Depois de escapar do rebaixamento em 2015, o clube surpreendeu a Premier League com Claudio Ranieri, os gols de Jamie Vardy e o talento de Riyad Mahrez. O título foi confirmado em 2 de maio de 2016, quando o Tottenham deixou escapar uma vantagem de 2 a 0 contra o Chelsea.
Por Marcio Tamer
Atualizado em 12 de outubro de 2026
O Leicester City começou a temporada 2015/16 como um dos candidatos ao rebaixamento na Inglaterra. Nas casas de apostas, era possível encontrar cotações de 5.000 para 1 para o clube conquistar a Premier League. Nove meses depois, a equipe comandada por Claudio Ranieri terminou campeã, com 81 pontos, apenas três derrotas em 38 partidas e dez pontos de vantagem sobre o Arsenal.
A conquista foi confirmada em 2 de maio de 2016, sem que o Leicester precisasse entrar em campo. O Tottenham, último adversário com possibilidades matemáticas de alcançá-lo, abriu 2 a 0 contra o Chelsea, mas sofreu o empate por 2 a 2 em Stamford Bridge.
O resultado entregou ao Leicester o primeiro título da primeira divisão inglesa de sua história, então com 132 anos de existência.
A transformação foi extraordinária. Um ano antes, o clube havia passado grande parte da temporada na zona de rebaixamento e precisado de uma reação nas últimas rodadas para permanecer na elite. Em 2016, superou equipes com elencos mais caros e maior tradição recente, como Manchester City, Manchester United, Chelsea, Arsenal, Liverpool e Tottenham.
O título ficou conhecido como o milagre de 5.000 para 1, mas a campanha não foi construída apenas com resultados inesperados. O Leicester desenvolveu uma identidade tática eficiente, encontrou jogadores decisivos e demonstrou uma regularidade que seus concorrentes não conseguiram acompanhar.
O que significavam as apostas de 5.000 para 1?
A cotação de 5.000 para 1 tornou-se o símbolo mais conhecido da conquista do Leicester.
Na prática, uma aposta vencedora de £1 renderia £5.000 de lucro, além da devolução do valor apostado, caso fosse feita nessas condições.
Convertida matematicamente, a cotação corresponde a uma probabilidade implícita de aproximadamente 0,02%, antes de considerar as margens das casas de apostas.
Isso equivale a uma chance em cerca de 5.001, segundo a interpretação matemática das odds.
Mas existe uma distinção importante: a cotação não era uma probabilidade científica de o Leicester ser campeão. Tratava-se de um preço oferecido pelo mercado de apostas, influenciado pelas expectativas dos apostadores e pela política comercial das empresas.
A comparação com acontecimentos improváveis, como encontrar Elvis Presley vivo, tornou-se popular na cobertura britânica, mas não constitui uma equivalência estatística comprovada.
O número realmente relevante é que o Leicester iniciou a competição tão desacreditado que algumas casas de apostas ofereciam um retorno de milhares de libras para cada libra apostada em seu título.
Poucos meses depois, essas apostas se transformariam em um dos resultados mais surpreendentes já registrados no futebol inglês.
Um ano antes, o Leicester estava ameaçado de rebaixamento
A conquista de 2016 fica ainda mais impressionante quando comparada à temporada anterior.
O Leicester havia retornado à Premier League em 2014, depois de conquistar a segunda divisão inglesa.
Na temporada 2014/15, enfrentou grandes dificuldades para permanecer na elite. Em abril de 2015, ainda ocupava a última posição da tabela.
A equipe, então treinada por Nigel Pearson, conseguiu uma recuperação decisiva nas rodadas finais e terminou o campeonato em 14º lugar, com 41 pontos.
A reação garantiu a permanência na primeira divisão, mas não transformou o clube em candidato ao título.
Durante o intervalo entre as temporadas, Pearson deixou o comando da equipe. A diretoria anunciou Claudio Ranieri como substituto em julho de 2015.
A contratação provocou dúvidas.
Ranieri tinha experiência em clubes importantes, incluindo Chelsea, Juventus, Roma e Inter de Milão, mas vinha de uma passagem frustrante pela seleção da Grécia, encerrada após resultados ruins nas eliminatórias da Eurocopa.
A expectativa predominante era que o treinador italiano ajudasse o Leicester a evitar outra luta contra o rebaixamento.
