Você provavelmente já viu a cena centenas de vezes: o capitão levanta aquele troféu dourado para o céu, os confetes caem, e o mundo inteiro para. Mas já parou para pensar em quem criou a taça da Copa do Mundo? Quem foi o artista que desenhou o objeto mais desejado do futebol mundial?
A resposta leva até um escultor italiano chamado Silvio Gazzaniga, nascido em Milão em 1921. Um homem que a maioria das pessoas nunca ouviu falar, mas que deixou uma marca mais duradoura no futebol do que a maior parte dos jogadores que ergueram sua obra.
A história da taça que conhecemos hoje começa, na verdade, com uma perda — ou melhor, com uma entrega. Quando o Brasil ganhou o tricampeonato em 1970, o regulamento da FIFA determinava que a primeira seleção a conquistar três títulos ficaria com o troféu original para sempre. E foi exatamente isso que aconteceu. A Taça Jules Rimet foi para o Brasil, e a FIFA ficou sem prêmio para dar ao próximo campeão. Era preciso criar algo do zero.
Em 1971, a entidade lançou um concurso internacional e recebeu 53 propostas de artistas de sete países diferentes. Uma delas viria a se tornar o símbolo mais reconhecido do esporte.

A Origem da Taça da Copa do Mundo que Conhecemos Hoje
A Taça Jules Rimet: o troféu que veio antes
Antes de falar sobre quem criou a taça da Copa do Mundo atual, vale conhecer o que existia antes dela. Quando Jules Rimet, então presidente da FIFA, organizou o primeiro torneio mundial em 1930, havia um troféu para ser entregue ao campeão. Essa peça foi desenhada pelo escultor francês Abel Lafleur e representava a deusa grega da vitória, a Nike, erguida sobre um pedestal octogonal.
A taça tinha cerca de 35 centímetros de altura, era feita de prata banhada a ouro e, ao longo dos anos, ganhou uma base de lápis-lazúli onde os nomes dos países campeões eram gravados. Ela acompanhou o futebol por quatro décadas e sobreviveu até a uma tentativa de roubo durante a Copa de 1966, na Inglaterra, quando foi furtada e depois encontrada por um cachorro chamado Pickles, que farejou o embrulho abandonado em um parque de Londres.
Mas em 1970, essa história chegou ao fim. O Brasil ergueu o troféu em solo mexicano pela terceira vez e levou a peça original definitivamente para casa. Hoje, a Jules Rimet está desaparecida: foi roubada novamente no Rio de Janeiro em 1983 e nunca mais foi encontrada.
O concurso que escolheu Gazzaniga
Com a Jules Rimet perdida para o Brasil, a FIFA precisava agir rápido. Em 1971, a entidade abriu um concurso internacional com uma missão simples na teoria, mas complexa na prática: criar um objeto que representasse a grandeza do futebol, que fosse belo, que resistisse ao tempo e que simbolizasse o que significa ser campeão do mundo.
Cinquenta e três projetos chegaram de escultores espalhados pelo planeta. E o escolhido foi o de um milanês de 50 anos que trabalhava para uma empresa chamada Stabilimento Artistico Bertoni, em Paderno Dugnano, nos arredores de Milão.
Silvio Gazzaniga tinha estudado escultura nas escolas de arte de Milão, se especializado em ourivesaria no Castelo Sforzesco, e passado boa parte da carreira criando medalhas, troféus e decorações esportivas. Quando entrou no concurso da FIFA, já tinha décadas de experiência no ofício. Mas essa peça seria diferente de tudo que havia feito antes.
Como Gazzaniga Criou o Troféu Mais Famoso do Futebol
A proposta de Gazzaniga não tentava representar um jogador específico, um país ou um gesto técnico do futebol. Ele quis capturar algo mais amplo: o sentimento da vitória.
O escultor descreveu sua criação com uma frase que resume bem a intenção: “As linhas brotam da base, subindo em espirais, estendendo-se para receber o mundo. Das notáveis tensões dinâmicas do corpo compacto da escultura, surgem as figuras de dois atletas no emocionante momento da vitória.”
O resultado é uma peça onde duas figuras humanas estilizadas sobem em espiral e, no topo, sustentam o planeta Terra com os braços erguidos. Não há rostos, não há uniformes, não há nada que identifique uma nação específica. A ideia era que qualquer pessoa do mundo pudesse se ver naquelas figuras.
A FIFA aprovou o projeto, e a peça foi produzida pela própria Bertoni. O troféu foi apresentado ao mundo em 1974, ano em que a Copa do Mundo foi sediada na Alemanha Ocidental. A primeira seleção a erguer a nova taça foi justamente a Alemanha Ocidental, que venceu a Holanda na final por 2 a 1.
Os materiais que fazem o troféu valer muito mais do que ouro
Fisicamente, a taça é uma obra impressionante. Ela mede 36,8 centímetros de altura, tem 13 centímetros de diâmetro na base e pesa 6,175 quilogramas. Tudo feito em ouro maciço de 18 quilates.
Na parte inferior, a base tem duas faixas de malaquita verde, um mineral ornamental de coloração intensa que contrasta com o dourado da escultura. É nesses anéis da base que os nomes dos países campeões são gravados a cada edição, com o ano da conquista ao lado.
Um detalhe técnico interessante: o troféu não é completamente sólido. Se fosse, pesaria algo entre 70 e 80 quilogramas, tornando impossível erguê-lo na cerimônia de premiação. A peça é oca por dentro, o que permite aquele momento icônico que todo torcedor conhece de cor.

