Tem um número que ainda causa espanto em qualquer roda de conversa sobre futebol: 222 milhões de euros. Foi esse o valor pago pelo PSG para tirar Neymar do Barcelona em 2017, e até hoje nenhum clube conseguiu bater essa marca. Quando o assunto é jogadores mais caros da história do futebol, é praticamente impossível não começar por aí, porque aquela transferência mudou a régua de tudo o que veio depois.
Antes de 2017, um valor acima de 100 milhões de euros já era motivo de manchete em todo o mundo. Depois do negócio de Neymar, esse patamar virou quase padrão para grandes contratações envolvendo jovens promessas ou craques consagrados. Não é exagero dizer que aquele verão reescreveu as regras do mercado europeu.
Mas por que isso acontece? Por que um time paga uma fortuna dessas por um único atleta, sabendo que existe risco de lesão, de má fase, de adaptação difícil a outro país? A resposta passa por vários fatores: potencial de faturamento com camisas e patrocínios, disputa direta entre clubes ricos, pressão de torcida por resultado imediato e, claro, a corrida para não deixar o rival levar a joia da vez. Neste texto você vai entender como esse mercado bilionário funciona, quem está no topo do ranking e o que poucos torcedores sabem sobre os bastidores dessas negociações.
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Como surgiu o mercado das transferências milionárias
Duas décadas atrás, uma transferência de 50 milhões de euros já era considerada astronômica. Zinedine Zidane saiu da Juventus rumo ao Real Madrid em 2001 por cerca de 77,5 milhões de euros, valor que na época soou quase surreal e que serviu de referência para o mercado por vários anos.
O salto seguinte veio com Cristiano Ronaldo, negociado entre Manchester United e Real Madrid em 2009 por 94 milhões de euros. Foi a primeira vez que um clube pagou tão perto da casa dos 100 milhões, e o mundo do futebol entendeu que aquele número deixaria de ser tabu muito em breve.
Foi exatamente isso que aconteceu. Gareth Bale trocou o Tottenham pelo Real Madrid em 2013 por valor próximo de 100 milhões de euros, e a partir dali os clubes ingleses, espanhóis e franceses passaram a disputar contratações com orçamentos cada vez mais agressivos.
O ponto de virada mesmo veio em 2017. O PSG, injetado de recursos vindos do fundo catari que controla o clube, decidiu pagar a multa rescisória de Neymar no Barcelona: 222 milhões de euros, à vista, em um único negócio. Um ano depois, o mesmo PSG contratou Kylian Mbappé junto ao Monaco por cerca de 180 milhões de euros, consolidando o clube francês como o novo gigante do mercado de transferências.
De lá para cá, o cenário só se intensificou. Clubes ingleses embolsaram bilhões vindos dos direitos de transmissão da Premier League e passaram a competir de igual para igual com PSG e Real Madrid. Foi assim que nomes como Alexander Isak, Florian Wirtz e Enzo Fernández entraram para a lista das negociações mais caras já registradas, todos eles contratados por clubes da Inglaterra em anos recentes.
O ranking dos jogadores mais caros da história do futebol
Antes de mostrar a lista, vale um esclarecimento rápido: os valores abaixo são as taxas de transferência pagas por clube ao clube vendedor, sem contar bônus por metas, salário do jogador ou comissões de empresários. É esse o critério padrão usado por veículos como o próprio Transfermarkt para montar rankings de jogadores mais caros da história do futebol.
- Neymar — Barcelona para PSG, 2017, cerca de 222 milhões de euros
- Kylian Mbappé — Monaco para PSG, 2018, cerca de 180 milhões de euros
- Alexander Isak — Newcastle para Liverpool, 2025, cerca de 150 milhões de euros
- Ousmane Dembélé — Borussia Dortmund para Barcelona, 2017, cerca de 148 milhões de euros
- Philippe Coutinho — Liverpool para Barcelona, 2018, cerca de 135 milhões de euros
- João Félix — Benfica para Atlético de Madrid, 2019, cerca de 127 milhões de euros
- Jude Bellingham — Borussia Dortmund para Real Madrid, 2023, cerca de 127 milhões de euros
- Florian Wirtz — Bayer Leverkusen para Liverpool, 2025, cerca de 125 milhões de euros
- Enzo Fernández — Benfica para Chelsea, 2023, cerca de 121 milhões de euros
- Eden Hazard — Chelsea para Real Madrid, 2019, cerca de 120 milhões de euros
Repare em um detalhe curioso: seis dos dez negócios dessa lista aconteceram nos últimos três anos. Isso mostra que o mercado não deu sinal de desaceleração, muito pelo contrário. A janela europeia de 2025 sozinha colocou dois nomes novos entre os dez mais caros de sempre, Isak e Wirtz, ambos rumo à Premier League.