O objetivo inicial estava muito distante de conquistar a Premier League.
Ranieri manteve a base do time e transformou o contra-ataque em arma decisiva
O Leicester não conquistou o campeonato com uma equipe construída do zero.
Ranieri preservou parte importante da estrutura herdada de Nigel Pearson, incluindo jogadores como Jamie Vardy, Riyad Mahrez, Wes Morgan, Kasper Schmeichel, Danny Drinkwater e Marc Albrighton.
As contratações de N’Golo Kanté, vindo do Caen, da França, e Christian Fuchs, que havia atuado no Schalke 04, ajudaram a fortalecer o sistema defensivo.
A equipe passou a jogar predominantemente no esquema 4-4-2, com duas linhas compactas e transições rápidas para o ataque.
O Leicester não precisava controlar a posse de bola para criar oportunidades. Muitas vezes, permitia que o adversário tivesse mais tempo com a bola, recuperava a posse e acelerava imediatamente em direção ao gol.
Kanté era fundamental para recuperar bolas no meio-campo. Drinkwater ajudava a organizar a saída rápida, enquanto Mahrez criava espaços com dribles e passes.
Na frente, Vardy explorava a velocidade para atacar as costas dos defensores.
O sistema também dependia de uma defesa organizada, liderada pelos zagueiros Wes Morgan e Robert Huth, com Schmeichel no gol.
Essa combinação permitiu ao Leicester enfrentar equipes tecnicamente superiores sem precisar reproduzir seu estilo de jogo.
O time não venceu porque seus adversários simplesmente fracassaram. Venceu porque encontrou uma maneira eficiente de aproveitar as próprias características.
Jamie Vardy marcou em 11 jogos consecutivos e quebrou um recorde da Premier League
Jamie Vardy tornou-se um dos principais símbolos da campanha.
Sua trajetória era incomum para um atacante que disputava o título inglês. Antes de chegar ao Leicester, havia passado por clubes fora das principais divisões do futebol inglês, como Stocksbridge Park Steels, Halifax Town e Fleetwood Town.
Em 2012, o Leicester o contratou do Fleetwood, então recém-promovido à quarta divisão inglesa.
Quatro anos depois, Vardy estava entre os atacantes mais decisivos da Premier League.
Na temporada 2015/16, marcou 24 gols em 36 partidas, terminando como artilheiro do Leicester e dividindo a segunda posição na artilharia geral do campeonato com Sergio Agüero. Harry Kane, do Tottenham, liderou com 25.
O recorde mais marcante aconteceu entre agosto e novembro de 2015.
Vardy marcou em 11 partidas consecutivas da Premier League, superando a marca de dez jogos estabelecida por Ruud van Nistelrooy, do Manchester United, em 2003.
O 11º jogo da sequência aconteceu justamente contra o Manchester United, em 28 de novembro de 2015, quando Vardy abriu o placar no empate por 1 a 1.
A marca consolidou sua reputação como um atacante capaz de decidir partidas mesmo quando recebia poucas oportunidades.
Sua velocidade, movimentação e capacidade de finalizar rapidamente combinavam perfeitamente com o estilo adotado por Ranieri.
Mahrez fez 17 gols e foi eleito o melhor jogador do campeonato pelos colegas
Se Vardy representava a velocidade e a eficiência do ataque, Riyad Mahrez oferecia criatividade.
O ponta argelino havia sido contratado do Le Havre, da segunda divisão francesa, em janeiro de 2014, por um valor relativamente baixo para os padrões da Premier League.
Na temporada do título, marcou 17 gols e distribuiu 11 assistências, tornando-se um dos jogadores mais produtivos do campeonato.
Mahrez tinha características diferentes das de Vardy. Era habilidoso no drible, conseguia mudar rapidamente de direção e tinha facilidade para finalizar com a perna esquerda.
Sua atuação foi especialmente importante contra adversários que tentavam impedir os contra-ataques do Leicester.
Em 6 de fevereiro de 2016, por exemplo, marcou um gol na vitória por 3 a 1 sobre o Manchester City, no Etihad Stadium.
O resultado demonstrou que o Leicester era capaz de derrotar um dos clubes mais ricos do país fora de casa, mesmo quando enfrentava uma equipe com maior investimento e elenco mais estrelado.
