Entre 1996 e 1998, Chicago somou 203 vitórias em 246 partidas de temporada regular e conquistou três campeonatos consecutivos. A dinastia reuniu Michael Jordan, Scottie Pippen, Dennis Rodman e Phil Jackson, mas terminou em meio a conflitos internos e uma despedida decidida a 5,2 segundos do fim.
Por Marcio Tamer
Atualizado em 17 de outubro de 2026
Michael Jordan roubou a bola de Karl Malone, atravessou a quadra e acertou um arremesso sobre Bryon Russell quando restavam 5,2 segundos para terminar o Jogo 6 das Finais da NBA de 1998. A cesta colocou o Chicago Bulls à frente do Utah Jazz por 87 a 86 e preparou o desfecho de uma das maiores dinastias da história do basquete.
Em 14 de junho de 1998, Chicago conquistou seu sexto título em oito temporadas, completando o segundo tricampeonato consecutivo da franquia na década de 1990. O primeiro havia acontecido entre 1991 e 1993. O segundo, entre 1996 e 1998, foi construído depois de Jordan se aposentar, experimentar uma carreira no beisebol e retornar à NBA.
A reconstrução produziu uma sequência extraordinária. Os Bulls venceram 72 dos 82 jogos da temporada regular de 1995/96, estabeleceram um recorde que resistiu por 20 anos e terminaram aquele campeonato derrotando o Seattle SuperSonics nas Finais.
Nas duas temporadas seguintes, somaram mais 69 e 62 vitórias, respectivamente, e superaram o Utah Jazz em duas decisões consecutivas.
O domínio, porém, não foi resultado apenas dos pontos de Jordan. Scottie Pippen oferecia criação de jogadas e defesa versátil. Dennis Rodman dominava os rebotes. Toni Kukoč ampliava as possibilidades ofensivas, enquanto Phil Jackson utilizava o ataque em triângulo para distribuir responsabilidades.
Ao mesmo tempo, conflitos entre a diretoria, o treinador e os jogadores ameaçavam a continuidade da equipe.
O segundo tricampeonato terminou com uma cesta que entrou para a história e com o desmanche de um elenco que, poucos meses antes, parecia praticamente imbatível.
Por que Jordan se aposentou depois de conquistar três títulos consecutivos?
O Chicago Bulls chegou ao primeiro tricampeonato da década em 1993, depois de derrotar o Phoenix Suns nas Finais da NBA.
Jordan havia sido eleito o jogador mais valioso das três decisões, consolidando sua posição entre os principais atletas da história do esporte.
Mas sua vida pessoal havia sido profundamente afetada.
Em julho de 1993, seu pai, James Jordan, foi assassinado na Carolina do Norte.
Poucos meses depois, em outubro, Michael anunciou sua primeira aposentadoria do basquete profissional.
A decisão surpreendeu o mundo esportivo.
Jordan tinha apenas 30 anos e estava no auge da carreira, mas relatava desgaste físico e emocional depois de anos de intensa exposição.
Durante o afastamento da NBA, decidiu tentar uma carreira no beisebol, modalidade que também fazia parte de sua história familiar.
Em 1994, atuou pelo Birmingham Barons, equipe das ligas menores ligada ao Chicago White Sox.
A experiência não produziu resultados comparáveis aos alcançados no basquete. Jordan enfrentou dificuldades como rebatedor e precisou aprender uma modalidade profissionalmente diferente daquela em que havia se tornado uma estrela mundial.
Enquanto isso, os Bulls continuaram competitivos, mas não conquistaram o campeonato sem ele.
A ausência de Jordan revelou tanto a qualidade do elenco quanto a dificuldade de substituir seu impacto nos momentos decisivos.
O comunicado de duas palavras que mudou a NBA em março de 1995
Em 18 de março de 1995, Michael Jordan anunciou seu retorno ao basquete com uma mensagem extraordinariamente curta:
“I’m back.”
A frase, traduzida como “Estou de volta”, tornou-se um dos comunicados mais famosos da história do esporte.
No dia seguinte, Jordan voltou a jogar pela NBA contra o Indiana Pacers.
