A parceria entre o quarterback e o treinador transformou uma franquia sem títulos em uma potência com nove finais, 17 conquistas de divisão e uma virada histórica de 28 a 3. O segredo da longevidade esteve na capacidade de reconstruir o elenco sem abandonar a disputa pelo campeonato.
Por Marcio Tamer
Atualizado em 19 de outubro de 2026
O New England Patriots conquistou seis Super Bowls e disputou nove finais da NFL entre as temporadas de 2001 e 2018, numa sequência que começou com um quarterback escolhido apenas na 199ª posição do Draft e terminou com uma vitória por 13 a 3 sobre o Los Angeles Rams. Durante quase duas décadas, Tom Brady e Bill Belichick transformaram a franquia em uma das maiores dinastias do esporte profissional.
A dimensão do feito vai além dos troféus. Entre 2001 e 2019, os Patriots conquistaram 17 títulos da AFC East em 19 temporadas, chegaram a oito finais consecutivas da Conferência Americana e permaneceram competitivos numa liga que utiliza teto salarial e Draft para dificultar a concentração prolongada de talentos.
O domínio teve dois momentos distintos. Entre as temporadas de 2001 e 2004, New England conquistou três Super Bowls em quatro anos. Depois, atravessou dez temporadas sem levantar o troféu, sofreu duas derrotas históricas para o New York Giants e viu escapar uma campanha perfeita de 19 vitórias. A segunda onda de títulos começou na temporada de 2014 e produziu outras três conquistas até 2018.
A parceria também ficou marcada por partidas que mudaram a história da NFL. Em 2015, uma interceptação de Malcolm Butler na linha de uma jarda impediu o título do Seattle Seahawks. Dois anos depois, Brady comandou a maior virada já registrada em um Super Bowl, recuperando uma desvantagem de 25 pontos contra o Atlanta Falcons.
O aspecto mais extraordinário, porém, foi a duração. Enquanto adversários montavam equipes vencedoras e depois precisavam reconstruí-las, os Patriots conseguiram renovar jogadores, modificar sistemas ofensivos e defensivos e continuar disputando campeonatos.
Por que era tão difícil construir uma dinastia na NFL?
A NFL possui mecanismos que procuram estimular o equilíbrio competitivo. Um deles é o teto salarial, que limita os gastos das franquias com os contratos dos jogadores. Outro é o Draft, sistema no qual as equipes de pior campanha normalmente recebem as escolhas mais altas, embora negociações possam alterar essa ordem.
Essas regras não impedem que um clube domine a competição, mas tornam mais difícil manter um elenco estrelado por muitos anos. Jogadores campeões costumam se valorizar, recebem propostas de outras equipes e precisam ser substituídos quando seus contratos se tornam caros demais.
O New England Patriots enfrentou esse problema repetidamente. Ao longo da dinastia, perdeu atletas importantes, reformulou setores inteiros e precisou adaptar sua maneira de jogar às características de novos profissionais.
A continuidade de Belichick e Brady ofereceu uma vantagem decisiva. O treinador controlava a filosofia tática e tinha ampla influência sobre a montagem do elenco. O quarterback garantia estabilidade na posição mais importante do ataque, permitindo que a equipe mantivesse um padrão elevado mesmo quando seus recebedores e corredores mudavam.
Essa combinação não tornava New England invencível, mas reduzia o tempo necessário para reconstruir o time. Em vez de começar do zero após cada perda importante, os Patriots conseguiam reorganizar suas peças dentro de uma estrutura já consolidada.
Como um quarterback escolhido na posição 199 mudou a história dos Patriots?
Em abril de 2000, os Patriots selecionaram Tom Brady na sexta rodada do Draft, com a 199ª escolha geral. O jogador vinha da Universidade de Michigan e não era considerado um dos principais quarterbacks disponíveis naquela edição.
Seis atletas da mesma posição foram escolhidos antes dele. Brady não se destacava pela velocidade, não possuía as características físicas mais impressionantes da turma e havia enfrentado concorrência pela titularidade durante sua carreira universitária.
A avaliação da franquia identificou outras qualidades: precisão nos passes, capacidade de interpretar defesas, competitividade e disposição para estudar o jogo. Ainda assim, não havia expectativa de que o jovem assumisse imediatamente o comando da equipe.
