Depois de enfrentar duas cirurgias graves na Inter de Milão e carregar a lembrança da final de 1998, o Fenômeno chegou à Copa do Mundo cercado de dúvidas. Sete partidas depois, tinha oito gols, a artilharia do torneio e o quinto título mundial do Brasil.
Por Giro do Esporte
Atualizado em 19 de outubro de 2026
Em 30 de junho de 2002, Ronaldo Nazário marcou os dois gols da vitória do Brasil por 2 a 0 sobre a Alemanha, na final da Copa do Mundo, em Yokohama, no Japão. O atacante terminou o torneio com oito gols em sete partidas, conquistou a Chuteira de Ouro e se tornou o principal personagem do pentacampeonato brasileiro.
A conquista aconteceu pouco mais de dois anos depois de uma cena que havia colocado sua carreira em dúvida. Em abril de 2000, Ronaldo sofreu uma ruptura completa do tendão patelar do joelho direito durante uma partida da Inter de Milão contra a Lazio. Era a segunda lesão grave na mesma região em menos de cinco meses, depois de uma ruptura parcial em novembro de 1999.
O atacante passou por cirurgias, enfrentou uma longa reabilitação e voltou a jogar em setembro de 2001, mas ainda sofreu problemas físicos que dificultaram sua sequência de partidas. Quando Luiz Felipe Scolari o convocou para a Copa de 2002, não havia certeza de que conseguiria suportar o ritmo de sete jogos em um mês.
O Mundial também oferecia uma oportunidade de mudar a lembrança de 1998. Naquele ano, Ronaldo sofreu uma crise convulsiva horas antes da final contra a França, entrou em campo e viu o Brasil perder por 3 a 0. Quatro anos depois, retornou à decisão de uma Copa e construiu um desfecho completamente diferente.
A campanha de 2002 foi uma conquista coletiva, com atuações fundamentais de Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho, Cafu, Roberto Carlos e uma defesa organizada por Felipão. Mas o contraste entre o atacante retirado de maca em Roma e o artilheiro que levantou a taça em Yokohama transformou o pentacampeonato em uma das maiores histórias de recuperação do futebol.
Antes das lesões, Ronaldo já era o melhor jogador do mundo
Quando sofreu a primeira lesão grave no joelho, Ronaldo tinha apenas 23 anos, mas já havia conquistado praticamente tudo o que um atacante poderia desejar individualmente.
Revelado pelo Cruzeiro, destacou-se no PSV Eindhoven, da Holanda, e no Barcelona, onde marcou 47 gols em 49 partidas oficiais na temporada 1996/97. Sua combinação de velocidade, força, drible e precisão nas finalizações obrigava os defensores a enfrentarem um tipo de atacante pouco comum.
Ronaldo conseguia receber a bola longe da área, acelerar entre marcadores e concluir jogadas mesmo quando parecia não haver espaço. A capacidade de mudar de direção em velocidade era uma de suas características mais impressionantes.
Em 1996, aos 20 anos, foi eleito pela FIFA o melhor jogador do mundo. Repetiu a conquista em 1997, quando também recebeu a Bola de Ouro.
Transferido para a Inter de Milão em 1997, continuou entre os atacantes mais temidos da Europa. Na primeira temporada italiana, marcou 25 gols no Campeonato Italiano e ajudou o clube a conquistar a Copa da UEFA de 1998.
Na Seleção Brasileira, Ronaldo também havia se tornado a principal referência ofensiva. Na Copa de 1998, marcou quatro gols e chegou à decisão contra a França como uma das maiores estrelas do torneio.
Aquela final, porém, se transformaria numa lembrança difícil de superar.
A crise convulsiva de 1998 deixou perguntas que acompanharam Ronaldo por quatro anos
Em 12 de julho de 1998, horas antes da final entre Brasil e França, Ronaldo sofreu um episódio convulsivo enquanto descansava na concentração da Seleção Brasileira.
O atacante recebeu atendimento médico e passou por exames. Uma escalação inicial distribuída à imprensa não incluía seu nome, mas ele acabou entrando em campo como titular.
A situação provocou confusão e questionamentos sobre a decisão de utilizá-lo. Ronaldo teve uma atuação discreta, assim como boa parte da equipe brasileira.
A França venceu por 3 a 0, com dois gols de Zinedine Zidane e um de Emmanuel Petit.
Nos anos seguintes, surgiram diferentes versões sobre as circunstâncias da crise e sobre a escalação do atacante. Não há fundamento, porém, para atribuir toda a derrota ao episódio médico. A seleção francesa apresentou uma atuação superior e conquistou o título com méritos.
