Com Cristiano Ronaldo decisivo, um meio-campo formado por Casemiro, Kroos e Modrić e três finais vencidas em Milão, Cardiff e Kiev, o clube espanhol conquistou um feito inédito desde a criação da Champions League em 1992. A sequência terminou com a saída do treinador e, semanas depois, do maior artilheiro da equipe.
Por Marcio Tamer
Atualizado em 17 de outubro de 2026
O Real Madrid conquistou três títulos consecutivos da UEFA Champions League entre 2016 e 2018, um feito que nenhum outro clube havia alcançado desde que a competição adotou seu formato moderno, em 1992/93. A sequência começou com uma troca de treinador no meio da temporada, passou por uma vitória nos pênaltis contra o Atlético de Madrid e terminou com um triunfo por 3 a 1 sobre o Liverpool, em Kiev.
O responsável pela transformação foi Zinedine Zidane, promovido do Real Madrid Castilla ao comando da equipe principal em 4 de janeiro de 2016, depois da demissão de Rafael Benítez. O francês ainda não havia treinado um clube na primeira divisão, mas assumiu um elenco com Cristiano Ronaldo, Sergio Ramos, Marcelo, Luka Modrić, Toni Kroos, Karim Benzema e Gareth Bale.
Nos dois anos e cinco meses seguintes, Zidane conquistou três Champions League, incluindo a primeira defesa bem-sucedida do título na era moderna do torneio.
O feito teve um protagonista ofensivo evidente. Cristiano Ronaldo marcou 43 gols nas três campanhas europeias, com 16 em 2015/16, 12 em 2016/17 e 15 em 2017/18. O português terminou como artilheiro das três edições, mas o sucesso também dependeu da evolução coletiva do Real Madrid, especialmente da presença de Casemiro como volante e da capacidade de Modrić e Kroos para controlar diferentes ritmos de jogo.
A dinastia terminou de maneira surpreendente. Apenas cinco dias depois da vitória sobre o Liverpool, Zidane anunciou que deixaria o cargo. Em julho, Cristiano Ronaldo foi transferido para a Juventus.
O clube havia acabado de conquistar seu terceiro título consecutivo, mas perdeu, em poucas semanas, duas figuras centrais da era vitoriosa.
Por que o Real Madrid decidiu apostar em Zidane em janeiro de 2016?
A temporada 2015/16 havia começado sob o comando de Rafael Benítez, contratado para substituir Carlo Ancelotti. O treinador espanhol enfrentou dificuldades para estabelecer uma relação estável com o elenco e sofreu resultados que ampliaram a pressão da torcida.
O momento mais marcante aconteceu em 21 de novembro de 2015, quando o Real Madrid perdeu por 4 a 0 para o Barcelona, no Santiago Bernabéu, pelo Campeonato Espanhol. A derrota expôs problemas defensivos e aumentou as críticas ao trabalho de Benítez.
Em janeiro de 2016, após um empate por 2 a 2 com o Valencia, a diretoria decidiu mudar o comando técnico. O escolhido foi Zidane.
O francês havia sido um dos maiores jogadores da história do clube e participara da conquista da Champions League de 2002, quando marcou um gol de voleio na final contra o Bayer Leverkusen.
Também havia trabalhado como auxiliar de Carlo Ancelotti na campanha da décima conquista europeia do Real Madrid, em 2014.
Sua experiência como treinador principal, porém, estava restrita ao Real Madrid Castilla, equipe de desenvolvimento do clube.
A escolha envolvia riscos. Zidane precisava administrar um elenco de estrelas, recuperar a confiança dos jogadores e competir imediatamente por títulos.
O francês começou priorizando a organização do grupo e o equilíbrio entre ataque e defesa. Uma das decisões mais importantes foi consolidar Casemiro como titular no meio-campo.
Casemiro deu equilíbrio a um time que já tinha Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema
O Real Madrid possuía enorme qualidade ofensiva antes da chegada de Zidane. Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e Gareth Bale formavam o trio conhecido como BBC, capaz de combinar velocidade, finalização e movimentação.
Mas a equipe também precisava de proteção defensiva.
