Escolher os maiores bloqueadores da história do vôlei parece simples até surgir uma pergunta: como comparar um central dos anos 1990 com outro que disputa a Liga das Nações, cercado por estatísticas detalhadas de cada partida?
Não existe um ranking oficial da FIVB que some todos os bloqueios da carreira dos jogadores de diferentes épocas. As competições mudaram, as regras foram alteradas e boa parte das gerações mais antigas jogou quando as estatísticas não tinham o nível de detalhamento disponível hoje. Por isso, afirmar simplesmente que alguém é “o maior bloqueador de todos os tempos” pelo número de pontos seria enganoso.
É preciso olhar para um conjunto maior: prêmios de melhor bloqueador, desempenho em Jogos Olímpicos e Mundiais, longevidade, domínio técnico, títulos e a capacidade de transformar o bloqueio em uma arma que muda partidas.
Nesse recorte, alguns nomes aparecem repetidamente. Robertlandy Simón, Regla Torres, Thaisa, Dmitriy Muserskiy, Lucas Saatkamp, Fabiana Claudino, Andrea Gardini e Andrea Giani pertencem a gerações diferentes, mas têm algo em comum: fizeram atacantes pensarem duas vezes antes de bater na bola.
E alguns deles foram muito além disso.
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Quem são os maiores bloqueadores da história do vôlei?
Não há uma lista oficial que determine uma ordem definitiva. Considerando desempenho no fundamento, premiações individuais, títulos e impacto internacional, estes estão entre os nomes mais fortes da discussão:
- Robertlandy Simón (Cuba)
- Regla Torres (Cuba)
- Thaisa Daher (Brasil)
- Dmitriy Muserskiy (Rússia)
- Lucas Saatkamp (Brasil)
- Fabiana Claudino (Brasil)
- Andrea Gardini (Itália)
- Gustavo Endres (Brasil)
- Andrea Giani (Itália)
- Marko Podraščanin (Sérvia)
A ordem é discutível. O próprio conceito de “melhor bloqueador” envolve mais do que contar pontos. Um bloqueio que toca na bola e permite o contra-ataque pode ser tão importante quanto aquele que derruba a bola diretamente na quadra adversária.
É justamente isso que torna a comparação interessante.
Robertlandy Simón: o bloqueador que virou referência mundial
Se a discussão estiver restrita ao vôlei masculino moderno, Robertlandy Simón provavelmente será o primeiro nome citado por muita gente.
O cubano de 2,08 m reuniu características raras em um central: força, impulsão, velocidade lateral, alcance e capacidade para atacar bolas extremamente rápidas. A combinação tornou Simón uma ameaça tanto quando estava atacando quanto quando precisava fechar a rede.
Seu currículo individual ajuda a explicar o tamanho da reputação.
Simón foi eleito melhor bloqueador da Liga Mundial de 2009, do Grand Champions Cup de 2009 e do Campeonato Mundial de 2010. Também acumulou reconhecimentos como melhor central em Mundiais de Clubes. A Volleyball World chegou a destacar sua explosão e velocidade como características que o separavam de outros jogadores da posição.
Há outro detalhe impressionante: a longevidade.
Mesmo aos 39 anos, Simón continuava produzindo números relevantes. Na Liga das Nações de 2026, registrou 20 pontos de bloqueio em oito partidas por Cuba, média de 2,5 por jogo.

Por que Simón está entre os maiores bloqueadores da história do vôlei?
Porque não depende apenas da altura.
Simón consegue chegar rapidamente às extremidades da rede, invade o espaço adversário com as mãos e possui explosão suficiente para enfrentar atacantes que recebem bolas muito altas. É exatamente essa combinação que tornou seu bloqueio tão difícil de superar.
Sua carreira também atravessou diferentes escolas do esporte. Jogou em Cuba, Itália, Coreia do Sul, Qatar, Brasil e outros mercados, mantendo rendimento de elite em sistemas completamente diferentes.
Regla Torres: uma lenda que dominava muito mais que o bloqueio
Antes de discutir números modernos, é preciso voltar à seleção cubana que aterrorizou o vôlei feminino nos anos 1990.
No centro daquela equipe estava Regla Torres.
Ela ganhou o ouro olímpico em Barcelona 1992 com apenas 17 anos e depois voltou ao topo do pódio em Atlanta 1996 e Sydney 2000. Cuba também conquistou os Mundiais de 1994 e 1998.
Torres não era apenas uma jogadora cercada por grandes companheiras. Em 1994, foi eleita melhor bloqueadora e MVP do Campeonato Mundial. Quatro anos depois, repetiu as duas premiações no Mundial de 1998.