Para Ronaldo, a associação entre a crise convulsiva e a perda do campeonato tornou-se inevitável. Ele havia chegado ao Mundial como protagonista e terminou a competição cercado por perguntas que ultrapassavam o futebol.
A Copa de 2002 ofereceria uma oportunidade de disputar outra final. Antes disso, o camisa 9 precisaria enfrentar um problema ainda mais grave.
O joelho direito sofreu duas rupturas em menos de cinco meses
Em 21 de novembro de 1999, durante uma partida da Inter de Milão contra o Lecce, Ronaldo sofreu uma ruptura parcial do tendão patelar do joelho direito.
A estrutura conecta a patela à tíbia e participa dos movimentos de extensão da perna. Para um atacante que dependia de arrancadas, mudanças bruscas de direção e impulsão, uma lesão nessa região representava um problema especialmente sério.
Ronaldo foi operado em Paris pelo médico Gérard Saillant e iniciou uma recuperação que exigiu meses de tratamento.
Em 12 de abril de 2000, após 143 dias afastado, voltou a jogar. Entrou no segundo tempo da partida entre Inter de Milão e Lazio, pela final da Copa da Itália, no Estádio Olímpico de Roma.
A volta durou aproximadamente seis minutos.
Ao tentar um drible, Ronaldo apoiou a perna direita, sofreu a ruptura completa do tendão patelar e caiu no gramado. O atacante precisou ser retirado de maca e passou por outra cirurgia.
A segunda lesão era especialmente preocupante porque atingia uma estrutura já operada. O desafio não consistia apenas em recuperar a capacidade de caminhar ou correr, mas devolver ao jogador as condições físicas necessárias para competir em velocidade, mudar de direção e suportar contatos constantes.
A continuidade da carreira passou a ser questionada.
Por que Ronaldo demorou tanto para recuperar a sequência de jogos?
A reabilitação exigiu um trabalho prolongado de fisioterapia e fortalecimento muscular. A equipe responsável pelo tratamento incluía o médico Gérard Saillant e o fisioterapeuta Nilton Petrone, conhecido como Filé.
O objetivo era recuperar a mobilidade do joelho, reconstruir a força da perna e permitir que Ronaldo voltasse gradualmente a executar movimentos de alta intensidade.
O maior risco era uma nova lesão durante a retomada dos treinamentos e das partidas.
Depois da ruptura de abril de 2000, o atacante passou mais de um ano sem disputar um jogo oficial. Seu retorno aconteceu em setembro de 2001, mas não representou uma recuperação imediata da regularidade.
Ronaldo voltou a sofrer problemas musculares, precisou administrar a carga de trabalho e teve dificuldades para acumular partidas consecutivas pela Inter de Milão.
Em dezembro de 2001, uma lesão na coxa esquerda provocou outro afastamento. O atacante só voltou a atuar pela Seleção Brasileira em março de 2002, num amistoso contra a Iugoslávia.
Essa cronologia esclarece uma confusão frequente: Ronaldo não ficou dois anos completos sem entrar em campo, mas passou aproximadamente dois anos e meio sem conseguir estabelecer uma sequência estável de jogos em alto nível.
A Copa do Mundo começaria pouco mais de dois meses depois de seu retorno à Seleção.
Felipão apostou em Ronaldo mesmo sem garantias sobre sua condição física
A classificação brasileira para a Copa de 2002 havia sido turbulenta.
A Seleção passou por mudanças de treinadores e resultados irregulares nas Eliminatórias Sul-Americanas. Luiz Felipe Scolari assumiu o comando em 2001 e precisou reorganizar a equipe para garantir a vaga.
Quando chegou o momento de definir os convocados, Ronaldo representava uma aposta importante.
O atacante possuía talento e experiência internacional, mas sua condição física ainda provocava dúvidas. A falta de sequência pela Inter aumentava a preocupação sobre sua capacidade de disputar até sete partidas em aproximadamente um mês.
Felipão decidiu convocá-lo.
A escolha não significava ignorar o histórico médico. A comissão técnica acompanhava a recuperação e precisava administrar os esforços do jogador.
O Brasil chegou ao Mundial sem o favoritismo absoluto de outras edições. França, Argentina e Itália estavam entre as principais candidatas ao título.
A campanha brasileira, porém, começaria com um gol de Ronaldo logo na estreia.
Ronaldo marcou na estreia contra a Turquia e começou a recuperar a confiança
Em 3 de junho de 2002, o Brasil enfrentou a Turquia em Ulsan, na Coreia do Sul, pela primeira rodada do Grupo C.