Com Casemiro, o Real passou a ter um volante especializado em recuperar a bola, fechar espaços e oferecer cobertura aos laterais. Isso permitiu que Toni Kroos e Luka Modrić atuassem com maior liberdade para organizar o jogo.
Kroos contribuía com passes precisos e controle da circulação da bola. Modrić oferecia condução, mudanças de direção e capacidade de escapar da pressão adversária. Casemiro assumia grande parte das tarefas defensivas, embora também participasse da construção ofensiva.
A combinação tornou-se uma das principais características da equipe.
Na defesa, Sergio Ramos e Raphaël Varane ofereciam força física e velocidade, enquanto Marcelo e Dani Carvajal avançavam frequentemente pelos lados do campo. O goleiro Keylor Navas completava a estrutura.
O Real Madrid não precisava dominar todas as partidas para vencer. Conseguia alternar períodos de posse de bola, ataques rápidos e momentos de resistência defensiva.
Essa flexibilidade seria fundamental nos mata-matas da Champions League.
Em 2016, o Real superou a Roma, virou contra o Wolfsburg e venceu o Manchester City
Zidane assumiu a equipe quando o Real Madrid já havia avançado à fase eliminatória da Champions League.
Nas oitavas de final, enfrentou a Roma. O clube espanhol venceu os dois jogos por 2 a 0, garantindo a classificação com placar agregado de 4 a 0.
Nas quartas, porém, surgiu um obstáculo inesperado.
O Real perdeu por 2 a 0 para o Wolfsburg, na Alemanha, e ficou obrigado a reverter a desvantagem no Santiago Bernabéu.
Cristiano Ronaldo assumiu o protagonismo. O português marcou os três gols da vitória por 3 a 0, completando um hat-trick que colocou o Real Madrid nas semifinais.
O adversário seguinte foi o Manchester City.
Depois de um empate sem gols na Inglaterra, o Real venceu por 1 a 0 em Madri, com um gol contra de Fernando após jogada de Gareth Bale.
A classificação levou o clube à final contra o Atlético de Madrid. Era uma repetição da decisão de 2014, vencida pelo Real na prorrogação.
Dessa vez, a final aconteceria em Milão.
A final de Milão terminou nos pênaltis e garantiu a 11ª Champions do Real Madrid
Em 28 de maio de 2016, Real Madrid e Atlético de Madrid se enfrentaram no estádio San Siro, em Milão.
O Real abriu o placar aos 15 minutos, com Sergio Ramos, depois de uma cobrança de falta e desvio de Gareth Bale.
O Atlético reagiu no segundo tempo. Antoine Griezmann desperdiçou um pênalti, chutando a bola no travessão.
A equipe de Diego Simeone continuou pressionando e conseguiu o empate aos 79 minutos, com Yannick Carrasco.
O placar permaneceu em 1 a 1 durante a prorrogação. A decisão foi para os pênaltis.
Lucas Vázquez, Marcelo, Gareth Bale e Sergio Ramos converteram as primeiras quatro cobranças do Real Madrid.
Pelo Atlético, Griezmann, Gabi e Saúl Ñíguez também marcaram.
Na quarta cobrança dos colchoneros, Juanfran acertou a trave.
Cristiano Ronaldo assumiu a quinta cobrança do Real e converteu.
A vitória por 5 a 3 nos pênaltis garantiu a 11ª conquista europeia do clube, conhecida como La Undécima.
Zidane tornou-se campeão da Champions League como treinador poucos meses depois de assumir o cargo. Mas a dimensão histórica de sua passagem ainda estava começando.
O título de 2017 quebrou uma barreira de 25 anos na Champions League
A temporada seguinte colocou o Real Madrid diante de um desafio que nenhum clube havia superado na era moderna da competição.
Desde a criação da Champions League, em 1992/93, nenhum campeão havia conseguido conquistar o título novamente na temporada imediatamente seguinte.
O Milan venceu a edição de 1993/94, mas perdeu a final de 1995 para o Ajax. O Ajax, por sua vez, foi derrotado pela Juventus na decisão de 1996.
Outros campeões chegaram perto, mas não conseguiram repetir o feito.
O Real Madrid entrou na temporada 2016/17 tentando encerrar essa sequência.