Seu reconhecimento chegou ao ponto máximo quando a FIVB a escolheu como a melhor jogadora de vôlei feminina do século XX.
A cubana tinha impulsão excepcional e conseguia competir na rede mesmo sem possuir a estatura gigantesca que se tornou comum entre centrais de gerações posteriores.
Essa capacidade ajuda a explicar por que seu nome permanece obrigatório em qualquer discussão histórica sobre bloqueio.
Thaisa: técnica, leitura e uma carreira que atravessou gerações
O Brasil teve várias centrais de nível mundial. Poucas conseguiram permanecer entre as melhores por tanto tempo quanto Thaisa Daher.
Bicampeã olímpica em Pequim 2008 e Londres 2012, a brasileira construiu uma carreira marcada pela leitura de jogo. Thaisa não precisa simplesmente saltar mais alto que a atacante. Muitas vezes, parece saber onde a bola será levantada antes de a jogada se completar.
Seu currículo individual inclui prêmios de melhor bloqueadora e melhor central em competições internacionais. No Campeonato Mundial de 2014, recebeu reconhecimento tanto pelo bloqueio quanto pela posição.
E sua eficiência não desapareceu com a idade.
Nos Jogos Olímpicos de Paris 2024, aos 37 anos, Thaisa terminou a competição com 20 pontos de bloqueio, empatada na terceira posição entre as melhores bloqueadoras do torneio. A brasileira registrou ainda 25% de sucesso no fundamento.
Contra a Turquia, na disputa pelo bronze, marcou sete pontos apenas em bloqueios.
Poucas estatísticas explicam melhor sua longevidade.
Dmitriy Muserskiy: 2,18 metros de problema para os atacantes
Quando Dmitriy Muserskiy estendia os braços diante da rede, o espaço para atacar simplesmente diminuía.
Com 2,18 m, o russo foi um dos jogadores mais altos a alcançar a elite internacional. Mas reduzi-lo à altura seria injusto. Muserskiy possuía mobilidade surpreendente para seu tamanho e habilidade suficiente para atuar também como oposto.
Seu momento mais famoso aconteceu nos Jogos Olímpicos de Londres 2012.
Na final contra o Brasil, a Rússia perdia por 2 sets a 0 quando o técnico Vladimir Alekno mudou Muserskiy de função. O gigante passou a atuar como oposto e terminou como protagonista da virada russa por 3 a 2 que decidiu o ouro olímpico.
Sua carreira inclui ainda títulos de Liga Mundial, Copa do Mundo, Campeonato Europeu, Liga das Nações e competições de clubes. Muserskiy também conquistou prêmios de MVP em grandes torneios internacionais.
No bloqueio, sua vantagem era óbvia: superar 2,18 m antes mesmo de saltar já era difícil. Quando técnica e leitura eram adicionadas a esse alcance, atacar sobre ele se transformava em uma tarefa ingrata.
Lucas Saatkamp: velocidade brasileira no meio da rede
Lucas Saatkamp, o Lucão, representa uma característica importante da escola brasileira de centrais: velocidade.
Com 2,09 m, Lucas construiu uma carreira de mais de uma década entre os principais nomes da posição. Foi campeão olímpico no Rio de Janeiro em 2016, prata em Londres 2012 e conquistou títulos em Mundial, Liga das Nações, Copa do Mundo, Liga Mundial e Grand Champions Cup.
Os prêmios individuais mostram sua regularidade.
Lucas foi escolhido melhor central da Liga Mundial de 2014, do Grand Champions Cup de 2017, do Mundial de 2018 e da Copa do Mundo de 2019, entre outras competições.
No Campeonato Mundial de 2022, marcou 16 pontos de bloqueio, ficando entre os líderes da competição.
Seu diferencial nunca foi apenas fechar a rede. Lucas conseguia sair rapidamente do centro para acompanhar bolas levantadas nas pontas, algo decisivo no vôlei acelerado das últimas gerações.
Fabiana Claudino: potência no período mais vencedor do Brasil
A seleção feminina brasileira campeã olímpica em 2008 e 2012 tinha uma dupla de centrais que entrou para a história. De um lado, Thaisa. Do outro, Fabiana Claudino.
Fabiana combinava 1,93 m, força física, velocidade e leitura de jogo. Sua presença na rede foi uma das marcas da equipe comandada por José Roberto Guimarães.
A central disputou quatro edições dos Jogos Olímpicos e conquistou os títulos de Pequim e Londres.
