo, quase filosófico. Versos como “no Santos pratica-se o esporte com dignidade e com fervor, seja qual for a sua sorte, de vencido ou vencedor” mostram que a letra valoriza o caráter esportivo acima do resultado, um contraste interessante com a lógica competitiva que domina boa parte dos hinos de clubes de futebol.
Existe confusão sobre a autoria em fontes menos confiáveis. Alguns sites atribuem a composição do hino a outros nomes, como Mangeri Neto, com letra assinada por Carlos Pinto e Feijó, chegando a datar a criação em 1951. Essas versões, porém, não encontram respaldo em registros históricos consistentes nem em fontes ligadas diretamente ao clube, e divergem entre si até mesmo sobre quem seria o autor. A versão sustentada por historiadores do Centro de Memória do Santos e por registros de imprensa esportiva mais consolidados aponta com segurança para Carlos Henrique Paganetto Roma como autor da música e da letra, composta em julho de 1957.
Roma nunca imaginou o tamanho que sua composição alcançaria. Como ele não era músico profissional nem trabalhava diretamente ligado ao departamento de marketing ou eventos do clube, a canção nasceu de forma quase artesanal, sem qualquer planejamento de longo prazo. O fato de ter se transformado, décadas depois, em símbolo oficial cantado por gerações de torcedores mostra como algumas tradições esportivas nascem de gestos pequenos e pessoais, não de grandes produções.
O nome “Vila Belmiro” no título é uma homenagem direta ao estádio do clube. O Estádio Urbano Caldeira, mais conhecido popularmente como Vila Belmiro, é a casa histórica do Santos desde 1916, localizado no bairro de mesmo nome, em Santos, litoral de São Paulo. Colocar o nome do estádio já no título da composição reforça a ligação entre o hino e o local que se tornou sinônimo do próprio clube ao longo de mais de um século.
Confira a letra do hino do Santos
Sou alvinegro da Vila Belmiro
O Santos vive no meu coração
É o motivo de todo o meu riso
De minhas lágrimas e emoção
Sua bandeira no mastro é a história
De um passado e um presente só de glórias
Nascer, viver e no Santos morrer
É um orgulho que nem todos podem ter
No Santos pratica-se o esporte
Com dignidade e com fervor
Seja qual for a sua sorte
De vencido ou vencedor
Com técnica e disciplina
Dando o sangue com amor
Pela bandeira que ensina
Lutar com fé e com ardor
Perguntas Frequentes Sobre o Hino do Santos
Quem compôs o hino do Santos?
O hino oficial do Santos, “Sou Alvinegro da Vila Belmiro”, foi composto por Carlos Henrique Paganetto Roma em julho de 1957. Ele era irmão de Modesto Roma, ex-presidente do clube, e escreveu a música por identificação pessoal com o time.
Qual é o nome do hino oficial do Santos?
O hino oficial se chama “Sou Alvinegro da Vila Belmiro”, em referência ao Estádio Urbano Caldeira, conhecido popularmente como Vila Belmiro, casa histórica do clube desde 1916, no litoral de São Paulo.
Quando o hino do Santos se tornou oficial?
A canção foi composta em 1957, mas só foi homologada oficialmente como hino do clube em 1996, quase quarenta anos depois. O compositor Carlos Henrique Paganetto Roma já havia morrido em 1983 e não chegou a ver esse reconhecimento formal.
“Santos! Santos! Gol!” é o hino oficial do clube?
Não. Essa canção, também conhecida como “Leão do Mar”, celebra a conquista do Campeonato Paulista de 1955 e é muito popular nas arquibancadas, mas nunca recebeu status de hino oficial dentro do estatuto do Santos Futebol Clube.
Por que demorou tanto para o hino do Santos ser reconhecido oficialmente?
Segundo historiadores do Centro de Memória do Santos, a demora não teve relação com a qualidade ou popularidade da canção, que já era conhecida pela torcida havia décadas. Simplesmente não existia, até 1996, um processo formal de reconhecimento dentro da estrutura administrativa do clube.
O compositor do hino do Santos era músico profissional?
Não. Carlos Henrique Paganetto Roma não tinha carreira musical reconhecida no mercado fonográfico. Ele compôs a canção por ligação afetiva com o clube, já que era irmão de um ex-presidente do Santos, sem imaginar o alcance que a música alcançaria décadas depois.
Existem outras versões sobre quem compôs o hino do Santos?
Sim, algumas fontes menos consolidadas atribuem a composição a outros nomes, como Mangeri Neto, mas essas versões divergem entre si e não têm respaldo em registros históricos consistentes. A autoria de Carlos Henrique Paganetto Roma, em 1957, é a versão sustentada por historiadores ligados diretamente ao clube.
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