Na temporada de estreia, em 2000, Brady praticamente não jogou. O titular era Drew Bledsoe, quarterback experiente que havia conduzido os Patriots ao Super Bowl da temporada de 1996.
Belichick também havia chegado naquele ano. Sua primeira campanha terminou com apenas cinco vitórias e 11 derrotas, resultado que não sugeria a construção iminente de uma dinastia.
A mudança aconteceu em setembro de 2001, quando Bledsoe sofreu uma lesão grave durante uma partida contra o New York Jets.
A lesão de Drew Bledsoe abriu caminho para o primeiro título
Em 23 de setembro de 2001, Bledsoe sofreu uma lesão interna após uma pancada do linebacker Mo Lewis. Brady entrou em seu lugar e, nas semanas seguintes, assumiu a titularidade.
A princípio, a substituição parecia temporária. Bledsoe era o principal quarterback da franquia e havia assinado um contrato de longa duração. Mas Brady começou a apresentar resultados consistentes, com decisões rápidas, controle da posse de bola e poucos erros.
Os Patriots terminaram a temporada regular com 11 vitórias e cinco derrotas, conquistando a AFC East. A equipe não dependia apenas do jovem quarterback. Belichick havia organizado uma defesa eficiente, capaz de variar coberturas e dificultar o trabalho dos principais ataques adversários.
Nos playoffs, New England venceu o Oakland Raiders numa partida disputada sob neve e marcada pela controversa aplicação da chamada Tuck Rule, regra que levou a arbitragem a reverter um lance inicialmente interpretado como fumble de Brady.
Na final da Conferência Americana, contra o Pittsburgh Steelers, Brady sofreu uma lesão durante o jogo. Bledsoe entrou e ajudou os Patriots a garantir a classificação.
A franquia chegava ao Super Bowl como azarã. O adversário era o St. Louis Rams, dono de um dos ataques mais produtivos da NFL.
O field goal de Adam Vinatieri iniciou a dinastia em 2002
O Super Bowl XXXVI foi disputado em 3 de fevereiro de 2002, em Nova Orleans. O St. Louis Rams tinha uma equipe liderada pelo quarterback Kurt Warner e por estrelas como Marshall Faulk, Isaac Bruce e Torry Holt.
O ataque era conhecido como The Greatest Show on Turf, expressão associada à velocidade e à capacidade de produzir grandes jogadas. Os Rams haviam terminado a temporada regular com 14 vitórias e duas derrotas e eram amplamente favoritos.
Belichick preparou uma estratégia defensiva para reduzir o ritmo ofensivo do adversário. Os Patriots pressionaram os recebedores, dificultaram a circulação da bola e conseguiram abrir vantagem de 17 a 3.
St. Louis reagiu no último quarto. Warner marcou um touchdown terrestre, e um passe para Ricky Proehl empatou a partida em 17 a 17.
Restava pouco mais de um minuto.
Brady conduziu uma campanha ofensiva que colocou New England em posição de tentar um field goal. Quando o relógio chegou ao fim, Adam Vinatieri acertou uma cobrança de 48 jardas.
Os Patriots venceram por 20 a 17 e conquistaram seu primeiro Super Bowl.
Brady, então com 24 anos, foi eleito o jogador mais valioso da decisão. A vitória não foi construída por um ataque dominante, mas pela combinação entre defesa, controle emocional e eficiência nos segundos finais, características que se tornariam marcas da equipe.
Três títulos em quatro temporadas colocaram os Patriots entre as grandes dinastias
Depois do primeiro título, New England ficou fora dos playoffs na temporada de 2002. A campanha de nove vitórias e sete derrotas mostrou que a franquia ainda não havia alcançado estabilidade absoluta.
A resposta veio em 2003.
Os Patriots terminaram a temporada regular com 14 vitórias e duas derrotas e avançaram até o Super Bowl XXXVIII, contra o Carolina Panthers.
A final foi equilibrada e teve uma sequência intensa de pontuação no último quarto. Brady lançou três passes para touchdown, mas Carolina respondeu e conseguiu empatar em 29 a 29.