Ele utilizou inicialmente a camisa número 45, em vez da tradicional 23.
O retorno provocou enorme repercussão, mas não significou uma conquista imediata.
Jordan disputou apenas 17 jogos da temporada regular de 1994/95. Nos playoffs, os Bulls foram eliminados pelo Orlando Magic, de Shaquille O’Neal e Anfernee Hardaway, nas semifinais da Conferência Leste.
A derrota mostrou que Chicago precisava de ajustes.
Jordan ainda estava recuperando o ritmo competitivo, e a equipe enfrentava dificuldades para controlar os rebotes e defender jogadores mais fortes próximos à cesta.
Foi nesse cenário que a diretoria decidiu apostar numa contratação controversa.
O jogador escolhido era Dennis Rodman.
A chegada de Dennis Rodman transformou o equilíbrio do elenco
Em outubro de 1995, o Chicago Bulls adquiriu Dennis Rodman do San Antonio Spurs numa troca que envolveu o pivô Will Perdue.
Rodman já havia conquistado dois títulos da NBA com o Detroit Pistons, mas também carregava a reputação de jogador imprevisível, conhecido por conflitos e comportamento excêntrico.
A contratação envolvia riscos.
Rodman tinha personalidade forte e havia participado de rivalidades intensas contra Jordan e Pippen quando defendia os Pistons.
Mesmo assim, suas qualidades atendiam a uma necessidade específica do elenco.
Ele era um dos melhores reboteiros e defensores da liga.
Com Rodman, Chicago passou a contar com um jogador capaz de disputar rebotes ofensivos, marcar adversários fisicamente fortes e contribuir sem precisar receber muitas oportunidades de arremesso.
Na temporada 1995/96, Rodman liderou a NBA com média de 14,9 rebotes por jogo.
Nos dois anos seguintes, voltou a terminar na liderança da estatística.
A presença do ala-pivô permitiu que Jordan e Pippen concentrassem parte de sua energia na criação de jogadas e na pressão defensiva sobre os jogadores de perímetro.
Rodman não era a principal estrela ofensiva da equipe, mas sua contribuição foi decisiva para a construção do segundo tricampeonato.
Como funcionava o ataque em triângulo de Phil Jackson?
O sucesso dos Bulls também dependia de um sistema tático que buscava reduzir a dependência de jogadas individuais.
O ataque em triângulo, desenvolvido e aperfeiçoado pelo assistente técnico Tex Winter, tornou-se uma das marcas da equipe comandada por Phil Jackson.
O princípio era criar uma estrutura de movimentação e posicionamento que oferecesse diferentes opções ao jogador com a bola.
Em sua formação clássica, três atletas ocupavam posições de um lado da quadra, formando um triângulo. Os outros dois mantinham espaçamento e possibilidades de movimentação no lado oposto.
O sistema permitia explorar cortes em direção à cesta, passes rápidos, arremessos de média distância e situações favoráveis próximas ao garrafão.
A proposta não era impedir que Jordan decidisse partidas individualmente.
Era evitar que a equipe dependesse exclusivamente de sua capacidade de pontuar.
Pippen tornou-se fundamental nesse modelo porque conseguia conduzir a bola, passar, atacar a cesta e defender diferentes posições.
Kukoč também oferecia versatilidade, enquanto jogadores como Ron Harper, Steve Kerr e Luc Longley cumpriam funções específicas.
A defesa completava o sistema.
Jordan e Pippen pressionavam os adversários no perímetro, Rodman controlava rebotes e a equipe conseguia transformar recuperações de bola em oportunidades rápidas de ataque.
O resultado foi um time capaz de vencer de diferentes maneiras.
A temporada de 72 vitórias começou com uma sequência impressionante
O Chicago Bulls iniciou a temporada 1995/96 com expectativas elevadas.
Jordan estava novamente disponível para disputar um campeonato completo. Pippen permanecia entre os melhores jogadores da liga, e Rodman acrescentava força defensiva.
Mas a dimensão do desempenho surpreendeu até quem considerava Chicago favorito.
