Ganhar uma Olimpíada já coloca um jogador de vôlei em um grupo restrito. Ganhar três vezes é uma façanha que, no vôlei de quadra, pertence essencialmente a uma geração: a seleção feminina de Cuba dos anos 1990.

Regla Bell, Marlenis Costa, Mireya Luis e Regla Torres foram campeãs em Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sydney 2000. As quatro aparecem no topo do levantamento histórico da Olympedia, com três medalhas de ouro cada.

Há ainda um caso que exige uma explicação: Ana Ivis Fernández. A Volleyball World a reconhece como dona de três ouros — 1992, 1996 e 2000 — e um bronze, em 2004, o que faria dela a atleta mais medalhada daquela geração cubana. A Olympedia, porém, registra Fernández como não participante em quadra em Barcelona e contabiliza oficialmente duas medalhas de ouro e um bronze.

Quando o vôlei de praia é incluído na história olímpica do esporte, aparecem outros três tricampeões: os americanos Karch Kiraly, Misty May-Treanor e Kerri Walsh Jennings. E Kiraly possui uma marca que ninguém mais conseguiu repetir: foi campeão olímpico tanto na quadra quanto na areia.

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Cuba conseguiu algo que nenhuma outra seleção feminina repetiu

A origem do recorde está em uma das dinastias mais impressionantes dos esportes coletivos.

Cuba conquistou o ouro feminino em Barcelona 1992, repetiu o título em Atlanta 1996 e completou o tricampeonato consecutivo em Sydney 2000.

Foi justamente a permanência de parte da base da equipe durante essas três campanhas que produziu quatro tricampeãs olímpicas reconhecidas sem controvérsia estatística: Regla Bell, Marlenis Costa, Mireya Luis e Regla Torres.

O feito ganha dimensão quando se observa toda a história do torneio feminino. O vôlei está no programa olímpico desde Tóquio 1964, e nenhuma outra geração feminina conseguiu produzir jogadoras com três títulos consecutivos na modalidade de quadra.

Regla Torres, por exemplo, ganhou exatamente três medalhas olímpicas durante a carreira.

As três eram de ouro.

Ela foi campeã aos 17 anos em Barcelona, voltou ao topo do pódio em Atlanta e encerrou a sequência em Sydney.

Afinal, Ana Fernández tem três ou dois ouros olímpicos?

Aqui existe uma peculiaridade nas bases históricas.

A Volleyball World, plataforma ligada à entidade internacional da modalidade, coloca Ana Fernández no topo da relação feminina com três ouros e um bronze: Barcelona 1992, Atlanta 1996 e Sydney 2000, além do terceiro lugar em Atenas 2004.

Seu nome também aparece relacionado à equipe cubana campeã de Barcelona em registros históricos.

A Olympedia adota outro critério. Sua ficha registra Fernández como DNS (did not start) em 1992 e, por isso, contabiliza apenas os ouros de Atlanta e Sydney e o bronze de Atenas: três medalhas no total.

Por isso, rankings dos maiores medalhistas do vôlei podem apresentar números diferentes para a cubana.

Considerando a contabilização usada pela Volleyball World e registros que incluem Fernández entre as campeãs de Barcelona, ela teria quatro medalhas, três delas de ouro, tornando-se simultaneamente tricampeã e uma das atletas com mais pódios olímpicos da modalidade.

Ana Yvis

No masculino, ninguém ganhou três ouros apenas no vôlei de quadra

A história masculina apresenta uma diferença importante.

Até Paris 2024, o recorde individual no vôlei masculino de quadra é de dois títulos olímpicos.

O grupo ficou maior depois que a França conquistou consecutivamente Tóquio 2020 e Paris 2024. Benjamin Toniutti, Earvin Ngapeth, Jénia Grebennikov, Kévin Tillie, Nicolas Le Goff, Antoine Brizard, Barthélémy Chinenyeze, Jean Patry, Trévor Clévenot e Yacine Louati aparecem entre os bicampeões.

Antes deles, jogadores de diferentes gerações já haviam alcançado dois ouros, entre eles os brasileiros Giovane Gávio e Maurício Lima, campeões em Barcelona 1992 e Atenas 2004.

Karch Kiraly também ganhou duas vezes na quadra, em 1984 e 1988.

Mas foi buscar seu terceiro ouro em outro lugar.

Karch Kiraly ganhou na quadra, mudou para a praia e fez algo único

Karch Kiraly foi campeão com os Estados Unidos no torneio masculino de Los Angeles 1984 e voltou a ganhar quatro anos depois, em Seul 1988.

O terceiro título veio oito anos mais tarde.