Mais uma vez, Vinatieri decidiu. O kicker acertou um field goal de 41 jardas, restando quatro segundos, e garantiu a vitória por 32 a 29.
Na temporada seguinte, New England repetiu a campanha de 14 vitórias e duas derrotas. Nos playoffs, superou Indianapolis Colts e Pittsburgh Steelers antes de enfrentar o Philadelphia Eagles no Super Bowl XXXIX.
A vitória por 24 a 21, em fevereiro de 2005, confirmou o terceiro título em quatro temporadas.
Os Patriots haviam igualado uma sequência alcançada pelo Dallas Cowboys na década de 1990. Não se tratava de três campeonatos consecutivos, mas de três conquistas em quatro edições, com uma temporada sem título entre a primeira e a segunda.
A equipe possuía uma defesa experiente, liderada por jogadores como Tedy Bruschi, Mike Vrabel, Richard Seymour e Ty Law, além de um ataque cada vez mais confortável sob o comando de Brady.
New England já era uma potência. O desafio seguinte seria continuar vencendo depois que o elenco campeão começasse a mudar.
A temporada de 2007 teve 16 vitórias, dois recordes e uma derrota inesperada
Em 2007, os Patriots construíram uma das temporadas regulares mais impressionantes da história da NFL.
A chegada do recebedor Randy Moss transformou o ataque. Ao lado de Wes Welker e outros jogadores, Moss ofereceu a Brady novas possibilidades de explorar passes longos e jogadas rápidas.
New England venceu todos os 16 jogos da temporada regular, tornando-se a primeira equipe a alcançar 16 vitórias sem derrotas desde a adoção daquele calendário, em 1978.
Brady lançou 50 passes para touchdown, recorde da NFL na época. Moss recebeu 23 touchdowns, marca que permanece como recorde de recepções para touchdown em uma temporada regular.
Os Patriots também lideraram a liga com 589 pontos marcados.
Depois de vencer Jacksonville Jaguars e San Diego Chargers nos playoffs, chegaram ao Super Bowl XLII com 18 vitórias e nenhuma derrota.
O adversário era o New York Giants, que havia terminado a temporada regular com dez vitórias e seis derrotas.
A defesa dos Giants pressionou Brady durante toda a partida. No último quarto, Eli Manning escapou de uma tentativa de sack e encontrou David Tyree, que segurou a bola contra o próprio capacete numa recepção histórica.
A jogada ajudou a construir a campanha ofensiva que terminou com um touchdown de Plaxico Burress.
Os Giants venceram por 17 a 14.
A derrota impediu que os Patriots completassem uma campanha perfeita de 19 vitórias. O Miami Dolphins de 1972 continuou sendo a referência de uma temporada inteira invicta, com 17 vitórias em 17 jogos.
New England havia estabelecido recordes ofensivos e vencido 18 partidas, mas terminou o campeonato sem o troféu.
Por que os Patriots ficaram dez temporadas sem vencer o Super Bowl?
A derrota para os Giants iniciou um período de frustrações, embora os Patriots continuassem entre as melhores equipes da liga.
Na estreia de 2008, Brady sofreu uma grave lesão no joelho esquerdo e ficou afastado pelo restante da temporada. Seu substituto, Matt Cassel, conduziu New England a 11 vitórias e cinco derrotas, campanha que não foi suficiente para garantir uma vaga nos playoffs.
Brady retornou em 2009 e voltou a apresentar desempenho de elite. Em 2010, foi eleito MVP da temporada regular depois de lançar 36 touchdowns e sofrer apenas quatro interceptações.
Mesmo assim, os Patriots foram eliminados pelo New York Jets nos playoffs.
Na temporada de 2011, a equipe chegou novamente ao Super Bowl, mas reencontrou os Giants. Eli Manning conduziu outra campanha decisiva no último quarto, e New York venceu por 21 a 17.
Os Patriots haviam perdido duas finais para o mesmo adversário em quatro temporadas.
A equipe também enfrentava uma transformação no elenco. A defesa que havia sustentado os primeiros títulos já não era a mesma, enquanto o ataque passava a depender de jogadores como Rob Gronkowski, Wes Welker e, posteriormente, Julian Edelman.
