Em 2026 aconteceu algo que nunca tinha acontecido antes na história da Liga das Nações de Vôlei: Brasil e França, duas potências tradicionais do esporte, ficaram fora da fase final da competição masculina. Para o Brasil, foi a primeira vez que isso acontece desde 1992, contando também a antiga Liga Mundial, torneio que a Liga das Nações substituiu lá em 2018. Ou seja, estamos falando de mais de trinta anos sem um resultado tão inesperado quanto esse.

Esse tipo de reviravolta só é possível justamente por causa do jeito que a competição é organizada hoje. Diferente de outras ligas esportivas onde os favoritos praticamente sempre garantem vaga na decisão, a Liga das Nações de Vôlei tem um formato que obriga cada seleção a jogar contra praticamente todo mundo, em cidades diferentes, dentro de um calendário apertado. Um deslize maior em qualquer semana pode custar caro lá na frente.

Se você já assistiu a um jogo da VNL na televisão, mas nunca entendeu direito por que os times ficam viajando tanto pelo mundo em pouquíssimo tempo, ou por que só oito seleções chegam à fase final, este texto explica tudo isso direitinho. Vem comigo entender como funciona a Liga das Nações de Vôlei, desde a estrutura das partidas até a história de como esse torneio surgiu, substituindo competições que existiam havia décadas.

Como Funciona a Liga das Nações de Vôlei na Prática

A Liga das Nações de Vôlei, conhecida também pela sigla VNL, reúne hoje 18 seleções tanto no masculino quanto no feminino. A competição é dividida em duas etapas bem distintas: a fase de classificação e a fase final. É esse formato que explica por que times fortes, mesmo com tradição enorme, podem acabar de fora da briga pelo título numa temporada só.

Na fase de classificação, cada seleção disputa 12 partidas ao longo de três semanas seguidas. A cada semana, as 18 equipes são divididas em três grupos de seis times, e cada grupo joga numa cidade sede diferente, espalhada por vários países do mundo. Dentro de cada semana, todo time entra em quadra quatro vezes, enfrentando adversários variados dentro do próprio grupo daquela etapa. Isso significa que, ao longo de um mês, uma seleção pode jogar em três continentes diferentes, algo que exige logística pesada e um planejamento físico bem calculado por parte das comissões técnicas.

Depois dessas três semanas de fase de classificação, chega o momento decisivo: apenas as oito seleções mais bem colocadas na tabela avançam para a fase final. Essa fase reúne quartas de final, semifinal e a disputa de terceiro lugar antes da grande decisão pelo título. Um detalhe importante nessa etapa é que o país que sedia a fase final já garante presença entre os oito classificados automaticamente, independente da campanha feita na fase de classificação, uma regra parecida com o que acontece em outras competições internacionais que usam sede fixa para a etapa decisiva.

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Como as Seleções São Definidas a Cada Temporada

Diferente do formato usado nos primeiros anos da competição, hoje não existe mais separação entre times “principais” e times “desafiantes” dentro da Liga das Nações. Até 2024, existia um sistema de acesso e rebaixamento envolvendo a Challenger Cup, torneio paralelo disputado pela equipe rebaixada da VNL somada a seleções indicadas pelas confederações continentais. Esse modelo foi encerrado, e agora as 18 vagas de cada edição são definidas com base na colocação das seleções no ranking mundial da federação internacional de vôlei ao término da temporada anterior.

Isso significa que, a cada ano, existe a possibilidade real de troca de participantes. Em 2026, por exemplo, a Ucrânia estreou na Liga das Nações feminina justamente por ter sido a seleção mais bem colocada no ranking mundial que ainda não tinha disputado o torneio, substituindo a Coreia do Sul, que teve o pior desempenho geral na edição anterior. Esse sistema mantém a competição sempre renovada, sem depender de convites fixos ou tradição histórica para garantir vaga.