Os turcos abriram o placar com Hasan Şaş, nos acréscimos do primeiro tempo.
A Seleção precisava reagir.
Aos cinco minutos da segunda etapa, Rivaldo cruzou da direita, e Ronaldo apareceu na área para finalizar de primeira, enquanto se projetava em direção à bola.
O gol empatou a partida em 1 a 1.
O Brasil venceu por 2 a 1, com um pênalti convertido por Rivaldo perto do fim.
A atuação de Ronaldo teve um significado importante. O atacante voltou a marcar numa Copa do Mundo quatro anos depois da final de Paris e demonstrou capacidade para atacar espaços e finalizar em velocidade.
Na segunda rodada, contra a China, marcou novamente.
O Brasil venceu por 4 a 0, com gols de Roberto Carlos, Rivaldo, Ronaldinho Gaúcho e Ronaldo.
O camisa 9 chegava a dois gols em duas partidas. A dúvida sobre sua condição física ainda existia, mas os resultados começavam a oferecer uma resposta.
Dois gols contra a Costa Rica colocaram o Fenômeno entre os artilheiros do Mundial
Na terceira rodada, em 13 de junho, o Brasil enfrentou a Costa Rica, em Suwon.
A Seleção venceu por 5 a 2, numa partida de muitos espaços e oportunidades ofensivas.
Ronaldo marcou duas vezes no início do confronto. O primeiro gol chegou a gerar discussão sobre possível gol contra do defensor Luis Marín, mas acabou sendo creditado ao brasileiro pela FIFA.
Com quatro gols em três partidas, o atacante se consolidou entre os principais candidatos à Chuteira de Ouro.
A fase de grupos também mostrou a força do conjunto. Rivaldo marcou nas três partidas. Ronaldinho Gaúcho oferecia criatividade entre as linhas, enquanto Cafu e Roberto Carlos ampliavam as opções de ataque pelas laterais.
Na defesa, a equipe utilizava uma estrutura com três zagueiros, protegida por Gilberto Silva.
O Brasil terminou o grupo com três vitórias, 11 gols marcados e três sofridos.
Mas os jogos eliminatórios apresentariam desafios diferentes. A partir das oitavas, qualquer erro poderia encerrar a campanha.
Contra Bélgica e Inglaterra, o Brasil mostrou que não dependia apenas de Ronaldo
Nas oitavas de final, o Brasil enfrentou a Bélgica, em Kobe.
A partida foi mais difícil do que o placar final sugere. Os belgas criaram oportunidades e tiveram um gol de Marc Wilmots anulado por falta, numa decisão contestada.
O Brasil abriu o placar com Rivaldo, aos 22 minutos do segundo tempo.
Perto do fim, Ronaldo recebeu a bola na área e marcou o segundo gol, garantindo a vitória por 2 a 0.
O atacante chegava a cinco gols no Mundial.
Nas quartas de final, contra a Inglaterra, a Seleção enfrentou um dos confrontos mais exigentes de sua campanha.
Michael Owen abriu o placar para os ingleses.
Rivaldo empatou nos acréscimos do primeiro tempo, depois de uma jogada de Ronaldinho Gaúcho.
Na segunda etapa, Ronaldinho marcou um gol de falta de longa distância, surpreendendo o goleiro David Seaman.
O Brasil venceu por 2 a 1, mesmo depois da expulsão de Ronaldinho.
Foi a única partida da Copa de 2002 em que Ronaldo não marcou.
O resultado mostrou que a Seleção possuía outros jogadores capazes de decidir confrontos importantes. Rivaldo, especialmente, vinha sendo fundamental desde a estreia.
Na semifinal, porém, o camisa 9 voltaria a assumir o protagonismo.
Um gol com a parte externa do pé colocou Ronaldo na final da Copa
Em 26 de junho de 2002, o Brasil reencontrou a Turquia na semifinal, disputada em Saitama, no Japão.
Os turcos haviam realizado uma campanha surpreendente e chegaram à disputa por uma vaga na final depois de eliminar Japão e Senegal.
A partida foi equilibrada, com poucas oportunidades claras.
Aos quatro minutos do segundo tempo, Ronaldo recebeu a bola pela esquerda, avançou em direção à área e finalizou com a parte externa do pé direito, surpreendendo o goleiro Rüştü Reçber.
O gol garantiu a vitória brasileira por 1 a 0.
Ronaldo chegava a seis gols na competição.
A Seleção estava classificada para sua terceira final consecutiva de Copa do Mundo, depois de 1994 e 1998.
O adversário seria a Alemanha.