Belichick precisou reorganizar diferentes setores sem perder competitividade. O resultado foi uma sequência de participações nos playoffs, mas o quarto título demorou a chegar.
A espera terminou na temporada de 2014, numa final decidida por um jogador que não havia sido escolhido no Draft.
Malcolm Butler interceptou Russell Wilson na linha de uma jarda e decidiu o Super Bowl de 2015
Em 1º de fevereiro de 2015, os Patriots enfrentaram o Seattle Seahawks no Super Bowl XLIX, disputado no Arizona.
Seattle defendia o título conquistado na temporada anterior e possuía uma das defesas mais fortes da NFL, conhecida como Legion of Boom.
A final foi equilibrada, mas os Seahawks abriram vantagem de 24 a 14 no último quarto.
Brady reagiu com dois passes para touchdown, um para Danny Amendola e outro para Julian Edelman, colocando New England à frente por 28 a 24.
Seattle ainda teve tempo para uma última campanha ofensiva.
Uma recepção improvável de Jermaine Kearse colocou os Seahawks perto da end zone. Com a bola na linha de uma jarda, o time tinha a oportunidade de marcar o touchdown da vitória.
O quarterback Russell Wilson tentou um passe curto para Ricardo Lockette.
Malcolm Butler antecipou a jogada e interceptou a bola.
O cornerback havia chegado à NFL sem ser selecionado no Draft. Naquele momento, realizou uma das jogadas defensivas mais importantes da história do Super Bowl.
Os Patriots venceram por 28 a 24, e Brady recebeu seu terceiro prêmio de MVP da decisão.
A conquista encerrou um intervalo de dez temporadas sem títulos e mostrou que a equipe havia conseguido construir uma segunda geração campeã.
A virada de 28 a 3 contra Atlanta se tornou o maior símbolo da dinastia
O Super Bowl LI, disputado em 5 de fevereiro de 2017, colocou os Patriots diante do Atlanta Falcons, liderado pelo quarterback Matt Ryan.
Atlanta dominou boa parte da partida. Seu ataque encontrou espaços, enquanto a defesa pressionou Brady e provocou erros.
No terceiro quarto, os Falcons abriram 28 a 3.
A diferença de 25 pontos parecia suficiente para garantir o primeiro título da franquia de Atlanta. Até então, nenhuma equipe havia conseguido recuperar uma desvantagem tão grande em um Super Bowl.
A reação começou com um touchdown de James White.
Depois, Stephen Gostkowski acertou um field goal, reduzindo a diferença.
No último quarto, Brady encontrou Danny Amendola para touchdown. Uma conversão de dois pontos aproximou New England.
A defesa também passou a produzir jogadas decisivas. Dont’a Hightower provocou um fumble de Matt Ryan, recuperado pelos Patriots, criando uma oportunidade ofensiva importante.
Brady aproveitou e conduziu outra campanha para touchdown.
A recuperação continuou com uma recepção extraordinária de Julian Edelman, que conseguiu segurar a bola a poucos centímetros do gramado, cercado por defensores.
Nos minutos finais, James White marcou um touchdown terrestre, e Amendola recebeu o passe da conversão de dois pontos.
O placar chegou a 28 a 28.
Pela primeira vez na história, um Super Bowl seria decidido na prorrogação.
New England venceu o sorteio e recebeu a bola. Brady conduziu a campanha ofensiva até perto da end zone, onde James White marcou o touchdown da vitória.
Patriots 34 x 28 Falcons.
A equipe havia marcado 31 pontos consecutivos depois de estar perdendo por 28 a 3.
A recuperação de 25 pontos permanece como a maior virada da história do Super Bowl. Brady terminou com 466 jardas aéreas e conquistou seu quinto título.
O que realmente explica a virada histórica contra os Falcons?
A reação de New England não aconteceu apenas porque Brady manteve a confiança.
Os Patriots precisaram combinar execução ofensiva, recuperação defensiva e aproveitamento dos erros do adversário.
Atlanta teve oportunidades de administrar o relógio e preservar a vantagem. Uma das mais importantes ocorreu no último quarto, quando os Falcons já estavam em posição de tentar um field goal que poderia ampliar a diferença.