Como Surgiu a Liga das Nações de Vôlei

Entender como funciona a Liga das Nações de Vôlei também passa por entender de onde ela veio. A competição nasceu em 2018, mas antes disso o vôlei internacional de seleções tinha outros dois torneios anuais separados: a Liga Mundial, disputada pelos homens desde 1990, e o Grand Prix, versão feminina que existia desde 1993.

A mudança foi anunciada em outubro de 2017, num evento que celebrava os setenta anos da Federação Internacional de Voleibol. O então presidente da entidade, o brasileiro Ary Graça, apresentou a nova competição como um projeto conjunto entre a federação, a empresa de marketing esportivo IMG e 21 federações nacionais de vôlei. A ideia central era modernizar completamente a forma como o esporte era apresentado ao público, aproximando a competição dos fãs através de transmissões digitais e uma produção de conteúdo mais robusta do que a que existia até então.

Um detalhe que chamou bastante atenção na época foi o anúncio de premiação igual entre homens e mulheres, algo raro no esporte de alto rendimento até aquele momento. Essa decisão ajudou a posicionar a Liga das Nações como uma competição preocupada também com equidade entre as duas modalidades, e não apenas com audiência ou patrocínio.

A primeira edição aconteceu em 2018, com a fase final masculina sediada em Lille, na França, e a fase final feminina em Nanquim, na China. No masculino, a Rússia sagrou-se campeã logo na estreia da competição, repetindo o feito no ano seguinte. Já no feminino, os Estados Unidos venceram a Turquia na primeira decisão da história do torneio.

O Que Pouca Gente Sabe Sobre a Liga das Nações de Vôlei

Fora o formato oficial da competição, existem detalhes sobre a VNL que raramente aparecem juntos numa mesma explicação, e que ajudam a entender melhor essa competição por dentro.

A Rússia foi a primeira grande potência da era VNL, mas isso já mudou bastante. Depois de vencer as duas primeiras edições masculinas, em 2018 e 2019, a seleção russa nunca mais repetiu o feito. Hoje, França e Polônia dividem a liderança de maior campeã da era Liga das Nações, cada uma com dois títulos conquistados, mostrando como o domínio dentro dessa competição costuma ser bem mais disputado do que em outros torneios de seleções.

O Brasil é o maior campeão histórico somando Liga Mundial e Liga das Nações. A seleção brasileira masculina venceu a antiga Liga Mundial nove vezes, e ainda somou o título da Liga das Nações em 2021, sob o comando de Bernardinho. Isso faz do Brasil o nome mais vitorioso da história dessas duas competições combinadas, mesmo com o resultado inesperado de 2026, quando o time ficou de fora da fase final pela primeira vez em mais de três décadas.

A edição de 2020 foi a única interrompida desde a criação da competição. Por causa da pandemia de Covid-19, a Liga das Nações de Vôlei não foi disputada naquele ano, tanto no masculino quanto no feminino, um intervalo raro numa competição que, fora esse período, manteve regularidade anual desde 2018.

A Itália vem dominando o lado feminino recentemente. A seleção italiana chegou à edição de 2026 como tricampeã, depois de vencer as duas edições anteriores, liderada por Paola Egonu, uma das principais atacantes do vôlei mundial na atualidade. Esse domínio recente contrasta com a diversidade de campeãs que a competição teve em seus primeiros anos de existência.

Recordes de duração de jogo e de set também nasceram dentro da VNL. Em 2026, durante a edição masculina, foi registrado o set com mais pontos disputados na história da competição, vencido pela Argentina sobre a Polônia por 50 a 48. No mesmo dia, Canadá e Brasil protagonizaram a partida mais longa já registrada na Liga das Nações, com duração de duas horas e 53 minutos, decidida no tie-break a favor da seleção brasileira.