A equipe venceu 41 dos primeiros 44 jogos, estabelecendo uma vantagem expressiva sobre os concorrentes.
Ao longo da temporada, os Bulls chegaram a registrar uma sequência de 18 vitórias consecutivas.
O ataque produzia pontos com eficiência, enquanto a defesa dificultava a circulação de bola dos adversários.
Jordan terminou a temporada regular como cestinha da NBA, com média de 30,4 pontos por jogo.
Pippen contribuiu com 19,4 pontos, 6,4 rebotes e 5,9 assistências por partida.
Rodman liderou a liga em rebotes.
Chicago encerrou a temporada com 72 vitórias e apenas dez derrotas, superando o recorde anterior de 69 vitórias do Los Angeles Lakers de 1971/72.
A marca se tornou referência para comparar as melhores equipes da história da NBA.
Mas havia uma diferença entre estabelecer um recorde na temporada regular e conquistar o campeonato.
Os Bulls ainda precisavam vencer os playoffs.
Os Bulls passaram pelos playoffs de 1996 com apenas três derrotas
Depois da campanha de 72 vitórias, Chicago entrou nos playoffs de 1996 como principal favorito ao título.
Na primeira rodada, derrotou o Miami Heat por 3 a 0.
Em seguida, superou o New York Knicks por 4 a 1 nas semifinais da Conferência Leste.
A decisão do Leste colocou os Bulls diante do Orlando Magic, equipe que havia eliminado Chicago no ano anterior.
Dessa vez, o resultado foi completamente diferente.
Os Bulls venceram a série por 4 a 0, sem permitir que Orlando conquistasse uma única partida.
A classificação para as Finais aconteceu com uma campanha de 11 vitórias e apenas uma derrota nos playoffs.
O adversário na decisão seria o Seattle SuperSonics, liderado por Gary Payton e Shawn Kemp.
Seattle havia terminado a temporada regular com 64 vitórias, a segunda melhor campanha da NBA.
Portanto, embora Chicago fosse favorito, enfrentaria uma equipe de alto nível.
Os Bulls venceram os três primeiros jogos da série, mas Seattle reagiu e conquistou as partidas seguintes.
A decisão voltou para Chicago com vantagem de 3 a 2 para os Bulls.
No Jogo 6, disputado em 16 de junho de 1996, Chicago venceu por 87 a 75 e conquistou o quarto título da franquia.
Jordan terminou a série com média de 27,3 pontos por partida e foi eleito o MVP das Finais.
O título foi confirmado no Dia dos Pais nos Estados Unidos.
Depois da partida, Jordan foi fotografado chorando no vestiário, numa cena frequentemente associada à memória de seu pai, morto três anos antes.
O primeiro campeonato desde seu retorno estava conquistado.
O recorde de 72 vitórias durou 20 anos, mas foi superado sem título
A campanha de 1995/96 estabeleceu um recorde que permaneceu intacto até 2016.
Na temporada 2015/16, o Golden State Warriors, liderado por Stephen Curry, Klay Thompson e Draymond Green, terminou a fase regular com 73 vitórias e nove derrotas.
A equipe superou a marca dos Bulls por uma vitória.
Mas o desfecho foi diferente.
Golden State chegou às Finais da NBA e abriu vantagem de 3 a 1 sobre o Cleveland Cavaliers, de LeBron James.
Os Cavaliers reagiram, venceram três partidas consecutivas e conquistaram o campeonato por 4 a 3.
Assim, os Warriors ficaram com o recorde de vitórias na temporada regular, enquanto os Bulls de 1995/96 preservaram uma distinção importante: conquistaram o título no mesmo ano em que estabeleceram sua marca histórica.
Essa diferença explica por que as duas equipes continuam sendo comparadas.
A temporada regular mede consistência ao longo de 82 partidas. Os playoffs exigem capacidade de vencer séries eliminatórias contra adversários que podem explorar fraquezas específicas.
Os Bulls conseguiram reunir as duas características.
O recorde de 72 vitórias foi superado, mas a campanha de 1995/96 permanece entre as mais completas da história da NBA.