Uma sequência de jogadas negativas, incluindo um sack e uma penalidade, afastou a equipe da zona de pontuação.
New England, por outro lado, passou a controlar melhor a linha de scrimmage, acelerou o ritmo ofensivo e reduziu os erros.
A defesa forçou um turnover fundamental, enquanto Brady encontrou diferentes recebedores em momentos de pressão.
A virada também exigiu conversões de dois pontos, jogadas que precisam ser executadas de maneira precisa e que poderiam ter encerrado a reação caso fracassassem.
O resultado não foi inevitável nem fruto exclusivo da experiência. Os Patriots venceram porque executaram uma sequência extraordinária de jogadas decisivas enquanto Atlanta deixou escapar oportunidades de encerrar a partida.
A final se tornou o exemplo mais conhecido da capacidade da equipe de continuar competindo mesmo em situações extremamente desfavoráveis.
A derrota para os Eagles em 2018 mostrou que nem Brady era suficiente sozinho
Na temporada de 2017, Brady voltou a ser eleito MVP da NFL, aos 40 anos.
Os Patriots chegaram ao Super Bowl LII, disputado em fevereiro de 2018, contra o Philadelphia Eagles.
A final teve características completamente diferentes da decisão anterior.
Os ataques dominaram a partida.
Brady lançou 505 jardas, recorde para um quarterback em um Super Bowl, mas New England não conseguiu conter o ataque adversário.
O quarterback Nick Foles liderou os Eagles e participou de uma jogada conhecida como Philly Special, na qual recebeu um passe para touchdown depois de uma formação ofensiva incomum.
Philadelphia venceu por 41 a 33.
As equipes somaram 1.151 jardas ofensivas, recorde da NFL para uma partida.
A derrota demonstrou que uma atuação extraordinária do quarterback não garantia o campeonato quando a defesa não conseguia limitar o adversário.
New England voltaria ao Super Bowl na temporada seguinte, mas venceria de maneira completamente diferente.
Belichick limitou os Rams a três pontos e conquistou o sexto título em 2019
Em 3 de fevereiro de 2019, os Patriots enfrentaram o Los Angeles Rams no Super Bowl LIII, disputado em Atlanta.
O adversário tinha um dos ataques mais produtivos da NFL, comandado pelo técnico Sean McVay e pelo quarterback Jared Goff.
Belichick preparou um plano defensivo que dificultou a movimentação ofensiva dos Rams e reduziu as oportunidades de jogadas explosivas.
O primeiro tempo terminou com New England vencendo por apenas 3 a 0.
No terceiro quarto, os Rams empataram com um field goal de Greg Zuerlein.
A partida chegou ao último período empatada em 3 a 3.
Brady então conduziu uma campanha ofensiva importante, com passes para Rob Gronkowski e Julian Edelman.
Sony Michel marcou o único touchdown da final.
Stephen Gostkowski acrescentou outro field goal, e a defesa dos Patriots manteve o controle da partida.
New England venceu por 13 a 3.
Os três pontos dos Rams igualaram a menor pontuação de uma equipe na história do Super Bowl.
Julian Edelman, que recebeu dez passes para 141 jardas, foi eleito o MVP.
Brady conquistou seu sexto título com os Patriots, enquanto Belichick tornou-se o primeiro treinador principal a vencer seis Super Bowls.
A última conquista da parceria foi construída principalmente pela defesa, um contraste com a virada ofensiva contra Atlanta dois anos antes.
Os seis Super Bowls revelam duas dinastias dentro da mesma parceria
Os títulos de New England aconteceram em duas fases separadas por uma longa espera.
| Temporada | Super Bowl | Adversário | Resultado |
|---|---|---|---|
| 2001 | XXXVI, em 2002 | St. Louis Rams | Patriots 20 x 17 Rams |
| 2003 | XXXVIII, em 2004 | Carolina Panthers | Patriots 32 x 29 Panthers |
| 2004 | XXXIX, em 2005 | Philadelphia Eagles | Patriots 24 x 21 Eagles |
| 2014 | XLIX, em 2015 | Seattle Seahawks | Patriots 28 x 24 Seahawks |
| 2016 | LI, em 2017 | Atlanta Falcons | Patriots 34 x 28 Falcons |
| 2018 | LIII, em 2019 | Los Angeles Rams | Patriots 13 x 3 Rams |
A primeira sequência teve como base uma defesa experiente, equipes especiais eficientes e um quarterback que ainda estava construindo sua reputação.