A equipe manteve sua estrutura principal e acrescentou alternativas importantes ao elenco.
Jogadores como Isco, Marco Asensio, Lucas Vázquez, Álvaro Morata e James Rodríguez ofereceram opções para diferentes situações.
Zidane também passou a administrar melhor o desgaste físico, utilizando rotações no Campeonato Espanhol e preservando jogadores para confrontos decisivos.
O resultado foi uma temporada excepcional.
O Real Madrid conquistou La Liga e a Champions League em 2016/17, algo que não conseguia na mesma temporada desde 1957/58.
O título europeu, porém, exigiu superar adversários de alto nível.
Cristiano Ronaldo marcou dez gols a partir das quartas de final de 2017
Na fase eliminatória da Champions League de 2016/17, o Real Madrid passou pelo Napoli nas oitavas de final.
Venceu os dois jogos por 3 a 1, garantindo classificação com placar agregado de 6 a 2.
Nas quartas, enfrentou o Bayern de Munique.
O confronto foi marcado por decisões controversas da arbitragem, incluindo expulsões e lances de impedimento discutidos.
O Real venceu por 2 a 1 na Alemanha e por 4 a 2 na prorrogação em Madri, avançando com agregado de 6 a 3.
Cristiano Ronaldo marcou cinco gols nos dois jogos.
Na semifinal, o adversário foi novamente o Atlético de Madrid.
O português fez os três gols da vitória por 3 a 0 no primeiro confronto, no Santiago Bernabéu.
O Atlético venceu a volta por 2 a 1, mas o Real avançou com agregado de 4 a 2.
Cristiano Ronaldo chegava à final com uma sequência extraordinária. Havia marcado oito gols contra Bayern e Atlético, justamente nas fases mais difíceis da competição.
A decisão seria disputada contra a Juventus, em Cardiff.
A vitória por 4 a 1 sobre a Juventus fez do Real o primeiro bicampeão da era Champions
Em 3 de junho de 2017, o Real Madrid enfrentou a Juventus no Millennium Stadium, em Cardiff, no País de Gales.
A equipe italiana havia sofrido apenas três gols durante toda a campanha até a final e possuía uma das defesas mais eficientes da Europa.
Cristiano Ronaldo abriu o placar aos 20 minutos.
A Juventus empatou pouco depois, com um gol de voleio de Mario Mandžukić, numa das jogadas mais bonitas daquela edição.
O primeiro tempo terminou em 1 a 1.
Na segunda etapa, o Real Madrid assumiu o controle da partida.
Casemiro marcou aos 61 minutos, com um chute de fora da área que desviou em Sami Khedira.
Três minutos depois, Cristiano Ronaldo completou um cruzamento de Luka Modrić e ampliou para 3 a 1.
Nos minutos finais, Marco Asensio marcou o quarto gol.
O Real Madrid venceu por 4 a 1 e conquistou sua 12ª Champions League.
A vitória representou um marco histórico.
O clube tornou-se o primeiro a conquistar títulos consecutivos desde a criação da Champions League, em 1992/93.
Cristiano Ronaldo terminou a competição como artilheiro, com 12 gols.
O português também foi decisivo nos confrontos mais difíceis: marcou dez gols entre as quartas de final e a decisão.
A conquista consolidou o Real Madrid como a principal potência europeia daquele período.
Mas o tricampeonato ainda exigiria superar uma temporada mais turbulenta.
Em 2018, o Real terminou em terceiro na Espanha e encontrou seu caminho mais difícil na Europa
A temporada 2017/18 foi diferente das duas anteriores.
O Real Madrid perdeu regularidade no Campeonato Espanhol e terminou em terceiro lugar, com 76 pontos, atrás de Barcelona e Atlético de Madrid. A diferença para o campeão Barcelona foi de 17 pontos.
Na Champions League, também não venceu seu grupo. Terminou em segundo, atrás do Tottenham, e precisou enfrentar uma sequência especialmente exigente de adversários no mata-mata.
Nas oitavas de final, eliminou o Paris Saint-Germain, que havia contratado Neymar e Kylian Mbappé, com vitórias por 3 a 1 em Madri e 2 a 1 em Paris.