A decisão reuniria dois dos maiores goleadores do torneio: Ronaldo, com seis gols, e Miroslav Klose, com cinco.
Também colocaria o brasileiro diante de Oliver Kahn, goleiro que havia se destacado durante toda a campanha alemã.
O corte Cascão virou símbolo do Mundial e ajudou a desviar a atenção do joelho
Antes da semifinal, Ronaldo apareceu com um corte de cabelo incomum: raspou quase toda a cabeça e manteve uma pequena faixa de cabelo na parte da frente.
O visual foi imediatamente comparado ao personagem Cascão, da Turma da Mônica.
O penteado se tornou uma das imagens mais reconhecíveis da Copa de 2002.
Anos depois, Ronaldo explicou que havia adotado o corte para desviar a atenção da imprensa das discussões sobre sua condição física.
A estratégia funcionou de maneira inesperada. Em vez de concentrar todas as perguntas no joelho e na recuperação, jornalistas e torcedores passaram a comentar o cabelo do atacante.
O episódio se tornou parte do folclore do pentacampeonato.
Mas, enquanto o visual dominava as conversas, Ronaldo se preparava para a partida mais importante de sua carreira.
A final contra a Alemanha teve dois gols de Ronaldo e uma falha rara de Oliver Kahn
Em 30 de junho de 2002, Brasil e Alemanha se enfrentaram no Estádio Internacional de Yokohama, no Japão.
Era a primeira final de Copa do Mundo entre as duas seleções.
A Alemanha tinha uma equipe organizada defensivamente e contava com Oliver Kahn, um dos principais jogadores do torneio.
O Brasil começou criando oportunidades. Ronaldo teve chances de abrir o placar ainda no primeiro tempo, mas não conseguiu finalizar com precisão.
Na segunda etapa, a Alemanha também ameaçou. Oliver Neuville acertou a trave numa cobrança de falta desviada pelo goleiro Marcos.
O jogo permanecia empatado até os 22 minutos do segundo tempo.
Ronaldo pressionou Dietmar Hamann, recuperou a bola e iniciou a jogada ofensiva. Rivaldo recebeu e finalizou de fora da área.
Kahn não conseguiu segurar o chute.
Ronaldo acompanhou a jogada e aproveitou o rebote para marcar.
Brasil 1 a 0 Alemanha.
O gol colocou a Seleção à frente e aumentou a pressão sobre os alemães.
Doze minutos depois, surgiu a jogada que definiu o título.
Kleberson avançou pela direita e tocou para a entrada da área.
Rivaldo deixou a bola passar entre as pernas, sem tocá-la, criando espaço para Ronaldo finalizar.
O camisa 9 bateu de primeira, rasteiro, no canto.
Brasil 2 a 0 Alemanha.
A jogada ficou marcada pelo corta-luz de Rivaldo, que confundiu a defesa e permitiu a finalização livre de Ronaldo.
O placar permaneceu até o apito final.
O Brasil conquistou seu quinto título mundial, e Ronaldo terminou a Copa com oito gols.
Os oito gols de Ronaldo mostram uma campanha decisiva do início ao fim
A artilharia de Ronaldo não foi construída apenas contra adversários da fase de grupos.
O atacante marcou nas oitavas, na semifinal e duas vezes na final, mantendo sua importância quando o nível de dificuldade aumentou.
| Fase | Partida | Gols de Ronaldo |
|---|---|---|
| Fase de grupos | Brasil 2 x 1 Turquia | 1 |
| Fase de grupos | Brasil 4 x 0 China | 1 |
| Fase de grupos | Brasil 5 x 2 Costa Rica | 2 |
| Oitavas de final | Brasil 2 x 0 Bélgica | 1 |
| Quartas de final | Brasil 2 x 1 Inglaterra | 0 |
| Semifinal | Brasil 1 x 0 Turquia | 1 |
| Final | Brasil 2 x 0 Alemanha | 2 |
| Total | 7 vitórias | 8 gols |
Ronaldo terminou como artilheiro isolado do torneio.
Seus oito gols representaram a maior marca individual numa única edição de Copa do Mundo desde 1970, quando Gerd Müller marcou dez pela Alemanha Ocidental.
A campanha também ampliou sua coleção de gols em Mundiais. Depois de marcar quatro vezes em 1998, Ronaldo chegou a 12 gols em Copas. Em 2006, acrescentaria mais três e alcançaria 15, então um recorde histórico da competição, posteriormente superado por Miroslav Klose.
Em 2002, porém, o significado dos números era especialmente forte.