Ao fim da temporada, Mahrez recebeu o prêmio de Jogador do Ano da Associação de Futebolistas Profissionais da Inglaterra (PFA), escolhido pelos próprios jogadores.
Foi o primeiro africano a conquistar essa premiação.
O reconhecimento mostrou que a campanha do Leicester não dependia apenas de uma organização coletiva eficiente. O time também tinha jogadores capazes de produzir atuações individuais de alto nível.
Kanté chegou por uma fração do preço das estrelas e mudou o meio-campo
N’Golo Kanté foi uma das contratações mais importantes do Leicester para a temporada 2015/16.
O volante francês chegou do Caen por uma quantia frequentemente estimada em aproximadamente £5,6 milhões, muito inferior aos valores pagos por vários concorrentes para reforçar seus elencos.
Sua principal qualidade era a capacidade de recuperar a bola em diferentes regiões do campo.
Kanté cobria grandes espaços, pressionava adversários e interrompia jogadas antes que se transformassem em oportunidades de gol.
O trabalho defensivo permitia que Mahrez e Vardy recebessem a bola em situações favoráveis para acelerar os ataques.
A presença do francês também ajudava a proteger a defesa, especialmente quando o Leicester enfrentava adversários que controlavam a posse de bola.
Sua influência ficou evidente ao longo da temporada, quando passou a ser reconhecido como um dos melhores meio-campistas defensivos do campeonato.
Depois do título, Kanté foi contratado pelo Chelsea, onde conquistaria a Premier League novamente em 2016/17.
O francês também seria campeão mundial com sua seleção em 2018.
A passagem pelo Leicester, entretanto, foi o momento em que se consolidou como um jogador de elite.
A vitória por 3 a 1 sobre o Manchester City mostrou que o Leicester podia ser campeão
O Leicester começou a temporada com uma vitória por 4 a 2 sobre o Sunderland, em agosto de 2015.
A equipe manteve uma sequência de bons resultados e chegou ao fim do ano entre os primeiros colocados.
Ainda assim, muitos analistas esperavam que o desempenho caísse na segunda metade da competição.
O confronto com o Manchester City, em 6 de fevereiro de 2016, tornou-se um ponto de virada na percepção pública.
Jogando no Etihad Stadium, o Leicester venceu por 3 a 1, com dois gols de Robert Huth e um de Mahrez.
A vitória teve grande impacto porque o Manchester City era um dos principais candidatos ao título e possuía um elenco de alto investimento.
O Leicester demonstrou que sua liderança não dependia apenas de vitórias contra equipes da parte inferior da tabela.
Na rodada seguinte, perdeu por 2 a 1 para o Arsenal, no Emirates Stadium, sofrendo o gol decisivo nos acréscimos.
A derrota poderia ter abalado a confiança da equipe. Em vez disso, o Leicester iniciou uma sequência de resultados que praticamente eliminaria as possibilidades de recuperação dos concorrentes.
O time venceu partidas apertadas, incluindo vários triunfos por 1 a 0, e manteve a liderança até o fim.
O Leicester perdeu apenas três vezes em 38 jogos e terminou dez pontos à frente do Arsenal
A regularidade foi uma das características mais impressionantes da campanha.
O Leicester terminou a Premier League 2015/16 com 23 vitórias, 12 empates e apenas três derrotas.
A equipe marcou 68 gols, sofreu 36 e encerrou a competição com saldo positivo de 32.
A pontuação final foi de 81 pontos, dez a mais que o Arsenal, vice-campeão com 71.
O Tottenham, que disputou diretamente o título durante boa parte da temporada, terminou em terceiro, com 70 pontos.
| Posição | Clube | Jogos | Vitórias | Empates | Derrotas | Pontos |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1º | Leicester City | 38 | 23 | 12 | 3 | 81 |
| 2º | Arsenal | 38 | 20 | 11 | 7 | 71 |
| 3º | Tottenham | 38 | 19 | 13 | 6 | 70 |
| 4º | Manchester City | 38 | 19 | 9 | 10 | 66 |
| 5º | Manchester United | 38 | 19 | 9 | 10 | 66 |
Os números mostram que o título não foi decidido por uma sequência isolada de vitórias ou por um tropeço na última rodada.
O Leicester construiu sua vantagem durante meses e terminou o campeonato com uma margem expressiva sobre os concorrentes.