Em 1997, Chicago venceu 69 jogos e encontrou seu maior rival no Utah Jazz
Depois do título de 1996, os Bulls começaram a temporada seguinte como favoritos ao bicampeonato.
A equipe manteve sua estrutura principal e voltou a dominar a temporada regular.
Chicago terminou 1996/97 com 69 vitórias e 13 derrotas, igualando o antigo recorde do Los Angeles Lakers de 1971/72.
Jordan voltou a liderar a NBA em pontuação, com média de 29,6 pontos por jogo.
Pippen permaneceu como um dos principais defensores e criadores de jogadas da liga, enquanto Rodman continuou dominando os rebotes.
Nos playoffs, Chicago eliminou Washington Bullets, Atlanta Hawks e Miami Heat antes de enfrentar o Utah Jazz nas Finais.
O Jazz tinha uma das duplas mais eficientes da história da NBA.
Karl Malone era um ala-pivô de enorme capacidade ofensiva e física. John Stockton era um armador conhecido pela precisão dos passes e pela leitura de jogo.
A parceria utilizava o pick-and-roll, jogada em que um atleta realiza um bloqueio para criar espaço ao companheiro com a bola, como uma das principais armas ofensivas.
O confronto colocou à prova a capacidade defensiva dos Bulls.
Chicago venceu os dois primeiros jogos, mas Utah reagiu e empatou a série em 2 a 2.
O Jogo 5, disputado em Salt Lake City, se tornaria um dos momentos mais lembrados da carreira de Jordan.
Jordan marcou 38 pontos debilitado no chamado Flu Game
Em 11 de junho de 1997, Michael Jordan entrou em quadra para o Jogo 5 das Finais contra o Utah Jazz apresentando sintomas intensos de mal-estar.
O episódio ficou conhecido como Flu Game, ou Jogo da Gripe.
Durante muitos anos, a atuação foi associada a um quadro gripal. Posteriormente, Jordan afirmou acreditar que havia sofrido uma intoxicação alimentar, possivelmente depois de comer uma pizza na noite anterior.
A causa exata do mal-estar não foi estabelecida de maneira conclusiva.
O que os registros da partida confirmam é que Jordan atuou apesar das dificuldades físicas e marcou 38 pontos.
O jogo foi equilibrado.
Nos minutos finais, Jordan acertou uma cesta de três pontos que colocou Chicago em vantagem.
Os Bulls venceram por 90 a 88, assumindo a liderança da série por 3 a 2.
Uma das imagens mais conhecidas da partida mostra Jordan apoiado em Scottie Pippen durante uma interrupção, visivelmente exausto.
Dois dias depois, em Chicago, os Bulls venceram o Jogo 6 por 90 a 86.
A cesta decisiva foi de Steve Kerr, após passe de Jordan nos segundos finais.
Chicago conquistou o quinto título da franquia e o segundo consecutivo desde o retorno do camisa 23.
Jordan recebeu novamente o prêmio de MVP das Finais.
O sexto título começou sob ameaça de desmanche
A temporada 1997/98 foi marcada por uma contradição.
O Chicago Bulls continuava entre os principais favoritos ao campeonato, mas sua estrutura interna enfrentava conflitos cada vez mais evidentes.
A relação entre o gerente geral Jerry Krause e o técnico Phil Jackson estava desgastada.
Também existiam tensões envolvendo Scottie Pippen, especialmente por causa de seu contrato e de discussões sobre seu futuro na franquia.
Jordan havia deixado claro que não pretendia continuar em Chicago sem Jackson.
Diante desse cenário, o treinador escolheu um nome simbólico para a temporada:
The Last Dance, ou A Última Dança.
A expressão indicava que aquele poderia ser o último campeonato disputado pelo grupo que havia dominado a NBA durante a década.
Os problemas não ficaram restritos aos bastidores.
Pippen passou por uma cirurgia no pé e disputou apenas 44 partidas da temporada regular.
Rodman também enfrentou episódios de indisciplina e desgaste.