A FIVB usa a competição como laboratório de novas regras do vôlei. Desde 2026, a Liga das Nações passou a testar mudanças que podem chegar até às Olimpíadas de Los Angeles em 2028, incluindo o aumento no número de substituições permitidas por set, de seis para oito, além de uma regra nova sobre bolas que tocam o teto do ginásio, que deixaram de ser automaticamente consideradas erro em determinadas situações específicas.

As sedes da fase final mudam praticamente todo ano. Em 2026, a decisão feminina aconteceu em Macau, marcando o retorno da cidade chinesa como sede depois de quinze anos sem receber uma final de peso do vôlei internacional, enquanto a fase final masculina foi disputada em Ningbo, também na China. Essa rotatividade de sedes está entre os planos originais da competição, pensada para levar o vôlei de alto nível a públicos diferentes ao redor do mundo a cada temporada.

Por Que Esse Formato Faz Tanto Sentido Para o Vôlei Atual

O jeito como a Liga das Nações de Vôlei é estruturada hoje resolve um problema que tanto a antiga Liga Mundial quanto o Grand Prix enfrentavam: manter o interesse do público ao longo de uma temporada inteira, sem depender só de uma final isolada para gerar audiência. Com jogos espalhados por semanas e continentes diferentes, cada rodada vira praticamente um evento próprio, com torcida local, cobertura de imprensa e resultado que pode mexer diretamente na briga pelas oito vagas da fase final.

Esse formato também cria histórias como a do Brasil e da França ficando de fora em 2026, algo que dificilmente aconteceria num torneio mais curto ou mais protegido para seleções tradicionais. É exatamente esse equilíbrio entre tradição e imprevisibilidade que tem mantido a Liga das Nações relevante desde 2018, e que deve continuar rendendo boas histórias nas próximas edições.

Perguntas Frequentes Sobre a Liga das Nações de Vôlei

Como funciona a Liga das Nações de Vôlei?

A competição reúne 18 seleções, tanto no masculino quanto no feminino, divididas em uma fase de classificação com 12 jogos por equipe ao longo de três semanas. As oito seleções mais bem colocadas avançam para a fase final, disputada em formato de mata-mata até a decisão do título.

Quantas seleções disputam a Liga das Nações de Vôlei?

Atualmente, 18 seleções participam de cada edição, tanto na competição masculina quanto na feminina. Esse número é definido com base no ranking mundial da federação internacional de vôlei ao final da temporada anterior.

Quando a Liga das Nações de Vôlei foi criada?

A competição foi criada em 2018, substituindo a Liga Mundial, disputada pelos homens desde 1990, e o Grand Prix, versão feminina que existia desde 1993. A criação foi anunciada em outubro de 2017 pela Federação Internacional de Voleibol.

O Brasil já foi campeão da Liga das Nações de Vôlei?

Sim, a seleção brasileira masculina venceu a Liga das Nações em 2021, sob o comando de Bernardinho. Somando também os nove títulos conquistados na antiga Liga Mundial, o Brasil é o maior campeão histórico dessas duas competições combinadas.

Como uma seleção se classifica para jogar a Liga das Nações de Vôlei?

A vaga é definida pela colocação da seleção no ranking mundial da federação internacional de vôlei ao término da temporada anterior. Não existe mais sistema de acesso ou rebaixamento por meio de torneios paralelos, modelo que foi usado até 2024.

Por que o Brasil ficou de fora da fase final da Liga das Nações em 2026?

O time não conseguiu ficar entre as oito melhores seleções ao final da fase de classificação, marcada por jogos disputados contra adversários fortes em diferentes sedes ao redor do mundo. Foi a primeira vez desde 1992 que o Brasil não se classificou para a fase final de uma competição anual de seleções organizada pela federação internacional de vôlei.

Qual é a premiação da Liga das Nações de Vôlei?

Desde a criação da competição, em 2018, a Federação Internacional de Voleibol garante premiação igual entre as competições masculina e feminina, uma decisão que chamou atenção na época por ser incomum no esporte de alto rendimento e que segue em vigor até hoje.

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