Outro dado chama a atenção: o clube foi campeão com apenas 42,43% de posse de bola média, segundo levantamento da Premier League.
Isso demonstra que o time não precisava dominar territorialmente seus adversários para vencer. A eficiência nas transições ofensivas e a organização defensiva compensavam a menor posse de bola.
A decisão aconteceu quando o Tottenham deixou escapar uma vantagem de 2 a 0
O Leicester não entrou em campo no dia em que se tornou campeão.
Em 1º de maio de 2016, a equipe empatou por 1 a 1 com o Manchester United, em Old Trafford, adiando a confirmação matemática do título.
No dia seguinte, o Tottenham enfrentou o Chelsea, em Stamford Bridge.
Os Spurs precisavam vencer para continuar com chances de alcançar o Leicester.
A equipe comandada por Mauricio Pochettino começou bem e abriu 2 a 0, com gols de Harry Kane e Son Heung-min.
No segundo tempo, porém, o Chelsea reagiu.
Gary Cahill diminuiu a diferença, e Eden Hazard marcou o gol de empate aos 83 minutos, após uma jogada coletiva.
O resultado final foi 2 a 2.
Com apenas duas rodadas restantes, o Tottenham não tinha mais condições matemáticas de ultrapassar o Leicester.
O clube de Ranieri era campeão da Inglaterra.
O jogo ficou conhecido como Battle of the Bridge, ou Batalha de Stamford Bridge, pela intensidade das disputas e pelo número elevado de cartões amarelos.
Mas, para o Leicester, o detalhe decisivo foi o gol de Hazard, que transformou uma vitória do Tottenham em empate e encerrou a disputa pelo título.
Os jogadores acompanharam a conquista na casa de Jamie Vardy
Enquanto Chelsea e Tottenham disputavam a partida em Londres, jogadores do Leicester estavam reunidos na casa de Jamie Vardy para acompanhar o resultado.
As imagens da comemoração se espalharam rapidamente pelo mundo.
Quando o árbitro encerrou o jogo em Stamford Bridge, os atletas celebraram juntos a conquista do campeonato.
A cena tornou-se um dos símbolos da temporada porque mostrava um grupo que havia começado o ano com o objetivo de permanecer na primeira divisão comemorando o maior título de sua história.
Claudio Ranieri não estava na reunião. O treinador havia viajado à Itália para visitar a mãe e retornou à Inglaterra após a confirmação da conquista.
A comemoração coletiva também reforçou a identidade do elenco.
O Leicester não tinha uma única estrela responsável por todo o sucesso. A campanha reuniu contribuições decisivas de jogadores com trajetórias diferentes, muitos deles contratados por valores modestos em comparação aos investimentos dos principais clubes ingleses.
O título foi resultado da combinação entre talento individual, organização tática e continuidade ao longo da temporada.
Andrea Bocelli cantou antes da entrega da taça no King Power Stadium
A celebração oficial aconteceu em 7 de maio de 2016, quando o Leicester recebeu o Everton no King Power Stadium.
Antes da partida, o tenor italiano Andrea Bocelli apresentou-se no gramado, acompanhado por Claudio Ranieri.
Bocelli cantou Nessun Dorma, uma das árias mais conhecidas da ópera, e também apresentou uma versão de Time to Say Goodbye.
A apresentação emocionou torcedores e jogadores, transformando a cerimônia em um dos momentos mais lembrados da história do clube.
Depois do espetáculo, o Leicester venceu o Everton por 3 a 1, com dois gols de Jamie Vardy e um de Andy King.
Ao fim da partida, o capitão Wes Morgan ergueu a taça da Premier League diante da torcida.
A cerimônia marcou a primeira conquista do Campeonato Inglês na história do Leicester City.
O clube havia sido fundado em 1884 e precisou esperar 132 anos para alcançar o principal título nacional.
A festa no King Power Stadium representou o encerramento de uma temporada que havia começado com expectativas completamente diferentes.
O título do Leicester foi apenas resultado de uma temporada ruim dos gigantes?
A campanha de 2015/16 também foi marcada por dificuldades enfrentadas por clubes tradicionalmente favoritos.
O Chelsea, campeão da temporada anterior, teve uma queda expressiva de desempenho e terminou apenas em décimo lugar.
O Manchester City, apesar de possuir um dos elencos mais caros da liga, terminou em quarto.