Jordan, aos 35 anos durante os playoffs, precisou assumir novamente grande parte da responsabilidade ofensiva.
Apesar das dificuldades, Chicago terminou a temporada regular com 62 vitórias e 20 derrotas, a melhor campanha da Conferência Leste.
O time não era tão dominante quanto em 1996, mas continuava capaz de vencer os adversários mais fortes.
O Indiana Pacers levou os Bulls ao limite antes da última final
Os playoffs de 1998 foram mais difíceis do que os das duas temporadas anteriores.
Chicago eliminou New Jersey Nets e Charlotte Hornets nas primeiras rodadas.
Na final da Conferência Leste, encontrou o Indiana Pacers, liderado por Reggie Miller e treinado por Larry Bird.
A série foi extremamente equilibrada.
Os Bulls venceram os dois primeiros jogos, mas Indiana reagiu e empatou o confronto.
Depois de cinco partidas, Chicago liderava por 3 a 2.
Os Pacers venceram o Jogo 6 e forçaram uma sétima partida.
No confronto decisivo, disputado em 31 de maio de 1998, os Bulls venceram por 88 a 83.
Jordan marcou 28 pontos, e Pippen contribuiu com 17 pontos e 12 rebotes.
A classificação mostrou que a dinastia ainda possuía recursos para sobreviver a séries difíceis, mesmo quando não conseguia impor seu domínio habitual.
O adversário nas Finais seria novamente o Utah Jazz.
Dessa vez, Utah havia terminado a temporada regular com a mesma campanha de Chicago, 62 vitórias e 20 derrotas, mas tinha a vantagem de mando de quadra pelos critérios de desempate.
A decisão começaria em Salt Lake City.
O Utah Jazz venceu o primeiro jogo, mas Chicago reagiu
A final de 1998 começou com vitória do Utah Jazz por 88 a 85, na prorrogação.
Chicago respondeu no Jogo 2, vencendo por 93 a 88.
A série seguiu para o United Center, onde os Bulls produziram uma das atuações defensivas mais impressionantes da história das Finais.
No Jogo 3, Chicago venceu por 96 a 54.
Os 54 pontos do Jazz permanecem como a menor pontuação de uma equipe numa partida das Finais da NBA desde a adoção do relógio de arremesso.
O resultado demonstrou a capacidade dos Bulls de limitar um adversário que possuía dois dos principais jogadores ofensivos da liga.
Chicago também venceu o Jogo 4, por 86 a 82, e abriu vantagem de 3 a 1 na série.
Utah reagiu no Jogo 5, vencendo por 83 a 81 e levando a decisão de volta para Salt Lake City.
O sexto confronto aconteceu em 14 de junho de 1998.
Os Bulls tinham a oportunidade de conquistar o título fora de casa.
Mas enfrentavam um adversário determinado a forçar o Jogo 7.
A última cesta de Jordan decidiu o sexto título a 5,2 segundos do fim
O Jogo 6 das Finais de 1998 entrou para a história por sua sequência final.
O Utah Jazz liderava por 86 a 83 quando restavam menos de 45 segundos.
Jordan atacou a cesta e marcou dois pontos, reduzindo a diferença para 86 a 85.
Na posse seguinte, Utah procurou Karl Malone próximo ao garrafão.
Jordan se aproximou por trás e conseguiu roubar a bola quando restavam aproximadamente 18,9 segundos.
Chicago não pediu tempo.
Jordan avançou com a bola e passou a controlar o relógio.
Diante de Bryon Russell, realizou uma mudança de direção, criou espaço e acertou um arremesso de média distância.
A cesta colocou os Bulls à frente por 87 a 86, com 5,2 segundos restantes.
Utah ainda teve uma última oportunidade, mas John Stockton errou uma tentativa de três pontos.
O jogo terminou.
Jordan marcou 45 pontos e conquistou seu sexto título da NBA.
A sequência foi extraordinária porque reuniu uma jogada defensiva decisiva e um arremesso que mudou o resultado.
O roubo de bola sobre Malone impediu que Utah ampliasse a vantagem. A cesta sobre Russell colocou Chicago na frente.