Nas quartas, reencontrou a Juventus. Cristiano Ronaldo marcou duas vezes na vitória por 3 a 0 em Turim, incluindo um gol de bicicleta que recebeu aplausos de torcedores adversários.
A partida de volta quase produziu uma eliminação histórica.
A Juventus abriu 3 a 0 no Bernabéu e igualou o confronto, mas Cristiano Ronaldo converteu um pênalti nos acréscimos.
Mesmo derrotado por 3 a 1, o Real avançou por 4 a 3 no agregado.
Na semifinal, o adversário foi o Bayern de Munique.
O Real venceu por 2 a 1 na Alemanha e empatou por 2 a 2 na Espanha, classificando-se por 4 a 3 no agregado.
A campanha demonstrou uma característica central daquela equipe: a capacidade de sobreviver a confrontos nos quais o adversário também criava muitas oportunidades.
O Real não atravessou o mata-mata sem dificuldades, mas conseguiu decidir os momentos fundamentais.
A final de Kiev teve lesão de Salah, erros de Karius e um gol de bicicleta de Bale
Em 26 de maio de 2018, o Real Madrid enfrentou o Liverpool no Estádio Olímpico de Kiev, na Ucrânia.
O Liverpool, treinado por Jürgen Klopp, havia construído uma campanha ofensiva marcante, liderada por Mohamed Salah, Roberto Firmino e Sadio Mané.
A equipe inglesa começou pressionando, mas sofreu um golpe importante aos 31 minutos.
Salah deixou a partida com uma lesão no ombro após um lance disputado com Sergio Ramos.
A saída do egípcio alterou as opções ofensivas do Liverpool, embora não seja possível afirmar que tenha determinado sozinha o resultado.
No segundo tempo, aos 51 minutos, o goleiro Loris Karius tentou repor a bola com as mãos. Karim Benzema estendeu a perna, interceptou o lançamento e abriu o placar.
Sadio Mané empatou quatro minutos depois.
Com a partida em 1 a 1, Zidane colocou Gareth Bale no lugar de Isco, aos 61 minutos.
A substituição decidiu a final.
Pouco depois de entrar, Bale recebeu um cruzamento de Marcelo e marcou um extraordinário gol de bicicleta, colocando o Real Madrid novamente à frente.
Aos 83 minutos, o galês arriscou um chute de longa distância. Karius falhou ao tentar defender, e a bola entrou.
O Real Madrid venceu por 3 a 1.
Bale terminou como protagonista da decisão, mesmo tendo começado no banco de reservas.
Cristiano Ronaldo não marcou naquela noite, mas encerrou a edição como artilheiro, com 15 gols.
O tricampeonato foi inédito na Champions, mas não na história inteira da Copa dos Campeões
A conquista de 2018 estabeleceu um recorde importante, mas exige uma distinção histórica.
O Real Madrid foi o primeiro clube a vencer três edições consecutivas da Champions League desde a reformulação de 1992/93.
Isso não significa que tenha sido o primeiro a conquistar três títulos europeus seguidos em toda a história da competição.
Na antiga Copa dos Campeões Europeus, o próprio Real Madrid venceu cinco títulos consecutivos entre 1956 e 1960.
O Ajax conquistou três entre 1971 e 1973, e o Bayern de Munique repetiu o feito entre 1974 e 1976.
A diferença é que, na era Champions League, o torneio passou por mudanças profundas de formato e participação, reunindo também equipes que não haviam sido campeãs nacionais.
Nesse ambiente, nenhum clube havia conseguido sequer o bicampeonato consecutivo até o Real Madrid vencer em 2017.
Em 2018, o time ampliou o recorde para três títulos seguidos.
Zidane também se tornou o primeiro treinador a conquistar três Champions League consecutivas.
A equipe ainda alcançou sua 13ª Copa dos Campeões, a quarta em cinco temporadas, considerando o título de 2014 sob Carlo Ancelotti.