No auge, seu bloqueio tinha uma característica particularmente incômoda: agressividade. Fabiana não tentava apenas tocar na bola. A posição das mãos buscava devolver o ataque diretamente para a quadra adversária.
Isso transformava o fundamento em fonte real de pontos.
Andrea Gardini: o paredão da Itália dos anos 1990
A Itália dominou boa parte do vôlei masculino mundial na década de 1990. Andrea Gardini estava no centro daquela geração.
O central fez parte da equipe italiana campeã mundial três vezes consecutivas, em 1990, 1994 e 1998, feito que ajudou aquela seleção a entrar para a história.
Gardini também conquistou prata olímpica em Atlanta 1996 e bronze em Sydney 2000.
O International Volleyball Hall of Fame o descreve como um central duro e eficiente e lembra sua importância para a seleção italiana considerada pela FIVB a melhor equipe masculina do século XX.
Comparar suas estatísticas com as dos centrais modernos seria inadequado, já que os registros disponíveis são diferentes. Seu peso histórico, porém, é difícil de ignorar.
Gardini foi um dos símbolos da época em que a Itália transformou organização de bloqueio e defesa em uma ciência.
Gustavo Endres: leitura de jogo no auge da seleção brasileira
No início dos anos 2000, enfrentar o Brasil significava tentar passar por um sistema de bloqueio liderado por Gustavo Endres.
Gustavo fez parte de uma geração histórica: campeão mundial em 2002 e 2006, ouro olímpico em Atenas 2004 e prata em Pequim 2008.
Seu jogo tinha menos espetáculo visual que alguns gigantes de gerações posteriores, mas compensava com posicionamento, disciplina e leitura.
O bloqueio de um central não começa quando ele salta. Começa quando observa a recepção, acompanha o levantador e tenta identificar para onde a bola será enviada.
Gustavo era especialista nisso.
Sua capacidade de organizar o centro da rede foi peça importante no sistema brasileiro comandado por Bernardinho, equipe que dominou grande parte das principais competições internacionais daquela década.
Andrea Giani: um jogador completo que também dominava o bloqueio
Poucos atletas foram tão versáteis quanto Andrea Giani.
O italiano começou como central, mas conseguiu atuar também como atacante e passador em altíssimo nível. Mesmo com tamanha versatilidade, o bloqueio permaneceu como uma de suas grandes marcas.
O International Volleyball Hall of Fame o coloca entre os grandes bloqueadores dos anos 1990 e chama atenção para sua capacidade incomum de permanecer no ar durante as ações na rede.
Giani disputou cinco Olimpíadas e foi integrante da geração italiana que acumulou títulos mundiais e europeus.
Sua presença nesta lista também ajuda a mostrar como a função mudou.
Naquela época, jogadores podiam assumir responsabilidades mais variadas dentro da quadra. A especialização extrema vista no vôlei moderno ainda estava em processo de consolidação.
Marko Podraščanin: consistência durante quase duas décadas
A Sérvia produziu vários grandes centrais, mas Marko Podraščanin ocupa um lugar especial pela regularidade.
Com mais de dois metros de altura e enorme experiência internacional, construiu uma carreira marcada pela eficiência no bloqueio e pelo sucesso em algumas das ligas mais fortes do planeta.
Podraščanin pertence à categoria dos bloqueadores que nem sempre precisam marcar o ponto para vencer a jogada.
Um toque na bola pode reduzir sua velocidade, mudar a trajetória e permitir que a defesa arme o contra-ataque.
Esse tipo de ação não aparece com a mesma força nas estatísticas tradicionais, mas é essencial para entender o trabalho de um grande central.
Como surgiu o bloqueio no vôlei?
O bloqueio nem sempre teve a importância que possui no vôlei moderno.
O esporte foi criado por William G. Morgan em 1895, nos Estados Unidos. A modalidade original era bastante diferente daquela disputada hoje. O número de jogadores, as regras de ataque e a própria dinâmica das partidas passaram por várias transformações.
Conforme os ataques ficaram mais fortes, surgiu a necessidade de defender a rede de maneira mais agressiva.
O bloqueio evoluiu de uma reação relativamente simples para um fundamento altamente técnico. Os jogadores passaram a estudar deslocamento lateral, posicionamento das mãos, tempo de salto e leitura do levantador.
A especialização das posições mudou tudo.
O central tornou-se o principal responsável pelo bloqueio. Ele precisa defender ataques pelo meio e, segundos depois, deslocar-se para ajudar a fechar uma bola na entrada ou na saída de rede.
Isso explica por que altura sozinha não basta.
O que faz um grande bloqueador?
