Quem são os maiores tenistas da história? Durante décadas, a resposta mudou conforme novos recordes eram quebrados. Pete Sampras encerrou a carreira com 14 títulos de Grand Slam, marca masculina que parecia extraordinária. Roger Federer chegou a 20. Rafael Nadal avançou para 22.
Então Novak Djokovic chegou a 24.
O sérvio não apenas possui o recorde masculino de Grand Slams em simples. Também passou 428 semanas como número 1, terminou oito temporadas no topo, conquistou 40 Masters 1000, sete ATP Finals e, aos 37 anos, ganhou o ouro olímpico que faltava em Paris-2024.
Os números fazem de Djokovic o candidato mais forte ao posto de maior tenista masculino da história.
Mas eles não encerram a discussão.
Rod Laver conquistou o Grand Slam de calendário duas vezes. Nadal construiu em Roland Garros um domínio sem paralelo entre os homens. Federer redefiniu vários recordes antes quebrados pelos próprios rivais.
E, quando homens e mulheres entram na mesma discussão, aparecem currículos igualmente extraordinários.
Serena Williams conquistou 23 majors na Era Aberta. Margaret Court tem 24 no total. Martina Navratilova acumulou 167 títulos de simples. Chris Evert venceu mais de 90% de suas partidas.
E Steffi Graf realizou em 1988 algo que nenhum outro tenista conseguiu repetir em simples: ganhou os quatro Grand Slams e o ouro olímpico na mesma temporada.
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Djokovic tem os números mais fortes da história masculina
Se o critério principal for combinar Grand Slams, liderança do ranking e grandes títulos, Novak Djokovic está à frente.
Seu currículo inclui:
24 Grand Slams;
428 semanas como número 1;
8 temporadas terminadas como número 1;
40 Masters 1000;
7 ATP Finals;
ouro olímpico em simples.
Os 24 majors estão distribuídos entre todos os quatro torneios:
10 Australian Opens;
3 Roland Garros;
7 Wimbledon;
4 US Opens.
Essa distribuição é importante.
Djokovic não construiu sua vantagem histórica dependendo exclusivamente de uma superfície ou torneio. Conseguiu completar o Career Grand Slam e vencer cada um dos quatro majors pelo menos três vezes.
Em 2024, acrescentou a peça que faltava.
Derrotou Carlos Alcaraz na final olímpica de Paris e completou o Career Golden Slam — os quatro majors e o ouro olímpico em simples ao longo da carreira.
Aos 37 anos.
As 428 semanas no topo colocam o recorde de Djokovic em outra dimensão
Grand Slams recebem mais atenção, mas existe um argumento especialmente forte a favor de Djokovic: a quantidade de tempo em que foi efetivamente o número 1 do planeta.
O ranking histórico da ATP mostra:
| Jogador | Semanas como nº 1 |
|---|---|
| Novak Djokovic | 428 |
| Roger Federer | 310 |
| Pete Sampras | 286 |
| Ivan Lendl | 270 |
| Jimmy Connors | 268 |
| Rafael Nadal | 209 |
Djokovic passou 118 semanas a mais no topo que Federer.
Isso equivale a mais de dois anos adicionais como número 1.
E há outro recorde: terminou oito temporadas na primeira posição, mais que qualquer homem desde a criação do ranking computadorizado da ATP.
Não mede apenas longevidade.
Mede quanto tempo um jogador conseguiu permanecer acima de todos os rivais.
Nadal venceu 14 vezes o mesmo Grand Slam
Se Djokovic apresenta o currículo masculino mais completo, Rafael Nadal possui talvez o recorde individual mais impressionante.
14 títulos de Roland Garros.
Nadal conquistou o torneio em:
2005, 2006, 2007, 2008, 2010, 2011, 2012, 2013, 2014, 2017, 2018, 2019, 2020 e 2022.
São 14 títulos em Paris dentro de seus 22 Grand Slams.