O Que Pouca Gente Sabe Sobre a Taça da Copa do Mundo
O campeão não leva o troféu para casa
Essa é uma das maiores surpresas para quem nunca pesquisou sobre o assunto. O troféu que os jogadores erguem na cerimônia de premiação é o troféu original, guardado pela FIFA. Mas ele não vai para casa com o campeão.
Desde 2006, a regra mudou: o país vencedor recebe uma réplica banhada a ouro para exibição. O original fica sob custódia da FIFA e é guardado no FIFA World Football Museum, em Zurique, com saídas controladas e acompanhamento rigoroso.
Antes disso, até 2006, o campeão ficava com o original por um período limitado antes de devolvê-lo. Mas nunca de forma permanente: a FIFA não quis repetir o que aconteceu com a Jules Rimet.
Quem pode tocar a taça
A FIFA tem uma lista bastante restrita de quem está autorizado a segurar o troféu original. O contato direto é permitido apenas para jogadores e comissão técnica campeões mundiais, chefes de Estado e dirigentes credenciados pela entidade. Fora desses contextos, a peça fica sob guarda institucional e seus deslocamentos são monitorados.
A base já está quase cheia
A base da taça tem espaço para gravar os nomes de campeões até a Copa da década de 2030. A FIFA já estuda alternativas para quando esse espaço acabar, seja uma nova placa metálica ou uma atualização no design, para que a criação de Gazzaniga possa continuar sendo usada por mais gerações.
A Alemanha lidera o placar da base
Se você observar os nomes gravados na malaquita da base, vai encontrar a Alemanha três vezes (1974, 1990 e 2014), o Brasil duas vezes (1994 e 2002), a Argentina duas vezes (1978 e 2022), a França duas vezes (1998 e 2018), e depois Itália (2006) e Espanha (2010). O Brasil ficou fora da lista entre 1970 e 1994, um intervalo de 24 anos que marcou toda uma geração de torcedores.
A réplica que os campeões recebem custa caro
As cópias entregues aos países vencedores são produzidas pela mesma empresa que fundiu o original nos anos 1970: a GDE Bertoni, em Paderno Dugnano, perto de Milão. O acabamento é premium, mas sem a base original de malaquita em sua plenitude. Ainda assim, são peças de altíssimo valor simbólico e monetário.
Gazzaniga criou outros troféus famosos
O escultor não ficou conhecido só pela taça da Copa do Mundo. Silvio Gazzaniga também criou o design da Taça da UEFA (hoje chamada de Europa League) e da Supercopa da UEFA, entre outros troféus esportivos. Uma carreira inteira dedicada a criar objetos que representam conquistas, mas nenhum deles chegou perto da fama que a taça da Copa do Mundo alcançou.
Gazzaniga morreu em 31 de outubro de 2016, aos 95 anos, em Milão. Sua cidade, sua escultura, sua história.
Perguntas Frequentes Sobre a Taça da Copa do Mundo
Quem criou a taça da Copa do Mundo?
O troféu atual foi criado pelo escultor italiano Silvio Gazzaniga, nascido em Milão em 1921. Gazzaniga venceu um concurso promovido pela FIFA em 1971, superando outros 52 projetos enviados por artistas de sete países diferentes. O troféu foi produzido pela empresa Stabilimento Artistico Bertoni e foi apresentado ao mundo na Copa do Mundo de 1974, na Alemanha Ocidental. Gazzaniga faleceu em 2016, aos 95 anos.
De que material é feita a taça da Copa do Mundo?
A taça é feita de ouro maciço de 18 quilates. Pesa 6,175 quilogramas, mede 36,8 centímetros de altura e tem 13 centímetros de diâmetro na base. A parte inferior conta com duas faixas de malaquita verde, um mineral ornamental que dá o contraste de cor à peça. O troféu é oco por dentro: se fosse sólido, pesaria entre 70 e 80 quilogramas, o que tornaria impossível erguê-lo.
O que a taça da Copa do Mundo representa?
O design mostra duas figuras humanas estilizadas que sobem em espiral e sustentam o planeta Terra com os braços erguidos. Gazzaniga quis representar o sentimento universal da vitória, sem rostos, sem uniformes, sem identidade nacional específica. A ideia era criar uma imagem que qualquer pessoa no mundo pudesse reconhecer como celebração e conquista.
O campeão da Copa do Mundo leva a taça para casa?
Não. Desde 2006, o país campeão recebe uma réplica banhada a ouro para exibição. O troféu original permanece sob custódia da FIFA e é guardado no FIFA World Football Museum, em Zurique. Antes de 2006, o vencedor ficava com o original por um período limitado antes de devolvê-lo, mas nunca de forma permanente.
Qual foi a primeira taça da Copa do Mundo?
A primeira taça foi a Taça Jules Rimet, criada pelo escultor francês Abel Lafleur para o torneio inaugural de 1930. Representava a deusa grega da vitória e foi usada até 1970. Quando o Brasil conquistou o tricampeonato, ficou com a peça definitivamente. A Jules Rimet foi roubada no Rio de Janeiro em 1983 e nunca foi recuperada.
Por que foi preciso criar uma nova taça em 1974?
Porque o regulamento original da FIFA determinava que a seleção que conquistasse três títulos mundiais ficaria com o troféu para sempre. O Brasil cumpriu essa condição ao vencer em 1958, 1962 e 1970. Com a Jules Rimet entregue definitivamente ao Brasil, a FIFA precisou criar um novo troféu para as edições seguintes, e foi aí que o concurso vencido por Gazzaniga aconteceu.
Quem mais pode tocar a taça original da Copa do Mundo?
Apenas jogadores e comissão técnica de seleções campeãs mundiais, chefes de Estado e dirigentes credenciados pela FIFA têm permissão para tocar o troféu original. Fora dessas ocasiões protocolares, a taça fica sob guarda institucional com deslocamentos monitorados. Aparições públicas acontecem em cerimônias de sorteio, abertura e finais de Copa, além de exposições em museus do futebol.

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