Quando o vôlei de praia estreou no programa olímpico em Atlanta 1996, Kiraly formou dupla com Kent Steffes e conquistou o ouro.

Assim, terminou a carreira com três ouros olímpicos: dois no vôlei de quadra e um no vôlei de praia.

É uma combinação que permanece única.

Kiraly é o único atleta a conquistar o ouro olímpico nas duas disciplinas.

Sua relação com o topo do pódio ainda ganhou outro capítulo décadas depois. Como treinador da seleção feminina dos Estados Unidos, comandou o país no primeiro título olímpico feminino de sua história, em Tóquio 2020.

Ou seja: Kiraly conquistou três ouros como jogador em duas versões diferentes do vôlei e depois voltou a ser campeão olímpico como técnico.

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Misty May-Treanor e Kerri Walsh Jennings dominaram três Jogos seguidos

Se a geração cubana fez o tricampeonato na quadra, uma dupla americana repetiu a sequência na areia.

Misty May-Treanor e Kerri Walsh Jennings foram campeãs do vôlei de praia feminino em Atenas 2004, Pequim 2008 e Londres 2012.

As duas, portanto, possuem três medalhas de ouro olímpicas cada.

Walsh Jennings ainda conquistou o bronze na Rio 2016. Com isso, chegou a quatro medalhas olímpicas, três de ouro e uma de bronze.

Nenhuma mulher conquistou mais ouros olímpicos no vôlei de praia.

Entre os homens da praia, a situação é bem diferente: até Paris 2024, nenhum atleta havia conquistado mais de um ouro.

Serginho não tem três ouros, mas possui um recorde brasileiro

Quando o critério deixa de ser quantidade de títulos e passa a ser total de medalhas no vôlei de quadra, surge um brasileiro no topo.

Sérgio Dutra Santos, o Serginho, disputou quatro finais olímpicas consecutivas com o Brasil.

Foram dois ouros e duas pratas:

Atenas 2004 — ouro
Pequim 2008 — prata
Londres 2012 — prata
Rio 2016 — ouro

São quatro medalhas em quatro Olimpíadas.

A Olympedia coloca Serginho como o jogador masculino com mais medalhas na história do vôlei olímpico de quadra: 2 ouros e 2 pratas.

A última delas teve peso especial. Aos 40 anos, ele participou da campanha do título brasileiro na Rio 2016 e foi eleito o MVP do torneio olímpico, além de melhor líbero.

Brasil tem cinco ouros olímpicos no vôlei de quadra

Individualmente, as cubanas dominam o ranking de títulos. Por países, porém, a história é diferente.

Considerando apenas o vôlei de quadra até Paris 2024, a antiga União Soviética permanece como a maior campeã olímpica, com sete títulos.

O Brasil aparece em seguida, com cinco ouros, além de quatro pratas e três bronzes. Os Estados Unidos possuem quatro títulos.

Os cinco ouros brasileiros vieram em momentos distintos:

no masculino, Barcelona 1992, Atenas 2004 e Rio 2016;

no feminino, Pequim 2008 e Londres 2012.

Isso ajuda a explicar por que o Brasil possui vários bicampeões olímpicos, embora nenhum brasileiro tenha chegado a três títulos como jogador.

Além de Giovane e Maurício no masculino, integrantes da geração feminina campeã em 2008 e 2012 também conquistaram dois ouros.

Quem são, então, os maiores campeões olímpicos do vôlei?

Se a pergunta considerar exclusivamente ouro no vôlei de quadra, o recorde reconhecido pela Olympedia pertence às quatro cubanas que atravessaram o tricampeonato de 1992 a 2000:

Regla Bell — 3 ouros
Marlenis Costa — 3 ouros
Mireya Luis — 3 ouros
Regla Torres — 3 ouros
.

A Volleyball World também coloca Ana Fernández com três ouros, embora exista a divergência estatística sobre Barcelona 1992.

Se forem consideradas conjuntamente as modalidades olímpicas de quadra e praia, Karch Kiraly, Misty May-Treanor e Kerri Walsh Jennings também possuem três títulos.

E existem duas maneiras diferentes de definir o maior brasileiro.

Em quantidade de ouros, vários jogadores dividem o topo com dois títulos. Em número total de medalhas no vôlei masculino de quadra, ninguém supera Serginho: foram quatro pódios em quatro edições consecutivas.

A diferença mostra por que simplesmente contar medalhas não conta toda a história. Cuba produziu a geração feminina que acumulou mais títulos individuais; Kiraly atravessou quadra e praia para chegar ao terceiro ouro; e Serginho construiu seu recorde chegando a quatro finais olímpicas consecutivas.

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