A concentração é tão extraordinária que produz uma comparação curiosa.
Pete Sampras terminou sua carreira inteira com 14 majors.
Nadal ganhou 14 vezes apenas Roland Garros.
Mas classificá-lo simplesmente como especialista no saibro também seria enganoso.
O espanhol conquistou dois Australian Opens, dois Wimbledon e quatro US Opens, além dos 14 Roland Garros. Também foi campeão olímpico de simples em Pequim-2008 e alcançou o número 1 do mundo, posição que ocupou por 209 semanas.
Terminou cinco temporadas como líder do ranking.
Federer foi o primeiro a levar a corrida para 20 Grand Slams
Antes de Djokovic e Nadal ultrapassarem a marca, Roger Federer transformou completamente os parâmetros da discussão.
Quando conquistou Wimbledon em 2009, chegou ao 15º Grand Slam e superou o recorde masculino de Pete Sampras.
Terminaria com 20.
Foram:
8 Wimbledon;
6 Australian Opens;
5 US Opens;
1 Roland Garros.
O título de Roland Garros de 2009 teve importância especial porque completou seu Career Grand Slam.
Federer ainda conquistou 103 títulos de nível ATP, venceu 1.251 partidas e passou 310 semanas como número 1.
Durante anos, outro de seus números pareceu inalcançável.
Entre fevereiro de 2004 e agosto de 2008, permaneceu 237 semanas consecutivas como número 1.
Djokovic superou Federer no total acumulado, mas não nessa sequência. As 237 semanas consecutivas continuam sendo recorde masculino.
Federer ainda é o maior vencedor masculino de Wimbledon
Existe outro recorde importante que sobreviveu à corrida do Big Three.
Federer conquistou oito títulos de Wimbledon.
Nenhum homem venceu mais.
Sua sequência começou em 2003 e teve cinco conquistas consecutivas até 2007. Depois ganhou novamente em 2009, 2012 e 2017.
Também venceu cinco US Opens consecutivos entre 2004 e 2008.
Esse domínio ajuda a explicar por que a discussão não se resume ao número final de majors.
Federer foi o jogador que primeiro rompeu os limites estatísticos da geração anterior e estabeleceu os números que Nadal e Djokovic passaram anos perseguindo.
O Big Three ganhou 66 Grand Slams
A dimensão da geração fica evidente quando os três currículos são somados.
Djokovic: 24
Nadal: 22
Federer: 20
Total: 66 títulos de Grand Slam em simples.
Durante boa parte desse período, cada um precisou conquistar seus títulos enfrentando diretamente os outros dois.
Isso torna a comparação particularmente complexa.
Federer tinha seis anos a mais que Djokovic e quase cinco a mais que Nadal. Portanto, os picos das três carreiras não coincidiram perfeitamente.
Mesmo assim, as sobreposições foram suficientes para produzir uma das eras mais competitivas da história do esporte.
Antes deles, Pete Sampras tinha um recorde que parecia inalcançável
Quando Pete Sampras encerrou a carreira depois de vencer o US Open de 2002, possuía 14 Grand Slams.
Era o recorde masculino.
O americano também terminou com 286 semanas como número 1 e conseguiu algo que nem Federer nem Djokovic posteriormente repetiram: encerrou seis temporadas consecutivas na liderança do ranking, entre 1993 e 1998.
Sampras ganhou sete Wimbledon, cinco US Opens e dois Australian Opens.
Sua grande ausência foi Roland Garros.
Nunca conquistou o saibro parisiense e, portanto, não completou o Career Grand Slam.
Ainda assim, quando se aposentou, seus 14 majors representavam uma marca tão elevada que levou anos para Federer alcançá-la.
Hoje, Sampras aparece apenas em quarto no ranking masculino da Era Aberta.
Não porque seu currículo tenha diminuído, mas porque os três jogadores seguintes empurraram os limites para uma escala completamente diferente.