Os números do tricampeonato mostram a importância de Cristiano Ronaldo
As três campanhas produziram uma combinação rara de regularidade e capacidade de decisão.
| Temporada | Adversário na final | Resultado | Gols de Cristiano Ronaldo |
|---|---|---|---|
| 2015/16 | Atlético de Madrid | 1 a 1; 5 a 3 nos pênaltis | 16 |
| 2016/17 | Juventus | 4 a 1 | 12 |
| 2017/18 | Liverpool | 3 a 1 | 15 |
| Total | Três finais vencidas | Três títulos | 43 |
Os 43 gols de Cristiano Ronaldo nas três edições equivalem a uma média superior a 14 por temporada.
O português terminou como artilheiro de todas elas e teve participação especialmente decisiva nas fases eliminatórias de 2017 e 2018.
Mas a tabela também revela algo importante: na última final, os gols vieram de Benzema e Bale, não de Ronaldo.
A equipe possuía diferentes maneiras de decidir.
Sergio Ramos marcou na decisão de 2016. Casemiro e Marco Asensio fizeram gols importantes em 2017. Bale saiu do banco e resolveu a final de 2018.
O Real Madrid não era imbatível e tampouco dominava todos os jogos.
Sua superioridade estava na capacidade de encontrar soluções, mesmo diante de adversários fortes e de situações desfavoráveis.
Por que Zidane deixou o Real Madrid apenas cinco dias depois do tricampeonato?
Em 31 de maio de 2018, cinco dias depois da conquista em Kiev, Zidane anunciou que estava deixando o cargo de treinador do Real Madrid.
A decisão surpreendeu torcedores e dirigentes.
O francês afirmou que a equipe precisava de uma mudança para continuar vencendo e que, depois de três temporadas de conquistas, talvez fosse necessário um novo discurso no comando técnico.
Sua primeira passagem havia durado aproximadamente dois anos e cinco meses.
Nesse período, conquistou nove títulos oficiais, incluindo três Champions League, um Campeonato Espanhol, duas Supercopas da UEFA, duas Copas do Mundo de Clubes e uma Supercopa da Espanha.
A saída ocorreu quando o treinador ainda desfrutava de enorme prestígio.
Pouco depois, em julho de 2018, Cristiano Ronaldo foi transferido para a Juventus.
A operação encerrou a passagem de nove temporadas do português pelo Real Madrid, clube pelo qual marcou 450 gols oficiais.
Em poucas semanas, o time perdeu seu treinador tricampeão europeu e o maior artilheiro de sua história.
Zidane retornaria ao comando em março de 2019 e conquistaria outro Campeonato Espanhol, em 2019/20, mas não repetiria o tricampeonato continental.
O que tornou a dinastia de 2016 a 2018 tão difícil de repetir?
O Real Madrid reuniu três condições que raramente aparecem juntas.
A primeira foi a permanência de uma base técnica de altíssimo nível. Navas, Ramos, Marcelo, Carvajal, Casemiro, Kroos, Modrić, Benzema e Cristiano Ronaldo ofereceram continuidade ao trabalho de Zidane.
A segunda foi a capacidade de alternar estratégias.
O Real podia controlar a posse, acelerar pelos lados do campo, utilizar cruzamentos ou explorar os espaços deixados pelos adversários.
A entrada de Bale na final de 2018 demonstrou como o elenco também oferecia alternativas decisivas no banco.
A terceira foi a eficiência em confrontos eliminatórios.
O clube sobreviveu a situações de pressão contra Wolfsburg, Bayern, Juventus e outros adversários, mesmo sem apresentar superioridade durante todos os minutos das partidas.
O tricampeonato não significa que o Real Madrid tenha sido a melhor equipe da Europa em todos os aspectos estatísticos durante três anos.
Significa que conseguiu vencer o torneio mais exigente do continente em três edições consecutivas, enfrentando adversários diferentes e resolvendo partidas de maneiras distintas.
A dinastia de Zidane terminou com a vitória em Kiev, em 26 de maio de 2018.
Cinco dias depois, o treinador deixou o clube. Semanas mais tarde, Cristiano Ronaldo também saiu.
O Real Madrid continuaria conquistando títulos europeus nos anos seguintes, mas aquela sequência específica, construída com a mesma base e o mesmo treinador, terminou com a 13ª taça e um gol de bicicleta de Gareth Bale.
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