Foram duas ações fundamentais em menos de 20 segundos.
Jordan cometeu falta em Bryon Russell no arremesso decisivo?
A jogada que decidiu as Finais de 1998 continua sendo discutida.
Antes de acertar o arremesso, Jordan realizou uma mudança de direção diante de Bryon Russell.
Durante o movimento, sua mão esquerda entrou em contato com o defensor.
Alguns observadores consideram que Jordan empurrou Russell para criar espaço.
Outros argumentam que o defensor já estava desequilibrado e que o contato não foi suficiente para justificar uma falta ofensiva.
A arbitragem não marcou infração.
O lance, portanto, permaneceu válido e decidiu a partida.
A própria NBA, em retrospectivas históricas, reconhece a existência do contato e a controvérsia em torno da jogada.
A distinção é importante.
O vídeo mostra que houve contato entre os jogadores, mas a interpretação sobre sua intensidade e sobre a necessidade de marcar falta permanece discutida.
Não existe uma decisão posterior que tenha anulado a cesta.
O resultado oficial continua sendo Chicago Bulls 87 x 86 Utah Jazz.
O segundo tricampeonato reuniu 203 vitórias em três temporadas regulares
Os números ajudam a dimensionar a consistência do Chicago Bulls entre 1995/96 e 1997/98.
| Temporada | Vitórias | Derrotas | Aproveitamento | Adversário nas Finais |
|---|---|---|---|---|
| 1995/96 | 72 | 10 | 87,8% | Seattle SuperSonics, 4 a 2 |
| 1996/97 | 69 | 13 | 84,1% | Utah Jazz, 4 a 2 |
| 1997/98 | 62 | 20 | 75,6% | Utah Jazz, 4 a 2 |
| Total | 203 | 43 | 82,5% | Três títulos |
Chicago venceu 203 de 246 partidas de temporada regular nesse período.
O aproveitamento de 82,5% mostra que a equipe manteve um desempenho excepcional durante três anos consecutivos.
Nos playoffs, os Bulls também demonstraram capacidade de superar adversários com estilos diferentes.
Em 1996, enfrentaram o Seattle SuperSonics, de Gary Payton e Shawn Kemp.
Em 1997 e 1998, derrotaram o Utah Jazz, de Karl Malone e John Stockton.
A repetição dos títulos não aconteceu contra o mesmo adversário em condições idênticas.
Chicago precisou adaptar seu jogo, lidar com lesões e enfrentar equipes que conheciam cada vez melhor suas estratégias.
A continuidade do elenco e do sistema tático foi fundamental para sustentar o domínio.
Jordan foi MVP das três Finais, mas não venceu sozinho
Michael Jordan recebeu o prêmio de Jogador Mais Valioso das Finais em 1996, 1997 e 1998.
Com isso, chegou a seis prêmios de MVP das Finais, um em cada título conquistado pelo Chicago Bulls.
Suas médias nas decisões do segundo tricampeonato foram:
| Ano | Pontos por jogo nas Finais |
|---|---|
| 1996 | 27,3 |
| 1997 | 32,3 |
| 1998 | 33,5 |
A média conjunta das três séries, ponderada pelas 18 partidas disputadas, foi de aproximadamente 31,1 pontos por jogo.
Os números confirmam o protagonismo ofensivo de Jordan.
Mas o sucesso também dependia de outros jogadores.
Pippen era um dos defensores mais versáteis da NBA e frequentemente assumia a responsabilidade de marcar os principais adversários.
Rodman liderava a liga em rebotes e contribuía para limitar segundas oportunidades ofensivas.
Kukoč oferecia criação e pontuação, especialmente quando Jordan ou Pippen estavam fora de quadra.
Steve Kerr tornou-se uma opção importante nos arremessos de longa distância, enquanto Ron Harper e Luc Longley cumpriam funções específicas na defesa e na movimentação ofensiva.
Phil Jackson e Tex Winter organizaram essas peças num sistema que combinava disciplina coletiva e liberdade para decisões individuais.