Rod Laver fez duas vezes algo que Djokovic, Nadal e Federer nunca conseguiram
É aqui que comparar épocas começa a ficar complicado.
O australiano Rod Laver conquistou 11 títulos de Grand Slam.
Esse número é muito inferior aos 24 de Djokovic.
Mas Laver realizou algo que nenhum integrante do Big Three conseguiu.
Venceu os quatro principais torneios no mesmo ano.
E fez isso duas vezes:
1962 e 1969.
A conquista de 1969 possui peso particular porque aconteceu já na Era Aberta, quando profissionais podiam disputar os Grand Slams.
Existe ainda uma circunstância histórica decisiva.
Durante parte do auge de Laver, os profissionais eram impedidos de participar dos majors. Portanto, simplesmente comparar seus 11 títulos com os números modernos ignora anos em que ele não teve a oportunidade de disputar os torneios.
Por isso, Laver permanece inevitavelmente na discussão sobre os maiores mesmo mais de meio século depois de seu auge.
Serena Williams ganhou 23 Grand Slams na Era Aberta
Entre as mulheres, Serena Williams construiu um dos currículos mais poderosos da história.
Foram 23 títulos de Grand Slam em simples, recorde feminino da Era Aberta.
A distribuição também mostra sua versatilidade:
7 Australian Opens;
3 Roland Garros;
7 Wimbledon;
6 US Opens.
Serena passou 319 semanas como número 1 e permaneceu 186 semanas consecutivas no topo, igualando a sequência recorde de Steffi Graf entre as mulheres.
Também conquistou quatro ouros olímpicos: um em simples e três nas duplas com Venus Williams.
Talvez o aspecto mais extraordinário tenha sido a duração.
Seu primeiro Grand Slam de simples veio no US Open de 1999.
O 23º aconteceu no Australian Open de 2017.
São quase 18 anos separando o primeiro do último major.
Margaret Court tem 24 majors, mas o número exige contexto
No ranking histórico absoluto de Grand Slams, Margaret Court e Novak Djokovic aparecem com 24 títulos de simples cada.
Court conquistou:
11 Australian Opens;
5 Roland Garros;
3 Wimbledon;
5 US Opens.
Mas há uma diferença histórica importante.
Parte significativa da carreira da australiana ocorreu antes do início da Era Aberta, em 1968, quando o tênis ainda separava competições amadoras e profissionais.
Por isso, comparar diretamente os 24 títulos de Court com os 23 de Serena exige cuidado.
Não significa que um número deva ser descartado.
Significa que foram obtidos em estruturas competitivas diferentes.
Court também realizou o Grand Slam de calendário em 1970, vencendo os quatro majors naquela temporada.
Steffi Graf fez em 1988 algo que continua único
Se existe uma temporada candidata a maior da história do tênis, 1988 precisa estar no centro da discussão.
Steffi Graf ganhou:
Australian Open;
Roland Garros;
Wimbledon;
US Open;
ouro olímpico em Seul.
Nascia o Golden Slam.
Nenhum outro jogador ou jogadora repetiu a conquista em simples dentro do mesmo ano.
Graf terminou a carreira com 22 Grand Slams.
Mas há outro número ainda mais impressionante.
Passou 377 semanas como número 1, recorde feminino, e encerrou oito temporadas na liderança.
Ela também é a única tenista, homem ou mulher, a conquistar cada um dos quatro Grand Slams pelo menos quatro vezes.
É um argumento enorme a favor de sua candidatura ao posto de maior jogadora da história.
Navratilova ganhou 167 títulos — ninguém conseguiu mais
Martina Navratilova oferece outro tipo de currículo.
Se o critério for quantidade de torneios conquistados, seu número é quase absurdo.
167 títulos de simples.
É o recorde histórico registrado pela WTA. Ela ainda conquistou 177 títulos de duplas.
Em simples, foram 18 Grand Slams.