Imagine um atacante saltando para bater uma bola a mais de três metros do chão. O bloqueador tem uma fração de segundo para descobrir onde ela será atacada.
Ele precisa observar o levantador, perceber a trajetória da bola, deslocar-se, saltar no momento certo e colocar as mãos sobre a rede sem cometer falta.
Tudo acontece quase instantaneamente.
Os melhores fazem outra coisa: aprendem os hábitos dos adversários.
Um atacante pode preferir bater na diagonal quando recebe determinado tipo de levantamento. Outro procura a paralela quando está pressionado. Grandes bloqueadores identificam essas tendências e começam a jogada com uma pequena vantagem mental.
É por isso que centrais experientes continuam competitivos mesmo quando perdem parte da explosão física.
Eles passam a ganhar pontos com leitura.
O que pouca gente sabe sobre os maiores bloqueadores da história do vôlei
Uma das maiores confusões sobre o fundamento está nas estatísticas.
O número de “blocks” normalmente apresentado em uma competição contabiliza os bloqueios que resultam diretamente em ponto. Isso não significa que sejam as únicas ações eficientes.
Existe também o chamado touch block.
O jogador toca no ataque adversário, reduz a velocidade da bola e permite que sua equipe faça a defesa. O bloqueador não recebe um ponto individual pela ação, mas pode ter sido decisivo para a construção do contra-ataque.
Há ainda o chamado bloqueio tático.
Em determinadas jogadas, o objetivo não é necessariamente parar o atacante. O bloqueador pode fechar a diagonal e obrigá-lo a atacar na paralela, exatamente onde o defensor está esperando.
Na estatística básica, nada disso aparece como ponto de bloqueio.
Para o treinador, pode ser uma jogada perfeita.
Essa é uma das razões pelas quais não existe um número simples capaz de apontar o melhor bloqueador da história.
Quem foi o melhor: Simón, Regla Torres ou Thaisa?
A comparação entre homens e mulheres — e entre épocas diferentes — não produz uma resposta matemática.
Regla Torres tem um argumento histórico gigantesco. Foi três vezes campeã olímpica, duas vezes campeã mundial e recebeu da FIVB o reconhecimento de melhor jogadora feminina do século XX. Nos Mundiais de 1994 e 1998, foi escolhida como melhor bloqueadora.
Thaisa apresenta longevidade, títulos e desempenho excepcional mesmo perto dos 40 anos.
Simón talvez represente o pacote físico e técnico mais impressionante entre os centrais masculinos modernos. Sua coleção de prêmios individuais e o respeito conquistado em diferentes ligas reforçam essa candidatura.
Se o critério for exclusivamente impacto histórico, Regla Torres possui uma candidatura fortíssima. Se o recorte for o bloqueio masculino moderno, Simón é uma escolha difícil de contestar.
Por que os bloqueadores ficaram tão altos?
Existe uma razão simples: a rede.
No vôlei masculino, ela fica a 2,43 m do chão. No feminino, a 2,24 m.
Quanto maior o alcance do jogador, maior tende a ser a área que ele consegue proteger. Isso estimulou a seleção de atletas muito altos para a posição de central.
Muserskiy, com 2,18 m, é um exemplo extremo.
Mas existe um limite para essa vantagem. Um jogador enorme que se desloca lentamente pode chegar atrasado às pontas. Por isso, o central moderno precisa combinar altura e mobilidade.
Simón talvez seja um dos melhores exemplos dessa evolução: possui 2,08 m, mas sua explosão permite movimentos que normalmente seriam esperados de jogadores menores.
Os números modernos mudaram a maneira de avaliar bloqueadores
As estatísticas disponíveis nas grandes competições permitem análises muito mais detalhadas do que décadas atrás.
No Mundial masculino de 2022, por exemplo, Bruno Lima Loser terminou com 17 bloqueios, enquanto Lucas Saatkamp, Flávio Gualberto e Mateusz Bieniek registraram 16 cada. Simón marcou 11 em apenas quatro partidas.
Em Paris 2024, Carol liderou o torneio feminino com 23 bloqueios. Thaisa apareceu com 20.
Esses números são úteis para comparar jogadores dentro da mesma competição.
O problema aparece quando alguém tenta transformá-los em um ranking histórico.
Regla Torres, Andrea Gardini e outras estrelas de gerações anteriores não tiveram todas as partidas registradas segundo os mesmos critérios utilizados nas bases modernas. Comparar totais absolutos criaria uma falsa precisão.
Por isso, títulos, premiações, domínio técnico e reconhecimento histórico continuam necessários.