O resultado foi uma equipe que conseguia vencer mesmo quando Jordan não tinha uma atuação excepcional.
Por que os Bulls não tentaram conquistar o quarto título consecutivo em 1999?
Depois da conquista de 1998, o Chicago Bulls não conseguiu manter sua estrutura.
Phil Jackson deixou o comando técnico.
Michael Jordan anunciou sua segunda aposentadoria em janeiro de 1999.
Scottie Pippen foi negociado com o Houston Rockets, enquanto Dennis Rodman também deixou a franquia.
O elenco que havia conquistado seis títulos em oito anos foi praticamente desmontado.
A temporada seguinte ocorreu depois de um locaute que reduziu a fase regular da NBA a 50 jogos.
Chicago terminou 1998/99 com apenas 13 vitórias e 37 derrotas.
A queda foi impressionante.
Um ano depois de conquistar o sexto título, os Bulls passaram a ocupar as últimas posições da liga.
O desmanche mostrou que a dinastia dependia não apenas de Jordan, mas também da combinação de jogadores, comissão técnica e estrutura construída durante a década.
Sem essas peças, Chicago deixou de ser candidato ao título.
A franquia não voltaria a disputar as Finais da NBA nas décadas seguintes.
O segundo tricampeonato consolidou os Bulls como uma das maiores dinastias da história
A sequência de 1996 a 1998 completou um ciclo iniciado em 1991.
Em oito temporadas, os Bulls conquistaram seis títulos da NBA.
Jordan foi eleito MVP de todas as seis Finais.
A equipe venceu três campeonatos consecutivos entre 1991 e 1993, passou por um período de transição durante a aposentadoria de seu principal jogador e voltou a conquistar três títulos seguidos entre 1996 e 1998.
Poucas franquias conseguiram manter um domínio semelhante durante tanto tempo.
O Boston Celtics venceu oito campeonatos consecutivos entre 1959 e 1966, estabelecendo uma sequência que permanece como referência histórica.
O Los Angeles Lakers conquistou três títulos consecutivos entre 2000 e 2002, com Shaquille O’Neal e Kobe Bryant.
Os Bulls, porém, possuem uma característica singular: construíram dois tricampeonatos na mesma década, com Jordan e Pippen como principais referências.
A conquista também teve enorme impacto cultural.
As camisas vermelhas e pretas, o número 23 de Jordan e o símbolo do touro tornaram-se reconhecidos internacionalmente.
O sucesso esportivo coincidiu com a expansão global da NBA, impulsionada pela televisão, pelo marketing e pela popularidade de Jordan.
Chicago deixou de ser apenas uma franquia vencedora e tornou-se um fenômeno mundial.
A última cesta de 1998 continua sendo o símbolo do fim de uma era
O arremesso de Michael Jordan sobre Bryon Russell tornou-se conhecido como The Last Shot, ou A Última Cesta.
A expressão é simbólica, não literal.
Jordan voltaria a jogar na NBA pelo Washington Wizards entre 2001 e 2003, quando marcou outros pontos e disputou mais duas temporadas profissionais.
A cesta de 1998, porém, foi seu último arremesso decisivo como jogador do Chicago Bulls.
Também foi a jogada que garantiu seu sexto campeonato pela franquia.
A sequência resume as principais características de Jordan: capacidade defensiva, controle emocional e eficiência nos momentos decisivos.
Mas o significado vai além de um único atleta.
A cesta encerrou uma dinastia construída por jogadores com funções diferentes, um sistema tático consolidado e uma comissão técnica capaz de administrar personalidades fortes.
O segundo tricampeonato dos Bulls foi resultado de talento individual extraordinário, mas também de organização coletiva.
Em 14 de junho de 1998, Jordan acertou o arremesso que colocou Chicago à frente por 87 a 86.
Cinco segundos depois, o Utah Jazz desperdiçou sua última oportunidade.
Os Bulls eram campeões pela sexta vez em oito anos.
A equipe que havia estabelecido o recorde de 72 vitórias em 1996 terminava sua trajetória com mais um título, antes de desaparecer quase completamente na temporada seguinte.
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