Nove vieram em Wimbledon — outro recorde.
Navratilova passou 332 semanas como número 1, atrás apenas das 377 de Graf no ranking feminino.
Sua carreira também mostra uma longevidade incomum: atravessou diferentes gerações e permaneceu competitiva durante décadas.
Considerando simples e duplas conjuntamente, poucos currículos na história do tênis conseguem competir com o seu.
Chris Evert venceu mais de 90% das partidas que disputou
Chris Evert terminou empatada com Navratilova em Grand Slams de simples: 18 para cada uma.
Mas existe uma estatística que resume sua consistência.
A WTA registra 1.304 vitórias e 144 derrotas, aproveitamento de 90,09%, apontado pela entidade como o maior da história do tênis profissional.
Evert também chegou pelo menos às semifinais em 34 Grand Slams consecutivos.
Em Roland Garros, conquistou sete títulos, recorde feminino do torneio.
Sua rivalidade com Navratilova virou uma competição dentro da própria história do esporte.
Elas se enfrentaram 80 vezes.
Navratilova venceu 43; Evert, 37.
Sessenta desses encontros foram finais.
Durante quase 12 anos, uma ou outra ocupou a liderança do ranking em 592 de 615 semanas.
Poucas rivalidades dominaram um esporte por tanto tempo.
Quem são, então, os maiores tenistas da história?
Não existe um ranking oficial capaz de resolver a discussão. Comparar Laver com Djokovic ou Graf com Serena exige considerar mudanças de equipamentos, superfícies, calendário, regras, preparação física e estrutura do circuito.
Mas títulos, domínio, longevidade e recordes permitem formar um grupo histórico:
| Tenista | Principais números |
|---|---|
| Novak Djokovic | 24 Slams, 428 semanas nº 1, ouro olímpico |
| Steffi Graf | 22 Slams, 377 semanas nº 1, Golden Slam |
| Serena Williams | 23 Slams, 319 semanas nº 1, 4 ouros olímpicos |
| Roger Federer | 20 Slams, 310 semanas nº 1, 8 Wimbledon |
| Rafael Nadal | 22 Slams, recorde de 14 Roland Garros |
| Martina Navratilova | 18 Slams, 167 títulos, 9 Wimbledon |
| Rod Laver | 11 Slams e dois Grand Slams de calendário |
| Chris Evert | 18 Slams e 90,09% de vitórias |
| Margaret Court | Recorde histórico de 24 Slams femininos |
| Pete Sampras | 14 Slams e seis temporadas seguidas como nº 1 |
A ordem inevitavelmente muda conforme o peso atribuído a cada critério.
Mas os números atuais deixam uma conclusão mais objetiva no masculino.
Djokovic possui mais Grand Slams que Federer e Nadal, mais semanas como número 1 que qualquer homem e completou o Career Golden Slam.
Entre as mulheres, a discussão permanece mais aberta.
Serena possui o recorde de majors da Era Aberta; Graf tem mais semanas no topo e o Golden Slam; Court possui 24 majors considerando todas as eras; Navratilova apresenta uma combinação excepcional de simples, duplas e longevidade.
Alcaraz e Sinner já começaram a perseguir números que pareciam impossíveis
A lista histórica ainda não está fechada.
A geração posterior ao Big Three já começou a acumular marcas importantes. Em 2026, Carlos Alcaraz tornou-se o homem mais jovem a completar o Career Grand Slam, enquanto Jannik Sinner conquistou Wimbledon.
Isso não os coloca ainda no mesmo patamar histórico de Djokovic, Federer ou Nadal.
Mostra, porém, como funciona a disputa pelo posto de maior de todos os tempos.
Sampras chegou a 14 majors e parecia ter estabelecido um limite. Federer levou esse número a 20. Nadal alcançou 22. Djokovic chegou a 24.
Agora existe uma geração inteira que já sabe exatamente onde está a linha que precisa ultrapassar.
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