Perguntas frequentes sobre os maiores bloqueadores do vôlei
Quem é considerado o maior bloqueador da história do vôlei?
Não existe uma escolha oficial da FIVB. Entre os homens, Robertlandy Simón é um dos candidatos mais fortes por reunir longevidade, títulos e diversos prêmios de melhor bloqueador ou melhor central. Entre as mulheres, Regla Torres possui um currículo excepcional e foi eleita pela FIVB a melhor jogadora feminina do século XX.
Quem foi o melhor bloqueador brasileiro da história?
Não existe uma resposta definitiva. No masculino, Gustavo Endres e Lucas Saatkamp estão entre os principais candidatos. No feminino, Thaisa e Fabiana Claudino formam uma discussão igualmente forte. Thaisa chama atenção pela longevidade: em Paris 2024, aos 37 anos, ainda terminou com 20 pontos de bloqueio nos Jogos Olímpicos.
Qual jogador de vôlei tinha 2,18 metros?
Dmitriy Muserskiy mede 2,18 m e tornou-se um dos gigantes mais conhecidos do vôlei internacional. Campeão olímpico com a Rússia em Londres 2012, atuou como central e também como oposto. A combinação de altura, técnica e mobilidade fez dele um dos jogadores mais difíceis de enfrentar na rede.
Qual é a função do central no vôlei?
O central participa dos ataques rápidos pelo meio e é o principal responsável pelo sistema de bloqueio. Ele precisa acompanhar o levantador adversário, fechar ataques centrais e deslocar-se rapidamente para ajudar os jogadores das pontas. Como troca de posição com o líbero quando vai para o fundo da quadra, passa boa parte de sua atuação concentrado na rede.
Bloqueio conta como ponto no vôlei?
Sim. Quando o bloqueio impede o ataque e a bola cai diretamente na quadra adversária, a equipe marca um ponto. Nas estatísticas, a ação costuma ser registrada como ponto de bloqueio. Quando o bloqueador apenas toca na bola e sua equipe consegue continuar a jogada, não recebe o mesmo crédito estatístico, embora o toque possa ter sido decisivo.
Quem liderou os bloqueios no vôlei feminino em Paris 2024?
A brasileira Carol terminou os Jogos Olímpicos de Paris 2024 na liderança da estatística oficial, com 23 bloqueios. A americana Chiaka Ogbogu marcou 21, enquanto Anna Danesi, da Itália, e Thaisa, do Brasil, fizeram 20 cada. Os números mostram a força do bloqueio brasileiro naquela edição olímpica.
Altura é o fator mais importante para bloquear?
Ajuda muito, mas não resolve sozinha. Um grande bloqueador precisa interpretar o levantador, deslocar-se rapidamente, saltar no instante correto e posicionar bem braços e mãos. Um atleta mais baixo com excelente leitura pode superar um jogador mais alto que chega atrasado. Técnica e antecipação são tão importantes quanto centímetros.
Por que Robertlandy Simón é tão respeitado?
Simón conseguiu juntar características que raramente aparecem no mesmo jogador. Com 2,08 m, possui força e alcance de um central gigante, mas também velocidade e explosão. Foi premiado diversas vezes pelo desempenho no bloqueio e continuou competitivo perto dos 40 anos. Em 2026, a própria FIVB destacou seus 20 anos de atuação em alto nível.
Afinal, quem fica no topo?
Não existe um recorde histórico confiável que permita pegar uma planilha, somar todos os bloqueios e encerrar a discussão.
É justamente aí que o debate fica interessante.
Robertlandy Simón reúne argumentos para ser apontado como um dos bloqueadores mais dominantes do vôlei masculino moderno. Regla Torres possui um currículo que atravessa qualquer comparação: três ouros olímpicos, dois Mundiais, prêmios de melhor bloqueadora e o reconhecimento como melhor jogadora feminina do século XX. Thaisa acrescentou à discussão uma longevidade extraordinária, permanecendo entre as melhores da rede décadas depois de chegar à seleção brasileira.
Muserskiy impressionou pelo tamanho. Lucas transformou velocidade em arma. Fabiana ajudou a sustentar uma das maiores seleções femininas já montadas. Gardini e Giani representam uma Itália que definiu parte do vôlei masculino dos anos 1990.
O ponto em comum entre todos eles não está apenas na quantidade de bolas que fizeram voltar para o chão.
Os maiores bloqueadores conseguem algo mais difícil: fazem o atacante mudar a jogada antes mesmo de atacar.
E quando um jogador consegue controlar o adversário sem sequer tocar na bola, o bloqueio já começou a funcionar.
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