O Manchester United ficou em quinto, enquanto o Liverpool terminou em oitavo.
Esses resultados ajudaram a abrir espaço na disputa pelo título, mas não explicam sozinhos a conquista.
O Leicester venceu 23 partidas, perdeu apenas três e somou 81 pontos, uma pontuação suficiente para disputar o título em diversas temporadas da Premier League.
Além disso, a equipe derrotou adversários importantes, como Manchester City e Chelsea, e demonstrou consistência contra clubes de diferentes níveis.
A conquista não foi simplesmente consequência do fracasso dos favoritos. O Leicester aproveitou uma oportunidade histórica porque conseguiu manter um desempenho que seus concorrentes não sustentaram.
A eficiência do sistema de Ranieri também merece atenção.
Segundo análise publicada pela Premier League, Kanté liderou o campeonato em desarmes e interceptações, com 175 desarmes e 156 interceptações.
Mahrez participou diretamente de 28 gols, somando 17 gols e 11 assistências. Vardy marcou 24 vezes e distribuiu seis assistências.
Esses números mostram que a equipe combinava recuperação de bola, velocidade e capacidade de finalização em alto nível.
O que aconteceu com o Leicester depois da conquista histórica?
A temporada seguinte mostrou como era difícil manter o mesmo nível de desempenho.
O Leicester iniciou 2016/17 como atual campeão, mas enfrentou problemas na Premier League e voltou a se aproximar da zona de rebaixamento.
Em fevereiro de 2017, menos de um ano depois da conquista, Claudio Ranieri foi demitido.
A decisão provocou surpresa e críticas, especialmente pelo papel do treinador na campanha histórica.
Apesar das dificuldades no campeonato nacional, o Leicester conseguiu chegar às quartas de final da Liga dos Campeões em sua primeira participação no torneio.
O clube eliminou o Sevilla nas oitavas e foi derrotado pelo Atlético de Madrid na fase seguinte.
Nos anos posteriores, o Leicester conquistou outro título importante: a Copa da Inglaterra de 2021, derrotando o Chelsea por 1 a 0 na final.
A trajetória, porém, também incluiu novos rebaixamentos.
Em 2023, o clube caiu para a segunda divisão inglesa. Voltou à Premier League em 2024, mas foi novamente rebaixado em 2025.
Em abril de 2026, sofreu outro rebaixamento, desta vez para a League One, terceira divisão inglesa.
O contraste é marcante. Dez anos depois de conquistar a Premier League, o Leicester voltou a enfrentar uma realidade esportiva muito distante daquela temporada histórica.
Isso não diminui a conquista de 2016. Pelo contrário, mostra como foi excepcional o momento em que um clube de recursos limitados conseguiu superar as principais potências do futebol inglês.
Por que o título de 2016 continua sendo uma das maiores surpresas do futebol?
A conquista do Leicester reuniu características raras no futebol moderno.
O clube havia passado grande parte da temporada anterior ameaçado de rebaixamento, contratou um treinador recebido com desconfiança e iniciou o campeonato com cotações de 5.000 para 1 nas casas de apostas.
Mesmo assim, construiu uma campanha de 23 vitórias, 12 empates e apenas três derrotas.
Vardy quebrou o recorde de jogos consecutivos marcando gols na Premier League. Mahrez foi eleito o melhor jogador do campeonato pelos colegas. Kanté tornou-se uma das principais referências defensivas da competição.
Ranieri conseguiu organizar esses talentos num sistema que não dependia de controlar a posse de bola, mas de recuperar a bola e atacar com velocidade.
O título foi confirmado em 2 de maio de 2016, quando o Tottenham empatou com o Chelsea. Cinco dias depois, o Leicester recebeu a taça diante de sua torcida.
A equipe terminou a temporada dez pontos à frente do Arsenal, mostrando que a conquista não foi fruto de uma vitória isolada ou de uma decisão nos últimos segundos.
O Leicester foi campeão porque conseguiu manter uma regularidade superior à dos adversários durante 38 rodadas.
Em uma liga marcada pelo poder financeiro de grandes clubes, a temporada 2015/16 demonstrou que organização, escolhas eficientes e desempenho coletivo ainda podiam produzir um resultado fora das previsões.
A cotação de 5.000 para 1 virou símbolo de uma conquista que parecia impossível em agosto de 2015, mas que se tornou realidade nove meses depois.
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