Também chama atenção que oito dos dez jogadores dessa lista tinham menos de 25 anos no momento da contratação. Isso não é coincidência: clubes preferem cada vez mais investir em atletas jovens, porque existe a chance de revenda futura com lucro, algo praticamente impossível quando o jogador já passou dos 28 anos.
O que pouca gente sabe sobre os jogadores mais caros da história do futebol
Um detalhe que costuma escapar da maioria dos torcedores é que Kylian Mbappé, hoje no Real Madrid, chegou ao clube espanhol em 2024 sem custo de transferência, já que seu vínculo com o PSG havia terminado. Ou seja, o francês está entre os jogadores mais caros da história em uma negociação, mas na sua contratação mais recente o Real Madrid não pagou nada ao PSG, apenas assumiu o salário e o valor pago ao próprio atleta como luvas de assinatura.
Outra curiosidade envolve Neymar. O valor de 222 milhões de euros corresponde exatamente à cláusula de rescisão que o Barcelona havia colocado no contrato do brasileiro anos antes, sem imaginar que algum clube um dia teria caixa suficiente para pagar essa quantia à vista. O PSG conseguiu.
Tem ainda o caso de Philippe Coutinho, que ilustra bem como esse mercado pode ser cruel. Comprado por 135 milhões de euros, o brasileiro nunca conseguiu repetir no Barcelona o futebol que apresentava em Liverpool, e acabou sendo emprestado e depois vendido por uma fração do valor pago originalmente. É um lembrete de que pagar caro não garante retorno em campo.
Vale lembrar também que esses números costumam ser reajustados com o tempo, porque muitas negociações incluem bônus por título conquistado, gols marcados ou permanência no clube por determinado período. Isso significa que o valor final de um negócio, às vezes, só fica claro anos depois da assinatura do contrato.
E existe outro ponto que gera confusão constante entre os torcedores: valor de mercado e valor de transferência não são a mesma coisa. O valor de mercado, calculado por plataformas como Transfermarkt e CIES Football Observatory, é uma estimativa de quanto um jogador valeria numa negociação hipotética, considerando idade, desempenho e tempo de contrato. Já o valor de transferência é o que realmente foi pago em um negócio fechado. Por isso, jovens como Lamine Yamal aparecem no topo dos rankings de valor de mercado sem nunca terem sido efetivamente vendidos por esse preço.
Perguntas frequentes
Quem é o jogador mais caro da história do futebol?
Neymar segue sendo o jogador mais caro da história do futebol, contratado pelo PSG junto ao Barcelona em 2017 por 222 milhões de euros. O valor nunca foi superado por outra transferência, mesmo com a inflação constante do mercado europeu nos últimos anos.
Por que Mbappé não é considerado o jogador mais caro se ele também está no topo?
Mbappé aparece na segunda posição do ranking histórico pela transferência de 2018, quando saiu do Monaco rumo ao PSG por 180 milhões de euros. Sua saída mais recente, para o Real Madrid, não conta como recorde de transferência porque aconteceu sem custo, já que seu contrato havia se encerrado.
Qual foi a transferência mais cara envolvendo um clube inglês?
A contratação de Alexander Isak pelo Liverpool, junto ao Newcastle, em 2025, por cerca de 150 milhões de euros, é a mais cara já feita por um clube da Premier League e a terceira maior da história do futebol mundial.
Os valores de transferência incluem o salário do jogador?
Não. O valor de transferência corresponde apenas à quantia paga pelo clube comprador ao clube vendedor pelos direitos do atleta. Salário, luvas de assinatura e comissões de empresários são negociados separadamente e não entram nesse número.
Existe alguma tendência entre os jogadores mais caros da história do futebol?
Sim. A maioria das transferências mais caras envolve atletas jovens, geralmente entre 20 e 25 anos, contratados por clubes ingleses ou pelo PSG. Isso reflete uma estratégia de investir em jogadores com potencial de valorização futura, e não apenas em nomes já consagrados.
O recorde de Neymar pode ser quebrado em breve?
É possível. O mercado de transferências vem crescendo ano após ano, puxado principalmente pelo poder financeiro da Premier League e por clubes como PSG e Real Madrid. Se algum jovem talento despontar de forma parecida com o que aconteceu com Mbappé ou Haaland, um novo recorde não seria surpresa.
Por que jogadores como Cristiano Ronaldo e Messi não aparecem no topo desse ranking?
Nenhuma das transferências de Cristiano Ronaldo ou Messi ao longo da carreira ultrapassou os valores pagos por Neymar, Mbappé ou os nomes mais recentes da lista. A saída de Ronaldo do Manchester United para o Real Madrid, em 2009, custou 94 milhões de euros, valor alto para a época, mas distante dos números vistos atualmente.
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