Qual o mascote do Palmeiras? Essa pergunta divide opinião até entre quem torce para o alviverde há décadas. A resposta certa, no entanto, não exige escolher um lado: o mascote do Palmeiras é o Periquito, oficialmente adotado em 1917, mas o Porco também carrega esse título desde 2016, quando o clube reconheceu de vez o bicho que a torcida já tratava como símbolo havia trinta anos.

O curioso é que os dois animais têm origens completamente opostas. O Periquito nasceu de uma escolha consciente, quase estética, ligada à cor do uniforme do clube. O Porco, ao contrário, começou como ofensa. Foi um apelido pejorativo criado por rivais, carregado de peso histórico e político, que a torcida palmeirense resolveu virar a favor dela mesma décadas depois.

Entender essa dualidade é entender um pedaço importante da identidade do Palmeiras. Não é todo clube que carrega dois símbolos tão diferentes, um suave e outro provocador, e ainda consegue fazer os dois conviverem sem conflito nas arquibancadas. Neste texto você vai descobrir de onde vem cada um desses mascotes, como eles se tornaram oficiais e uma série de detalhes que costumam escapar até de quem se considera fã de curiosidades do futebol brasileiro.

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Como Surgiu o Mascote do Palmeiras

A história começa em 1914, ano de fundação do clube, então batizado de Palestra Itália, fundado por imigrantes italianos em São Paulo. Três anos depois, em 1917, a diretoria decidiu adotar o verde como cor principal do uniforme. Foi essa escolha de cor que abriu caminho para o primeiro mascote da história do clube.

Os torcedores queriam uma ave tipicamente brasileira para representar o time, algo que reforçasse a identidade nacional de um clube fundado por descendentes de italianos. O periquito surgiu como escolha natural, e não por acaso: a espécie era comum nos arredores do Parque Antártica, antigo estádio e sede do Palmeiras, onde os bosques abrigavam boa quantidade desses pássaros verdes. A ligação ficou ainda mais forte quando cronistas esportivos da época associaram o Periquito ao trecho do hino do clube que diz “que sabe ser brasileiro”, reforçando a ideia de brasilidade que o mascote carregava desde o início.

O Porco tem uma origem completamente diferente, e bem menos gentil. Durante a Segunda Guerra Mundial, o Brasil entrou em conflito contra os países do Eixo, entre eles a Itália fascista de Mussolini. Como o Palestra Itália era um clube de raízes italianas, os rivais passaram a usar essa associação como forma de provocação, chamando os torcedores do time de “porcos” numa referência pejorativa ao governo fascista italiano daquele período. O clube, inclusive, precisou mudar de nome nessa época, deixando de ser Palestra Itália para se tornar Sociedade Esportiva Palmeiras.

O apelido ganhou ainda mais força em 1969, num episódio conhecido entre os torcedores mais antigos: o Palmeiras foi o único clube a votar contra a inscrição de dois jogadores do Corinthians para substituir Lidu e Eduardo, ambos mortos num acidente de carro. A decisão gerou revolta entre os corintianos, que passaram a usar o apelido “porco” com ainda mais intensidade nos anos seguintes.

Como o mascote do Palmeiras virou motivo de orgulho

A virada de chave aconteceu em 1983. João Roberto Gobbato, então diretor de marketing do clube, teve uma ideia que parecia arriscada na época: em vez de continuar incomodado com a ofensa, por que não transformar o porco num símbolo positivo? A diretoria do Palmeiras não recebeu bem a proposta de cara. Mas a torcida pensou diferente.

Em 1986, durante uma partida contra o Santos pelo Campeonato Brasileiro, os torcedores do Palmeiras começaram a cantar “E dá-lhe Porco, e dá-lhe Porco, olê, olê, olê!”, abraçando de vez o apelido que antes servia como insulto. No mesmo ano, a revista Placar, então a maior publicação de futebol do país, colocou na capa o meia palmeirense Jorginho Putinatti posando com um leitão no colo, numa edição de 10 de novembro de 1986 que ajudou a eternizar a imagem do porco como parte da identidade alviverde.

De lá pra cá o bicho só cresceu dentro do clube. Trinta anos depois daquele grito nas arquibancadas, em 2016, o Palmeiras oficializou o Porco como mascote, batizando-o de “Porco Gobbato” em homenagem ao diretor que teve a ideia original. Desde então, o Verdão passou a contar oficialmente com dois mascotes: o Periquito, símbolo mais antigo e ligado à brasilidade do clube, e o Porco Gobbato, representando a resistência da torcida diante das provocações históricas.