Na segunda fase, Brady já era um dos maiores jogadores da história da NFL. O ataque havia passado por diferentes transformações, enquanto a defesa reunia novos protagonistas.
A mudança de elenco foi profunda.
Jogadores importantes do primeiro tricampeonato, como Tedy Bruschi, Richard Seymour, Ty Law e Rodney Harrison, já não faziam parte da equipe nas conquistas mais recentes.
Outros nomes assumiram o protagonismo, incluindo Rob Gronkowski, Julian Edelman, Dont’a Hightower, Devin McCourty e Stephon Gilmore.
O elemento constante era a parceria entre Brady e Belichick.
A longevidade da dinastia dependeu justamente dessa capacidade de manter o núcleo de liderança enquanto quase todo o restante da equipe era renovado.
Os Patriots ganharam 17 títulos de divisão e chegaram a oito finais de conferência seguidas
A dimensão do domínio aparece com ainda mais clareza nos resultados acumulados.
Entre as temporadas de 2001 e 2019, os Patriots conquistaram 17 títulos da AFC East. As únicas exceções foram 2002 e 2008.
De 2009 a 2019, venceram a divisão 11 vezes consecutivas.
Entre as temporadas de 2011 e 2018, chegaram a oito finais seguidas da Conferência Americana, uma sequência que demonstra a regularidade da equipe nos playoffs.
Brady disputou nove Super Bowls pelos Patriots, venceu seis e perdeu três.
As derrotas aconteceram contra o New York Giants, nas temporadas de 2007 e 2011, e contra o Philadelphia Eagles, na temporada de 2017.
Como quarterback titular de New England, Brady acumulou 219 vitórias na temporada regular e 30 nos playoffs, totalizando 249 triunfos.
É necessário distinguir esse número da campanha completa de Belichick como treinador, que também inclui partidas disputadas sem Brady.
Nos 20 campeonatos entre 2000 e 2019, os Patriots somaram 232 vitórias e 88 derrotas na temporada regular, média de 11,6 triunfos por ano.
Considerando apenas as temporadas de 2001 a 2019, a média se aproxima de 12 vitórias anuais.
O desempenho foi excepcional numa liga em que cada equipe disputava apenas 16 jogos de temporada regular naquele período.
O que foi a Patriot Way e por que ela ajudou a sustentar o domínio?
A expressão Patriot Way ficou associada à cultura de trabalho estabelecida durante a gestão de Belichick.
A filosofia valorizava preparação, disciplina, execução e responsabilidade individual.
Uma das frases mais conhecidas do treinador era Do Your Job, traduzida como “Faça o seu trabalho”.
A ideia era que cada jogador cumprisse sua função dentro do sistema, mesmo quando não recebia destaque individual.
Essa abordagem permitiu que atletas pouco valorizados encontrassem espaço na equipe.
Malcolm Butler, responsável pela interceptação decisiva no Super Bowl de 2015, não havia sido escolhido no Draft.
Julian Edelman, um dos principais recebedores da segunda fase da dinastia, havia atuado como quarterback na universidade e foi selecionado apenas na sétima rodada do Draft de 2009.
Wes Welker também se tornou um jogador fundamental depois de iniciar a carreira sem grande projeção.
A filosofia, porém, não era consensual.
Ex-jogadores relataram experiências diferentes sobre o ambiente de trabalho. Alguns destacaram a disciplina como elemento essencial das conquistas, enquanto outros apontaram cobranças excessivas e desgaste emocional.
A Patriot Way foi uma cultura vencedora, mas não necessariamente confortável para todos os profissionais que passaram pela franquia.
Spygate e Deflategate também fazem parte da história da dinastia
A trajetória dos Patriots inclui controvérsias que precisam ser consideradas numa avaliação histórica.
Em 2007, a NFL puniu a franquia depois que integrantes da equipe foram flagrados gravando sinais defensivos do New York Jets a partir de uma posição proibida pelas regras.