Ronaldo não apenas recuperou a capacidade de competir. Voltou a ser o principal artilheiro do maior torneio de seleções do mundo.
O pentacampeonato não foi uma conquista individual do Fenômeno
Embora Ronaldo tenha sido o protagonista da final, o título brasileiro dependeu de uma equipe que encontrou equilíbrio entre criatividade ofensiva e organização defensiva.
Rivaldo marcou cinco gols e participou de momentos decisivos em diferentes fases do torneio. Contra a Inglaterra, fez o gol de empate. Na final, participou diretamente dos dois gols de Ronaldo, incluindo o corta-luz que abriu espaço para o segundo.
Ronaldinho Gaúcho também teve papel importante. Criou a jogada do empate contra a Inglaterra e marcou o gol da vitória naquele confronto.
Cafu e Roberto Carlos ofereciam amplitude pelos lados do campo, enquanto Gilberto Silva protegia a defesa.
Lúcio, Edmílson e Roque Júnior formaram a base do sistema defensivo, com Marcos no gol.
Felipão construiu uma equipe capaz de atacar com talento, mas também de resistir em partidas difíceis.
O Brasil venceu seus sete jogos no Mundial, marcou 18 gols e sofreu quatro.
A campanha não foi uma sucessão de goleadas. Nas quartas, contra a Inglaterra, e na semifinal, contra a Turquia, a Seleção precisou administrar vantagens mínimas.
O penta foi resultado dessa combinação entre talento individual e funcionamento coletivo.
Ronaldo conquistou a Bola de Ouro de 2002 e voltou a brilhar no Real Madrid
A conquista de Yokohama não encerrou a carreira de Ronaldo. Pelo contrário, abriu uma nova fase.
Depois do Mundial, o atacante deixou a Inter de Milão e foi contratado pelo Real Madrid.
No clube espanhol, integrou a geração conhecida como Galácticos, ao lado de jogadores como Zinedine Zidane, Luís Figo e Roberto Carlos.
Ainda em 2002, Ronaldo conquistou pela terceira vez o prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA e recebeu sua segunda Bola de Ouro.
Também venceu títulos pelo Real Madrid e continuou entre os principais atacantes do futebol internacional.
Na Copa de 2006, marcou três gols e alcançou a marca de 15 em Mundiais, superando o recorde de Gerd Müller.
A Seleção Brasileira, porém, foi eliminada pela França nas quartas de final.
Nos anos seguintes, Ronaldo voltou a enfrentar problemas físicos, incluindo outra grave lesão no joelho, desta vez no esquerdo, quando defendia o Milan em 2008.
Ainda assim, retornou ao Brasil e conquistou o Campeonato Paulista e a Copa do Brasil de 2009 pelo Corinthians.
Encerrou a carreira profissional em 2011.
Sua trajetória terminou com títulos por clubes, conquistas individuais e duas Copas do Mundo no currículo, embora em 1994 tenha integrado o elenco campeão sem entrar em campo.
De maca em Roma à taça em Yokohama: por que a Copa de 2002 marcou a história do futebol?
A conquista de 2002 reuniu circunstâncias raras.
Ronaldo havia chegado ao topo do futebol mundial antes dos 21 anos, sofrido uma derrota traumática na final de 1998 e enfrentado duas lesões graves no mesmo joelho entre 1999 e 2000.
O atacante passou meses sem conseguir realizar movimentos básicos de maneira confortável e precisou reconstruir sua condição física para voltar a competir.
Quando chegou à Copa, não tinha a mesma sequência de partidas de outros jogadores.
Mesmo assim, marcou oito gols e decidiu a final.
A diferença entre a cena de Roma, em abril de 2000, quando deixou o gramado de maca, e a imagem de Yokohama, em junho de 2002, segurando a taça de campeão, tornou-se um dos contrastes mais marcantes da história do esporte.
O penta também encerrou um ciclo iniciado em 1994, quando Ronaldo era um adolescente reserva da Seleção campeã.
Oito anos depois, tornou-se o principal artilheiro de um novo título mundial.
A vitória não apagou as lesões nem eliminou as dificuldades físicas que ainda enfrentaria durante a carreira. Mas demonstrou que o atacante havia conseguido recuperar o desempenho necessário para decidir o maior jogo do futebol.
Em Yokohama, Ronaldo marcou duas vezes contra a Alemanha e conquistou o título que havia escapado quatro anos antes.
O Fenômeno, que chegou a ter sua continuidade no esporte questionada, terminou a Copa de 2002 como artilheiro, campeão mundial e protagonista de uma das maiores recuperações já vistas no futebol.
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