O Que Pouca Gente Sabe sobre o Mascote do Palmeiras

Tem detalhe nessa história que passa despercebido até para o torcedor mais dedicado. O primeiro deles é justamente a data de nascimento do Periquito: muita gente associa o mascote aos anos 40, período em que o clube mudou de nome, mas na verdade o pássaro já era usado pelos torcedores desde 1917, ainda na época do Palestra Itália, quase trinta anos antes da mudança para Palmeiras.

Outro ponto curioso é que o processo de “adoção” do Porco levou mais de trinta anos para se completar oficialmente. Gobbato teve a ideia em 1983, a torcida abraçou o grito em 1986, mas o clube só carimbou o mascote como oficial em 2016. Foram três décadas de um símbolo não-oficial convivendo, com toda naturalidade, ao lado do Periquito nas arquibancadas.

Existe ainda uma camada histórica que poucos torcedores conhecem: o apelido “porco” ganhou força justamente num momento sensível da história mundial, ligado à Segunda Guerra Mundial e à associação do clube com a Itália fascista. É um caso raro no futebol brasileiro em que um mascote carrega, de forma direta, uma referência a um episódio político internacional tão específico.

E tem mais um capítulo dessa história que segue rendendo discussão até hoje: episódios de rivalidade envolvendo o Porco continuam acontecendo em clássicos contra o Corinthians. Em jogos recentes, torcedores rivais já jogaram objetos com referência ao animal dentro de campo, numa tentativa de usar o mascote como provocação — a mesma lógica de décadas atrás, só que invertida, já que hoje é justamente esse símbolo que o Palmeiras carrega com orgulho.

Periquito ou Porco: Qual é o Mascote Oficial do Palmeiras

Se você chegou até aqui só atrás de uma resposta direta, aqui está ela: os dois são mascotes oficiais do Palmeiras. O Periquito tem o título de primeiro mascote da história do clube, adotado em 1917. O Porco Gobbato é o segundo, oficializado em 2016, mas presente na cultura da torcida desde 1986.

Na prática, o Porco se tornou o símbolo mais forte e mais visível do clube nas últimas décadas, presente em bandeiras, camisas, memes e no vocabulário do dia a dia dos torcedores. O Periquito, apesar de ser o mais antigo, ocupa um espaço mais discreto, mais ligado à tradição e à tal identidade brasileira que os fundadores do clube queriam reforçar lá em 1917. Os dois convivem sem briga interna, cada um representando um pedaço diferente da história do Palmeiras.

Perguntas Frequentes sobre o Mascote do Palmeiras

Qual é o mascote oficial do Palmeiras: o porco ou o periquito?

Os dois são mascotes oficiais. O Periquito foi o primeiro, adotado em 1917, ligado à cor verde do uniforme e à ideia de brasilidade do clube. O Porco Gobbato se tornou mascote oficial só em 2016, apesar de já ser adotado pela torcida desde 1986.

Por que o Palmeiras é chamado de porco?

O apelido nasceu como ofensa de torcedores rivais, principalmente após a Segunda Guerra Mundial, associando o clube, de raízes italianas, ao governo fascista de Mussolini. Um episódio de 1969, envolvendo uma polêmica votação sobre jogadores do Corinthians, também reforçou o uso pejorativo do termo ao longo dos anos seguintes.

Quando o porco virou mascote oficial do Palmeiras?

O porco foi oficializado como mascote em 2016, recebendo o nome de Porco Gobbato em homenagem a João Roberto Gobbato, diretor de marketing que propôs a ideia ainda em 1983. Antes disso, o animal já era adotado informalmente pela torcida desde 1986.

Quem criou o mascote Porco Gobbato do Palmeiras?

A ideia partiu de João Roberto Gobbato, então diretor de marketing do clube, em 1983. Ele sugeriu transformar o apelido pejorativo em símbolo de orgulho para a torcida. A proposta enfrentou resistência da diretoria no início, mas foi abraçada pelos torcedores nos anos seguintes.

Por que o periquito representa o Palmeiras?

O Periquito foi escolhido em 1917, quando o clube adotou o verde como cor oficial. A ave, comum nos bosques ao redor do antigo estádio do clube, o Parque Antártica, combinava com a cor do uniforme e reforçava a ideia de um símbolo tipicamente brasileiro para o time.

Qual é o mascote mais antigo do Palmeiras: o porco ou o periquito?

O Periquito é o mascote mais antigo, adotado em 1917, quase setenta anos antes do Porco começar a ganhar espaço entre os torcedores, em 1986. A diferença de datas explica por que o Periquito é considerado o primeiro mascote oficial da história do clube.

O Palmeiras tem mais de um mascote?

Sim. Desde 2016 o clube reconhece oficialmente dois mascotes: o Periquito, símbolo histórico ligado à fundação e à cor verde do time, e o Porco Gobbato, que representa a forma como a torcida transformou uma ofensa antiga em motivo de identidade e orgulho.

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