O episódio ficou conhecido como Spygate.
Belichick recebeu uma multa de US$ 500 mil, enquanto os Patriots foram multados em US$ 250 mil e perderam uma escolha de primeira rodada do Draft de 2008.
Em 2015, surgiu outra controvérsia, relacionada à pressão das bolas utilizadas pelos Patriots na final da Conferência Americana contra o Indianapolis Colts.
O caso ficou conhecido como Deflategate.
Uma investigação encomendada pela NFL concluiu que era mais provável do que não que funcionários da equipe tivessem participado de irregularidades relacionadas à pressão das bolas e que Brady tivesse conhecimento geral dessas atividades.
O quarterback contestou as conclusões.
A liga aplicou uma suspensão de quatro jogos, cumprida por Brady no início da temporada de 2016 após uma disputa judicial.
Os Patriots também receberam multa e perderam escolhas de Draft.
Nenhum dos episódios resultou na anulação dos títulos conquistados. Ainda assim, ambos permanecem como parte importante do debate sobre o legado da franquia.
Por que Brady deixou os Patriots depois de 20 temporadas?
A temporada de 2019 foi a última da parceria.
New England terminou a fase regular com 12 vitórias e quatro derrotas, conquistando novamente a AFC East.
O ataque, porém, apresentou dificuldades ao longo do campeonato, especialmente na segunda metade da temporada.
Nos playoffs, os Patriots foram eliminados pelo Tennessee Titans por 20 a 13, na rodada de wild card.
A partida marcou a última atuação de Brady pela franquia.
Em março de 2020, o quarterback anunciou que deixaria New England depois de 20 temporadas.
Pouco depois, assinou contrato com o Tampa Bay Buccaneers.
A decisão encerrou uma parceria que havia produzido seis títulos e nove participações no Super Bowl.
Brady conquistaria outro campeonato na temporada de 2020, seu sétimo título na carreira, agora com Tampa Bay.
Belichick permaneceu no comando dos Patriots até o fim da temporada de 2023, mas não conseguiu repetir os resultados alcançados durante a era Brady.
A separação alimentou debates sobre qual dos dois havia sido mais importante para o sucesso da franquia.
A comparação não possui uma resposta simples.
Brady foi responsável pela execução ofensiva e por inúmeras campanhas decisivas. Belichick construiu a estrutura técnica, defensiva e administrativa que sustentou a equipe durante duas décadas.
Os resultados históricos surgiram da combinação dessas competências.
A dinastia dos Patriots foi a mais duradoura da era moderna do teto salarial?
A NFL já havia testemunhado outras grandes dinastias.
O Green Bay Packers dominou a década de 1960. O Pittsburgh Steelers conquistou quatro Super Bowls nos anos 1970. O San Francisco 49ers venceu cinco títulos entre as temporadas de 1981 e 1994, enquanto o Dallas Cowboys conquistou três campeonatos nos anos 1990.
O diferencial dos Patriots foi a duração da competitividade sob as regras modernas de teto salarial e movimentação de jogadores.
A equipe conquistou três títulos no início dos anos 2000, atravessou uma década sem vencer o Super Bowl e voltou a ganhar outros três campeonatos.
Entre a primeira conquista, em fevereiro de 2002, e a última, em fevereiro de 2019, passaram-se 17 anos.
A franquia manteve a mesma parceria entre treinador e quarterback durante todo esse período, algo especialmente incomum numa liga marcada por mudanças frequentes de elenco e comando técnico.
O legado também permanece nas jogadas que definiram diferentes épocas da NFL.
O field goal de Vinatieri contra os Rams, a recepção de David Tyree que impediu a temporada perfeita, a interceptação de Malcolm Butler e a virada de 28 a 3 contra Atlanta continuam entre os momentos mais lembrados do futebol americano.
Quando Brady deixou New England, em março de 2020, a parceria havia produzido seis Super Bowls, nove títulos de conferência e 17 conquistas da AFC East.
A dinastia não terminou com uma jogada decisiva ou uma derrota isolada, mas com a separação de seus dois principais arquitetos.
O que começou com a escolha número 199 do Draft de 2000 transformou-se numa das histórias mais improváveis e vitoriosas do esporte profissional.
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